martes, 27 de septiembre de 2016

GISELE WOLKOFF [19.168]


GISELE WOLKOFF

Gisele Giandoni Wolkoff  (São Paulo, Brasil 1970). Poeta y profesora, ha publicado los poemarios Partidas (2012), Rumo ao Sol (2014)) y Ar (2016). En 2011, editó la antología bilingue Poem-ando Além Fronteiras: dez poetas contemporâneas irlandesas e portuguesas//Poem-ing Beyond Borders: ten contemporary Irish and Portuguese women poets y en 2015, editó la antología trilingüe Plurivozes Americanas/American Plural Voices/Plurivoces, una mirada en paisajes literarios de las Americas hoy. Su obra ha sido publicada en diversos medios como el blog conversasnadafiadas.blogspot.com y gorduradi-s-soluta.blogspot.com.br, entre otros. Ganadora del Premio Machado de Assis, 2002, participa en varias publicaciones marginales brasileñas. Cree en las palabras como el color que se ve en las flores de los árboles.



FADO

Así yo quisiera mi último poema:
Que fuese rojo como un clavel en solapa pos-revolución
Que fuese sencillo como la luz nada obstinada de la canción
olvidada
Que albergase toda la pasión reprimida y con las lágrimas
de todas las saudades
que atravesase el océano, en cualquier pensamiento, tan solo
en la lascivia de una noche
que sonase a Drummond y a Bandeira
Y que fuese breve, convertido en haiku.



DONDE NO HABITO

Escondo
el hambre
que hay en mí
engañándome
del atributo
de la pobreza.

Y esta misma hambre
-oro de la miseria-
se expande
hecha fétida
herida en el féretro
de grava ocre

– escondrijo-buitre,
profundo sentido
del no-ser.



COMUNIÓN

la palmera ante mí tiene muchos pies:
cinco en cada brazo;
diez brazos en cada lado
y, más allá de la cabeza vuelta abajo
(con muchos ojos que quedan en lugar de los pies)…
entre la Luna y el haz de luz
de tu corazón
este hilo
– entre cielo y mar –
ya siendo lo que no vivimos
y el Sol derritiéndose
verde
que siempre seremos
el fuego del aire
Sol cielo y el azul
que no fuimos…
Tierra convirtiéndose Luna
haciéndose estrella-día
despuntando nube…



CONJUGANDO TODO LO QUE NO SEA MIEDO…

Transformar la consonante en vocal
y la vocal en sinfonía,
aproximar ambas
como si fuesen guijarros cubiertos por el mar
en día de sol sin lluvia o cuando la lluvia es sólo nube
en nudo
de no querer noche oscura o día ceniciento

Hacer trasvasar las gotas del rocío del alma
por la piel oscura y colorear de sonrisas la tez pálida

acercar lo que sea de fuego
sin miedo de incendio
porque la tempestad de la palabra solo debe ser fonema arisco
templando sabiduría, calando miedos, haciendo poesía
de los faros que quedan muy distantes de la tierra plana y oscura
donde brotan los deseos desconocidos y silenciosos
que hacen de esta página algo más allá del espacio en blanco
de la voz en silencio
del tiempo en secreto
(historia)
Armonía




FÓRMULA DE LA MANCHA

Al poeta Miguel de Cervantes
Para ser ingenioso hidalgo
basta


colorear los rostros de las señoras-ruiseñores
– primas lejanas de Byron –
de pómulos rojos

poner botas en los dedos andrajosos
de los pies que sólo saben estar descalzos

hacer palpitar la sangre-Visir
en la piel-Rocinante-Emperatriz

y salir sintiendo
los colmillos de los leones
vociferantes

– ¡Ah, mi Sancho alucinante!

Para ser ingenioso hidalgo
basta
trans-
formar la falta
de la plegaria
en canción
de festejo milanés
– cortejo lusitano –
y
después
reconocer

Pintar la resurrección de la vida
en las páginas de los libros

http://www.crearensalamanca.com/poemas-de-gisele-wolkoff-xix-encuentro-de-poetas-iberoamericanos/





Gisele Giandoni Wolkoff nasceu em São Paulo de pais alegres e divertidamente bizarros, mais um irmão e uma irmã que sempre "botaram pra quebrar"! É tradutora e pesquisadora, tendo sido professora universitária (na área de Letras e Comunicações, por onze anos), escreve por paixão e profissão.

Vencedora dos Prêmios LiteraCidades (2010), Acesc de Poesia (2009), Machado de Assis (Poesia) em 1998, Prêmio Castro Alves (1990), Gisele publicou na Revista da Oficina de Poesia, na Antologia Literária Cidades, no Diário de Coimbra, no Jornal de Notícias (Portugal)

Integrante da “Oficina de Poesia” do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, onde também desenvolve investigação sobre Mulheres e Poesia, Gisele acredita que poetar é existir. Se respirar significa poetar, poetar é respirar com todo o fôlego e dizer ao mundo a que viemos, nós, mulheres.


Psicodelica-da-mente


Retrato

De todas as imagens
ficou este gesto:
tuas mãos
a me fazer eterna.

Por certo

o tacto
apazigua
me
o fato
simples
de roçar-lhe
as testas
suaves
até as sombrancelhas



Ipanema-me

o caminho
aos teus ombros
uma relva inacabável de desejo



Jaraguá em névoa

bordos úmidos na esfera do rio
barco de pedra
enrascado nas rochas
de nossos corpos
e o despiste:
a água que não flui
a palavra que não cessa
e perfaz o discurso
rio raso raspando riso reticente
com que pintamos os bordos
no leito de nosso amor-eleito-efeito-intento
bordos, úmidos, que foram rio raso
na rua derrapando riso
reticente
rotina
transparente
deste Jaraguá em névoa
trégua de silêncio



Matrimônio

enlaçamos as mãos
e  nos perdemos
em contágio
a-braço



Samba

ouriço
em  grito
porque só sabemos  tango
(que não é argentino)
mas é o bolero
a que assistimos
do alto do monte pálido
de São Francisco
que risca-e-pisca:
tiquidundundun tiquidundundundundun
- e, assim, nos fantasiamos:
Margarida e Eurico
em flor
 amor  temor  ardor
tiquidundundun tiquidundundundundun



(S)em ti

Reconheço-te
em mim
e no teu silêncio
brinco de trovadora
brinco de soldado-intérprete
em pé de guerra…

Estranho-te
em ti
nesse teu profundo e longo silêncio
- pausa de nós –
e tanto nosso barulho!

Estrondosa essa tua falta



Onda na areia

Você me trouxe a infância
a doce lembrança
de ser-me
e eu te fiz esquecer
o não ser-te
e juntos
reaprendemos
a ser(mos)
até que esta onda chegou
e este onde
inquietante
agora
continuamente
questiona
quem somos?



Depois de Crediting Poetry

                                      Às mulheres da(s) minha(s) terra(s)

Crer nas palavras
existi-las
como o sol incessante
nas ondas em que dançam as flores
Afiná-las
ao destino dos tempos
agarrá-las ao último instante
em que desejamos o isso e ontem
serem sentidos nossos

é um dizer menos dizer
é fazer calar
os silêncios todos
do amanhecer ao fim dos tempos

e, só assim, ser.



Amor caracol: desdobramentos

Amor caracol é desses que a vida (um dia e outro e mais outro) toma e rememora depois na escala infame do tempo e de todas as desgraças. Amor caracol são todos os amores e mais até os desamores. É o que, ao partir, nunca parte; só abate aqui e acolá a alma em desespero. É o amor no inferno da existência, a areia que capota na estrada. Sentimento (menos) pensamento. Amor caracol é o que não está no vão da escrita, mas se aloja nas tentativas do discurso. Amor caracol é o sentimento menos o tempo todo que nos dita. Menos o tempo, qualquer que ele seja. É o disfarce que esquece de conferir a máscara que perdemos quando nos entregamos por completo. Amor caracol não é este intento, que de palavras se fantasia e nos faz perder a batalha da vida, em linguagem, linguagem, linguagem – desalento!

http://triplov.org/letras/gisele_wolkoff/psico/index.htm





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