martes, 1 de mayo de 2012

6609.- JAIME CORTESÃO





JAIME CORTESÃO 
Jaime Zuzarte Cortesão (Ançã, Cantanhede, 29 de abril de 1884—Lisboa, 14 de agosto de 1960), fue un médico, político, escritor e historiador portugués. Hijo del filólogo António Augusto Cortesão, fue hermano del historiador Armando Cortesão y padre de la renombrada ecóloga Maria Judith Zuzarte Cortesão.

Obra
A Morte da Águia (Lisboa, 1910)
A Arte e a Medicina: Antero de Quental e Sousa Martins (Coimbra, 1910)
"O Poeta Teixeira de Pascoaes" in: A Águia, 1ª série, Porto, nº 8, 1 de abril de 1911; nº 9, 1 de maio de 1911.
"A Renascença Portuguesa e o ensino da História Pátria" in: A Águia, 1ª série, nº 9, Porto, sept. de 1912
"Da 'Renascença Portuguesa' e seus intuitos" in: A Águia, 2ª série, nº 10, Porto, oct. de 1912
"As Universidades Populares", série de artigos in: A Vida Portuguesa, Porto, 1912-1914
…Daquém e Dalém Morte, contos, (Porto, 1913)
Glória Humilde, poesia, (Porto, 1914)
Cancioneiro Popular. Antologia (Porto, 1914)
Cantigas do Povo para as Escolas (Porto, 1914)
"O parasitismo e o anti-historismo. Carta a António Sérgio" in: A Vida Portuguesa, nº 18, Porto, 2 de octubre de 1914
"Teatro de Guerra", série de artigos in: O Norte, Porto, 1914
O Infante de Sagres, drama, (Porto, 1916)
"Cartilha do Povo. 1º Encontro" in: Portugal e a Guerra, Porto, 1916
"As afirmações da consciência nacional", série de artigos in: Atlântida, Lisboa, 1916
Egas Moniz, drama, (Porto, 1918)
Memórias da Grande Guerra (1916-1919) (Porto, 1919)
"A Crise Nacional" in: Seara Nova, nº 2, Lisboa, 5 de noviembre de 1921
Adão e Eva, drama, (Lisboa, 1921)
A Expedição de Pedro Álvares Cabral e o Descobrimento do Brasil (Lisboa, 1922)
Itália Azul (Rio de Janeiro; Porto, 1922)
O Teatro e a Educação Popular (Lisboa, 1922)
Divina Voluptuosidade, poesia, (Lisboa, 1923)
Intuitos da União Cívica, União Cívica. Conferências de Propaganda (Porto, 1923)
"A Reforma da Educação" in: Seara Nova, nº 25, Lisboa, julio de 1923
Do sigilo nacional sobre os Descobrimentos (Lisboa, 1924)
A Tomada e Ocupação de Ceuta (Lisboa, 1925)
Le Traité de Tordesillas et la Découvert de L'Amérique (Lisboa, 1926)
A Expansão dos Portugueses na História da Civilização (Lisboa, 1983 (1ª ed. 1930))
Os Factores Democráticos na Formação de Portugal (Lisboa, 1964 (1ª ed. 1930))
História da expansão portuguesa (Lisboa, 1993), colaboração na História de Portugal dirigida por Damião Peres, 1931-1934
Influência dos Descobrimentos Portugueses na História da Civilização (Lisboa, 1993), colaboração no vol. IV da História de Portugal dirigida por Damião Peres, 1932
"Cartas à Mocidade" in: Seara Nova, Lisboa, 1940
Missa da Meia-noite e Outros Poemas, bajo el pseudónimo de António Froes (Lisboa, 1940)
13 Cartas do cativeiro e do exílio (1940) (Lisboa, 1987)
"Relações entre a Geografia e a História do Brasil" e "Expansão territorial e povoamento do Brasil" in: História da Expansão Portuguesa no Mundo, dirigida por António Baião, Hernâni Cidade e Manuel Múrias, vol. III, Lisboa, 1940
O carácter lusitano do descobrimento do Brasil (Lisboa, 1941)
Teoria Geral dos Descobrimentos Portugueses – A Geografia e a Economia da Restauração (Lisboa, 1940)
O que o povo canta em Portugal. Trovas, Romances, Orações e Selecção Musical (Rio de Janeiro, 1942)
Cabral e as Origens do Brasil (Rio de Janeiro, 1944)
Os Descobrimentos pré-colombinos dos Portugueses (Lisboa, 1997 (1ª ed. 1947))
Eça de Queiroz e a Questão Social (Lisboa, 1949)
Os Portugueses no Descobrimento dos Estados Unidos (Lisboa, 1949)
Alexandre de Gusmão e o Tratado de Madrid (Lisboa, 1950)
Parábola Franciscana, poesia, (Lisboa, 1953)
O Sentido da Cultura em Portugal no século XIV (Lisboa, 1956)
Raposo Tavares e a Formação Territorial do Brasil (Rio de Janeiro, 1958)
A Política de Sigilo nos Descobrimentos nos Tempos do Infante D. Henrique e de D. João II (Lisboa, 1960)
"Prefácio a modo de memórias" in: O Infante de Sagres, 4ª ed., (Porto, 1960)
Os Descobrimentos Portugueses, 2 vols., (Lisboa, 1960-1962)
Introdução à História das Bandeiras, 2 vols., (Lisboa, 1964)
O Humanismo Universalista dos Portugueses (Lisboa, 1965)
História do Brasil nos Velhos Mapas (Rio de Janeiro, 1965-1971)
Portugal – A Terra e o Homem (Lisboa, 1966)



TEXTO EN ESPAÑOL
Traducción de Rodolfo Alonso


RENACIMIENTO

Nací de nuevo. ίHéme libre, al fim!
Fue por un Cielo, bien de estrellas lleno,
En prodigio de Amor, que un Ángel vino
Bajando hasta posarse a mis pies.

El beso que me dio no tuvo fin...
Me estrechó en los brazos contra el seno,
Abrió los labios susurrando... en médio
Batió las alas y si me llevó.

ίAy! ίqué dulce es  el seno que me arrulla!
ίY cómo todo es nuevo y más profundo!
Mas ya nadie de ustedes me comprende;

En un Mundo mejor yo vivo absorto,
Y pronto conocí que a ess Mundo
                   Quien va no vuelve, o, cuando vuelve, ίha muerto! 






                        A MI MADRE Y A MI TIERRA

¡A ti, oh Madre mi! con el rostro
Dolido y alumbrado de uma santa,
Todo embebido en lágrimas y Amor,
Es que a mi Alma, de rodillas, canta!
A Ti, y a mi Tierra, las dos Madres,

Que me criaron juntas en tu abrazo,
Pues ambas me trajeron en su vientre,
En el regazo ambas me acunaron.

Y tú, viento de orgullo, que em mí pasas
Rugiendo a toda hora,
Únete al polvo:
Y ahora
Que de toda mi Alma quede solo
La trémula inocência de un pequeño
ίPara que rece una oración de Gracias!
De este Paisaje eres, ίMadre!, hermana
Tan Dulce, religiosa y conmovida,
Con una parte viva en este mundo
ίY otra mayor más allá de la Vida!
Desde un rostro triste y afligido,
Como una fuente próxima a nacer,
Mucha Lágrima al hilo hás llorado
Y muchas todavia han de correr.

También la Tierra sufre en la raíces,
Que la penetran con ánsia de sorber;
En Aguas que la surcan por correr,
En simientes humildes que despiertan;
Sufren los Ríos al parir la Niebla
Los Árboles se esfuerzan por erguirse,
Y Àrboles, Ríos, Nieblas, todo sufre
Cuando les pega el látigo del Viento
O si el Sol las devora, calcinante:
Y es todo ese profundo Sufrimiento
ίPara que en un delirio ria y cante!


Furioso, oh viento, pasas por la Tierra:
Tal vez tú llores a mi Madre ahora,
Y cuando canto, para ser Poeta,
Mi Madre lloras y la Tierra llora.

La gracia de tu rostro ya es del Cielo
Participa de Dios, la Eternidad,
Y no se ve mejor estando cerca:
De la Nostalgia en el vidente arrobo,
Ojos cerrados, corazón abierto...

Tú me enseñaste a rezar, ίoh Madre!
Y  mi Tierra...: basta mirarla bien,
Lejos hasta los cerros,
Siempre álamos se vem hasta allá lejos...
ίEs el Paisaje todo en oración!

ίSólo tú podías  ser mi Madre!
Sólo tú y nadie más
Llevarme al pecho
Y leche darme en lágrimas baãnada;
Y que a estos ojos miíos le fue dado
Sólo en el mundo este lugar selecto.

Gracias, ίoh Madre mía! vengo a darte
Y a ti, buen Paisaje, también doy
ίPor mi divino gusto de cantar,
Por la más santa parte de quién soy!

Por amor de las lágrimas ardientes,
Que te cavaron arrugas en el rostro,
Por amor al cielo y al Crepúsculo,
Al Mar... a ti, Paisaje, que me abrazas,
Poeta soy y canto y lloro y rezo
Y esta oración de gracias les entrego.

Y así, oh mi Madre, mi Paisaje,
Enséñenme a crear cual las mujeres
Y cual la Tierra generosa y ruda:
ίQue sufras, mi Alma, Dolores de Parto,
Que des la sangre a los versos que hagas
Que el Sol te queme y el Viento te sacuda!

Madre Mía, Madre Mía, Mi Santa,
Y vosotras, sacras Aguas y frondas,
ίBendita seas tú entre las Mujeres,
Bendito seas tú entre los Paisajes!



Textos extraídos de la obra POETAS PORTUGUESES Y BRASILEÑOS DE LOS SIMBOLISTAS A LOS MODERNISTAS; organización y estúdio introductorio: José Augusto Seabra.  Buenos Aires: Instituto Camões; Editora Thesaurus, 2002.  472 p.








TEXTO EM PORTUGUÊS 


CANÇÃO VIOLETA

Amo o roxo. E vai que fazes?
A luz tamisas de malva
E roxa desponta a alva
Sobre a colcha de lilases.

Roxos alastram os razes.
E tu das-te nua e alva
Lírio roxo numa salva
Sobre a colcha de lilases.

Com suas pestanas pretas
As tuas pálpebras roxas
São duas grandes violetas.

E, por mais gosto da vida,
Depois que a lâmpada afrouxa,
Fez-se a alcova de ametista.








RENASCIMENTO 

                   Nasci de novo. Eis-me liberto, enfim!
                   Foi por um Céu, de estrelas todo cheio,
                   Numa visão de Amor, que um Anjo veio
                   Descendo até poisar ao pé de mim.

                   O beijo que me deu não teve fim...,
                   Apertou-me nos braços contra o seio,
                   Abriu os lábios segredando..., e a meio
                   Bateu asas e levou-me assim.

                   Ai! como é doce o seio que me embala!
                   E como tudo é novo e mais profundo!...
                   Mas já não volta, ou, quando volta, é morto!

Noutro Mundo melhor eu vivo absorto,
E logo conheci que a esse Mundo
Quem vai não volta, ou, quando volta, é morto! 

                   (A Águia, 1ª. série, 1911)








À MINHA MÃE E À MINHA TERRA

À Ti, minha Mãe que tens o rosto
Dorido e iluminado duma santa,
Todo embebido em lágrimas de Amor,
É que a minha Alma, de joelhos, canta!
A Ti, e à minha Terra, as duas Mães,

Que me criaram juntas num abraço,
Pois ambas me trouxeram no seu ventre,
Ambas me adormeceram no regaço.

E tu, vento de orgulho, que em mim passas
Rugindo a toda hora,
Une-te ao pó:
E agora
Que de toda a minha Alma fique só
A trêmula inocência dum menino
Para que eu reze uma oração de Graças!
Como és, ó mãe!, irmã desta Paisagem
Tão doce, religiosa e comovida,
Com uma parte viva neste mundo
E outra maior que é para além da Vida!
Já, por amor de mim, desses teus olhos,
Postos num rosto triste e macerado,
Como uma fonte prestes a nascer,
Muita lágrima em fio tens chorado
E muitas inda estão para correr.

Também a Terra sofre das raízes,
Que a penetram na ânsia de sugar;
Das Águas que a retalham pra correr,
Das humildes sementes a acordar;
Sofrem os Rios concebendo a Névoa
As Árvores no esforço de se erguer,
E Árvores, Rios, Névoas, tudo sofre
Quando lhes bate o láteo do Vento
Ou se o Sol as devora, calcinante:
E é todo esse profundo Sofrimento
Para que eu num delírio ria e cante!

O vento, em fúria, passa sobre a Terra:
Talvez tu chores minha Mãe agora,
E quando eu canto, para ser Poeta,
Tu choras minha Mãe e a Terra chora.

A graça do teu rosto é já do Céu
Participa de Deus, de Eternidade,
E não se vê melhor estando ao perto:
Mas no vidente enlevo da Saudade,
Olhos fechados, coração aberto...

Tu ensinaste-me a rezar, ó Mãe!
E a minha Terra...: é só olhá-la bem,
Longe até às encostas,
Vêem-se choupos sempre até além...:
É a Paisagem toda de mãos postas!

Só tu podias ser a minha Mãe,
Só tu e mais ninguém
Trazer-me ao peito
É dar-me um leite em lágrimas banhado;
E que a estes meus olhos fosse dado
Só há no mundo este lugar eleito.

Graças, ó minha Mãe!, te venho dar
E a ti, boa Paisagem, também dou
Por meu divino gosto de cantar,
Pela parte mais santa do que sou!

É por amor das lágrimas ardentes,
Que te cavaram sulcos pelo rosto,
É por amor do céu e do Sol-posto,
Do Mar... de ti, Paisagem, que me abraças,
Que eu sou Poeta e canto e choro e rezo
E que vos dou esta oração de graças.

E assim, ó minha Mãe, minha Paisagem,
Ensinai-me a criar como as mulheres
E como a Terra generosa e ruda:
Que sofras , ó minha Alma, as dores do Parto,
Que dês o sangue aos versos que fizeres
Que o sol te queime e o Vento te sacuda!

Minha Mãe, Minha Mãe, ó Minha Santa,
E vós, sagradas Águas e ramagens,
Bendita sejas tu entre as Mulheres,
Bendita seja tu entre as Paisagens! 

         (Glória Humilde, 1914)
                  









ROMANCE DO HOMEM DE BOCA FECHADA

—Quem é esse homem sombrio
Duro rosto, claro olhar,
Que cerra os dentes e a boca
Como quem não quer falar?
— Esse é o Jaime Rebelo,
Pescador, homem do mar,
Se quisesse abrir a boca,
Tinha muito que contar.

Ora ouvireis, camaradas,
Uma história de pasmar.

Passava já de ano e dia
E outro vinha de passar,
E o Rebelo não cansava
De dar guerra ao Salazar.
De dia tinha o mar alto,
De noite, luta bravia,
Pois só ama a Liberdade,
Quem dá guerra à tirania.
Passava já de ano e dia...
Mas um dia, por traição,
Caiu nas mãos dos esbirros
E foi levado à prisão.

Algemas de aço nos pulsos,
Vá de insultos ao entrar,
Palavra puxa palavra,
Começaram de falar
—Quanto sabes, seja a bem,
Seja a mal, hás de contá-lo,
— Não sou traidor, nem perjuro;
Sou homem de fé: não falo!
— Fala: ou terás o degredo,
Ou morte a fio de espada.
— Mais vale morrer com honra,
Do que vida deshonrada!

—A ver se falas ou não,
Quando posto na tortura.
—Que importam duros tormentos,
Quando a vontade é mais dura?!

Geme o peso atado ao potro
Já tinha o corpo a sangrar,
Já tinha os membros torcidos
E os tormentos a apertar,
Então o Jaime Rebelo,
Louco de dor, a arquejar,
Juntou as últimas forças
Para não ter que falar.
— Antes que fale emudeça! -
Pôs-se a gritar com voz rouca,
E, cerce, duma dentada,
Cortou a língua na boca.

A turba vil dos esbirros
Ficou na frente, assombrada,
Já da boca não saia
Mais que espuma ensanguentada!

Salazar, cuidas que o Povo
Te suporta, quando cala?
Ninguém te condena mais
Que aquela boca sem fala!

Fantasma da sua dor,
Ainda hoje custa a vê-lo;
A angústia daquelas horas
Não deixa o Jaime Rebelo.
Pescador que se fez homem
Ao vento livre do Mar,
Traz sempre aquela visão
Na sombra dura do olhar,
Sempre de boca apertada,
Como quem não quer falar.




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