miércoles, 15 de febrero de 2017

ANTÔNIO LACARNE [19.947]


Antônio LaCarne

Antônio LaCarne (1983) es un poeta brasileño, autor de Salão Chinês (Patuá, 2014) y Elefante-Rei: Poemas B (CBJE, 2009). Tiene un título en Lenguas de la Universidad Federal de Ceará y escribe en su blog O Impenetrável (oimpenetravel.tumblr.com). Su nuevo libro se puede conseguir en el siguiente enlace: https://revistagueto.com/selo-independente/



*La traducción de los siguientes poemas fue realizada por el escritor argentino Jan de Jager y revisadas por el autor





Loop

estas son las noches que recordamos
tu colchón inflable
dando cuenta del cuarto
y yo recordando cada conversa
como si el amor allí cerca
fuese nuestra vida escondida
pero conducimos en silencio
por la ciudad tan destruida
como el corte en el pecho
que intentamos disfrazar,
y no sirve de nada,
no es posible que un rascacielos
nos defina,
maría antonieta presa en un cuadro
y en la gloria que viviste sin mi
al mentir que el último amor
fue una herida agradable
que no lastima
o cuando entramos en una curva
encontramos sin querer una respuesta
y las personas mienten




Loop

estas são as noites que lembramos,
o teu colchão inflável
tomando conta do quarto
e eu relembrando cada conversa
como se o amor ali perto
fosse nossa vida escondida,
mas dirigimos em silêncio
na cidade tão destruída
quanto o corte no peito
que tentamos disfarçar,
e não adianta,
nem é possível que um arranha-céu
nos defina,
maria antonieta presa num quadro
e na glória que você viveu sem mim
ao mentir que o último amor
foi uma ferida agradável
que não machuca
ou quando viramos numa curva,
encontramos uma resposta sem querer
e as pessoas mentem.





plástico & blando

tienes ojos de frankenstein
perdido en una selva sin verano
o arena donde me desequilibro
y construyo mi amor
a veces plástico, blando, out of control
ventarrón que me derrumba
o no sé mi nombre ante ti
buceador
100 metros de nado estilo mariposa
mis manos que tiemblan
y repiensan cómo construir un arca
una cama, un diván
yo me pregunto por dónde anduve
si el tren en esta estación
es el más prohibido del mundo
o si soy una mujer por dentro





plástico & macio

 você tem olhos de frankenstein
perdido numa floresta sem verão
ou areia onde me desequilibro
e construo meu amor
às vezes plástico, macio, out of control
ventania que me derruba
ou não sei meu nome diante de você
mergulhador
100 metros de nado borboleta
as minhas mãos que tremem
e repensam como construir uma arca
uma cama, um divã
eu me pergunto por onde andei
se o trem nesta estação
é o mais proibido do mundo
ou se sou uma mulher por dentro.





Los hombres malditos

sobre todas las cosas los hombres me dejaron sin rostro,
incluso las mujeres, esas que se repiten antiguas,
sin mucho esfuerzo,
pero mi sonrisa envenenada te transportó a un mar distante,
las perlas en el fondo del océano,
mi cuerpo en el fondo del océano,
las palabras que no cruzan paredes,
o si alguien quisiera, puedo todo a mi propio alcance,
y si la noche es siempre larga
danzo veloz con los ojos cerrados para siempre.

ya no envejezco como de costumbre,
el teléfono es un enemigo,
muero de ganas sólo por ver y me encierro en el cuarto,
ninguna película representa,
y tú tampoco eres verdad,
la calma solo corresponde a los comprimidos entre los dedos,
símbolo de larga duración que no se rasga





Os homens malditos

sobre todas as coisas os homens me puseram sem rosto,
inclusive as mulheres, elas que se repetem antigas,
sem muito esforço,
mas o meu sorriso envenenado trouxe você num mar distante,
as pérolas no fundo do oceano,
meu corpo no fundo do oceano,
as palavras que nem cruzam paredes,
ou se alguém quiser, posso tudo ao meu próprio alcance,
e se a noite é sempre longa
danço veloz de olhos fechados para sempre.

já não envelheço como de costume,
o telefone é inimigo,
morro de vontade só por ver e me tranco no quarto,
nenhum filme representa,
você também não é verdade,
calmaria só corresponde aos comprimidos entre os dedos,
símbolo de longa duração que não se rasga.




Playa

Siempre en dirección a esta playa
pero a contrapelo de mí
como dijo aquel que no me conoce
analizando mi diálogo a veces
literal y seco como quien no insiste
y ve que la ceniza del cigarrillo
no es más que un agujero
tal vez una fuga perdida en otro agujero
o herida aquí en el cuerpo
o volcán perdido en los pliegues
de tus piernas tan lejos
o la montaña que escalo sin previsión
aurora boreal, ritmo y masturbación





Praia

Sempre na direção desta praia
mas ao contrário de mim
como disse aquele que não me conhece
analisando meu diálogo às vezes
literal e seco como quem não insiste
e vê que a cinza do cigarro
nada mais é que um buraco
talvez uma fuga perdida em outro buraco
ou ferida aqui no corpo
o vulcão perdido nas dobras
das tuas pernas tão longe
ou a montanha que escalo sem previsão
aurora boreal, ritmo e masturbação.



4 poemas do livro Salão Chinês, de Antônio LaCarne:


anteprojeto

primeiro ritual automático do dia: este livro é memória de tom na transversal & babadeiro. ramificação de espécies brandas, sem muito luxo. o vazio de perder ou ganhar ao abrir os olhos, não importa. imitação difícil de quem já foi. rua íngreme, dobrando esquivo ao caminho. cabeça dispersa, também entre as pernas, recordação recortada & anteprojeto.





boyfriend

carinho,
me resgatou do buraco, das barras, das putas mágoas de bêbado apaixonado – sou um bruxo antes dos trinta & não te absolvo por me abandonar antes do segundo beijo, como se eu fosse uma cadela esfomeada, doida por pau, segredo & literatura. 
penso nos trópicos, na meia dúzia de bananas: um pingo de sensibilidade longe da tua zona de conforto  –  olhar de pantera mascarado por fluxos de escuridão, quando dei adeus às sleeping pills & enchi a cara numa compensação difícil.
nem porra, nem puta – você criou asas enquanto eu despencava do meu próprio andar de um metro & oitenta, então resolvi escrever um livro sobre a pós-modernidade que oprime, deprime & que não manda flores no dia seguinte.
amei você quando não havia sol ou pudor. 
espinhos, cristais escondidos, falésias: coração comparado às andorinhas da paixão universal. 
mantive os diários sob o poder das gavetas. mutilação das linhas de expressão quando sonhei com o ator pornô húngaro a me livrar da frigidez numa cama chinfrim de motel  pago com o limite do meu cartão de crédito. 
escolhemos a suíte pole dance com hidro & demarquei cada centímetro com a língua, olhos, nádegas em profusão – depois fui embora com um sorriso de viúva alegre estampado nas fuças.
o lado b do amor tão obscuro, vendendo meu próprio peixe para que você me ame, ou na pior das hipóteses, desmembrar as vértebras do meu prazer em ambientes dominados por cães na sarjeta & dignidade na estratosfera. 
mas pago o preço, encaro as duas faces da moeda & planejo cada passo na alcova. 
os quadriláteros do abandono estão aqui representados, dançamos ao som do jazz diante dos canteiros centrais & das vias expressas não plastificadas.
resta-me rasgar as tuas pernas, queixo, memória & afeto aos frangalhos: tiro de espingarda no coração. aí o clima esquenta & sou obrigado a me desfazer das histórias onde interpretei megeras, datilógrafas ninfomaníacas, divas abandonadas. 
me livro do luxo, da intelectualidade & do frio. 
telefono para dr. salomão que me atende entorpecido de recusa. ele diz que já fomos longe demais no tratamento, não há cura possível. ele então prescreve doses cavalares de um medicamento cujo rótulo exibe fogo ao redor da boca, boca ao redor do fogo. tomo dois comprimidos sem pestanejar. 
dr. salomão sorri, glamouroso – segurando a bengala importada do egito. 
como pagamento, ele me estapeia a bunda. 
& pairo num terceiro andar de um corredor às quatro & trinta & sete no calor insustentável do brasil. 
(você precisa abrir os olhos).
mas você me observa reticente & o combustível do momento é o pensamento claustrofóbico & oscilante naquele quarto úmido de motel. 
pole dance com hidro, lembra?
as fomes que não se descosturam. 
busco fôlego para materializar o livro. 
arbustos, jarros, sombra & coração impecável para as consequências.
você que me culpa & que não me explora os olhos, os ossos do ofício, os gatos abandonados, o gato por lebre. 
tudo em vão como um lábio superior desenhado sem esmero na pintura.
& diante do ex-amante proponho um batuque, um samba, uma pausa na coreografia. tomo mais um gole do perigo que eu mesmo interpretei. 
da janela, fotografo as luzes esparsas do centro da cidade.
projeto: obsessão, terror & glória. 
25 de fevereiro de um ano qualquer:     
a vida é um fist fucking cravejado de diamantes pontiagudos.




tigre siberiano

adolescentes reproduzem meu fio condutor numa vasta cama de plumas & acessórios eróticos onde invisto minha língua sobre a previsão das mentiras para inventar um relato sobre sexo, ejaculações, coxas nuas que sobrepõem meus orifícios mediúnicos durante o coito & suas doses cavalares de memória em quartos escuros vistos sob o espaldar da cama que não range & que não prolifera nossas ardências na noite de frio, rumba, razão mimeografada presa à estante de brinquedos fabricados nos anos 90.
como se os meus olhos fossem o dorso de um cavalo prestes a mumificar a vida num galope sombrio, relincho tropical no alto da montanha ao invés de reconhecer o grito imaculado do homem que me domina sem o meu consentimento felino, pois quem enumerou os defeitos dos corpos teme o gesto de penetrar ou ser penetrado sem que os inimigos ou amantes sucumbam perante o último orgasmo travestido no sorriso de nossas gengivas, vaginas, líquidos empalidecidos enquanto o dia amanhece & tratamos de nos recompor: livre arbítrio que abre a boca antes que a presa se torne carcaça & eu psicografe o perigo do mundo.




cowboy

baby, 
não era você o moço perdido, vestindo flores, olhar baixo que pedia cigarro aos quem nem sequer te reconheciam? você precisava ver como não fui tolo & dei o primeiro passo na noite, cilada após cilada, romance destruído após romance destruído. os meus amigos  & suas respectivas cadeiras cativas, cada qual com um copo nas mãos, o sorriso que vinha fácil entre tantas modas, tendências, discussões sobre a capa da vogue, kate moss nua, gisele bancando a santa. eu ouvia calado, cutucando quem estivesse mais próximo. o som das trombetas que a gente insistia em dar valor, mas que às 10 da noite tudo era pintado de droga, saliência, esquina do táxi, roupa amarrotada. a valentia de um deus pagão dentro da cueca. 
24 horas de desejo por você, 
sem nome, 
jururu,
carteira de cigarro vazia,
isqueiro perdido,
madrugada & suas garras,
gente de índole difícil,
quarentão que não fez nada da vida,
plebeu desmascarando encrenca,
uma barra,
uma superbarra,
você de quatro,
eu de bruços,
o telefone que não tocou pela oitava vez,
katherine mansfield trancafiada na suíte,
a inimiga plantando bananeira,
eu pertinho das bananas,
borracha para panela de pressão no centro da cidade,
um cavalo,
uma dose de balé pendurada no queixo.
estou transbordando mais uma vez. giancarlo, klauss, todos parecem mortos. cada corpo é uma bituca de cigarro no cinzeiro sujo. seguro a onda como quem surfa com uma perna só, & se alguém diz que é preciso matar um leão por dia, derrubo então o dominó da vida.
pois se eu pudesse sugar de você esse amor infantil, eu arrancaria as tripas da farsa que me ilude. dr. salomão não me salvaria, pagan poetry não me salvaria, uma floresta encantada não me salvaria, nem os modelos da ford, muito menos você de pau duro ocultando as galáxias.



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