viernes, 27 de abril de 2012

6582.- ANA HATHERLY


Ana Hatherly (Porto, Portugal 1929)
Poeta, ensayista, investigadora, traductora y artista plástica que inicia su carrera literaria en 1958.
Recientemente ganó el Premio Europeo de Poesía. Su más reciente publicación es Teatros de la palabra.
Ha sido una de las principales exponentes del grupo de poesía experimental de los años 60 y 70, su trabajo esta representado en las más importantes Antologías e Historias de la Literatura Contemporánea de Portugal, Brasil, España, Inglaterra, Alemania, Estados Unidos, Dinamarca, Suecia, Holanda y República Checa.
Dentro de su faceta como traductora ha realizado traducciones al portugués de obras inglesas, francesas, italianas y españolas.
Durantes las última dos décadas, se ha dedicado al estudio de la literatura portuguesa y española del Siglo de Oro, habiendo publicado varios ensayos y comunicaciones sobre el tema en diversas de las mas conocidas publicaciones literarias de Portugal y del extranjero.
Licenciada por la Universidad de Lisboa y Doctorada en Literaturas Hispánicas por la Universidad de Berkeley (USA), es actualmente Catedrática de Literatura Portuguesa en la Universidad Nueva de Lisboa y presidenta del Instituto de Estudios Portugueses de esta misma Universidad.
A nivel poético referenciada como uno de los nombres más importantes de la vanguardia portuguesa de la segunda mitad de siglo, su poesía reúne fuertes tendencias visuales que han propiciado el desvanecimiento de las fronteras entre la expresión poética y la intervención plástica. Es este el caso, por ejemplo, de "Mapas de la Imaginación y de la Memoria" de 1973, así como de varias exposiciones que incluyen diseño, pintura y colages, realidas en galerias y centros de exposicones, como el Centro de Arte Moderno de la Fundación "Calouste Gulbenkian", Museo del "Chiado" y la Fundación "Casa de Serralves", además de la participación en la Bienal de Venecia y en la Sao Paulo en Brasil.



Si pudiera

Si pudiera darte lo que no tengo
y que fuera de mí jamás se encontraría

Si pudiera darte lo que tú sueñas
y que solo por mí es soñado

Si pudiera darte el aliento que se me escapa
y que fuera de mí jamás se encontraría

Si pudiera darte lo que descubro
y descubrirte lo que de mí se esconde

Entonces tu serías lo que existe
quien sólo por mí puede ser soñado





Escribo y describo
y describiendo
el tiempo se inserta en las líneas
y en las entrelíneas en que escribo
escribiendo imágenes
que a sí mismas se describen
desescribiendo el tiempo.

 Fragmento del poema II
en A Idade da Escrita






A corrida em círculos

I
O círculo é a forma eleita:
É ovo, é zero,
É ciclo, é ciência.
E toda a sapiência.

É o que está feito,
Perfeito e determinado,
É o que principia
No que está acabado.

II
A viagem que o meu ser empreende
Começa em mim,
E fora de mim,
Ainda a mim se prende.

A senda mais perigosa
Em nós se consumando,
Passamos a existência
Mil círculos concêntricos
Desenhando.

         (As aparências, 1959)



Dar-se

dar-se
entregar-se
o querer no outro transformar-se

cegueira esplêndida esta
vitória álacre e suma desgraça

         (Volúpsia, 1994)




A máscara da palavra

A máscara da palavra
revela-esconde
o rosto vago
de um sentido mundo

Paraíso acidental
metódico exercício
a máscara da palavra
colou-se ao rosto:
agora é
o nosso mais vital artifício

Com a máscara da palavra
reinventamos
o som da voz amada
que nos inunda
com seu luar de espuma

         (A idade da escrita,1998)



Pensar é encher-se de tristeza

To think is to be full of sorrow
J. Keats, Ode to a nightgale

Pensar é encher-se de tristeza
e quando penso
não em ti
mas em tudo
sofro

Dantes eu vivia só
agora vivo rodeada de palavras
que eu cultivo
no meu jardim de penas

Eu sigo-as
e elas seguem-me:
são o exigente cortejo
que me persegue

Em toda a parte
ouço seu imenso clamor

         (O pavão negro, 2003)






Que te vincula corpo

que te vincula corpo
ao enxame tático dos afetos

         terror?

         deleite?

         febre?

O desejo penetra-nos no corpo
De maneira cada vez mais detalhada

                   [O cisne intacto, 1983]



Fora os poucos recessos existentes

Fora os poucos recessos existentes
o que enche a sombra-lei do não?

que paciência é essa
ou avidez
o que enche de segredo
o medo já sem trégua?

não há desejo exterior ao poder

         [O cisne intacto, 1983]



A ausência

Oh como te ex-amo
como tudo se torna díreção imprecisa

É uma coisa terrível
tudo ser tão evidente
no seu vazio
         controverso
                   verso

Seta por dentro
a onda vive de perfil o seu ex-ato
imprecisando as criaturas

Oh como o eu-outro aflora culminando
falo contigo
mas é um outro que contigo fala
um outro
que ex-amadamente arde ainda

Não vês a curva da parábola?

A face do amor é ausência de rosto.

                   [A idade da escrita, 1998]


 A  história do mundo

A história do mundo
é uma autobiografia inventada
é a história
dum Paraíso desencontrado
dum velho-novo-mundo
para sempre ultrajado
pelo enorme cintilação do ouro

Ah
como é desigual
a viagem da descoberta!

Entre a cópia e a falta
ante o vexame do despenho
uma pergunta maléfica nos assalta:
que fazer?

A alma
não tem que fazer nada
dizia um célebre quietista...

                   [Itinierários, 2001]






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