viernes, 24 de junio de 2016

EDGARD BRAGA [18.891]


EDGARD BRAGA

Edgard Braga (Maceió, Brasil 10/10/1897 - Sao Paulo, 09/09/1985) fue un poeta moderno, visual y experimental, y médico, vinculado al movimiento concreto de Sao Paulo.

Obra

A Senha (1005)
Lâmpada sôbre o Alqueire (1946)
Odes (1951)
Inútil Acordar (1953)
Subúrbio Branco, 1959
Extralunário (1960)
Soma (1963)
Algo (1971)
Tatuagens, com projeto gráfico de Julio Plaza (1976)
Desbragada (1984)





ANTOLOGÍA BÁSICA CONTEMPORÁNEA 
DE LA POESÍA LATINOAMERICANA
Selección y presentación Daniel Barros
Buenos Aires: Ediciones de la flor, 1973.  



Vive           muerto         vive 
muerto      vive              muerto
                 vivo
                 vive
                 muerto
                 vive
                 muerto
                 vivo
viva           el                 muerto 

            De Soma, 1963



TÉRMINO DE LA GUERRA

Cruces.
Caminos muertos.
Siete palmos.

¡Sólo a dos passos del sauce!

La luna aparece.
Trae en el rostro
vigílias de preces:

Fantasmas de madres en el extranjero.

Son tres sueños
(juventude),
son tres ansias
(mocedad),
son tres suspiros
(vejez)
sobre el mar.

Alas perdidas:
tres caricias,
tres heridas.

Son tres almas
entre espumas;
son tres almas
ya sin vida
sobre el mar…

                        (De Lâmpada sôbre o Alqueire, 1946)



CARTA ATLÁNTICO NÚMERO 1

yo te acompañaré en el desierto,
tú me darás tus manos,
yo volveré a vestir la túnica
de la infancia, seré tu passo;
tú me darás la sonrisa de un dios,
yo seré nube, pájaro horizonte
tú, el regazo materno y el rostro inmóvil,
yo  ~ canto

                            De Subúrbio Branco, 1959











vive              morto           vive  
morto           vive             morto
                    vivo
                    vive
                    morto
                    vive
                    morto
                    vivo
viva                o                  morto 



EDGARD BRAGA

De DESBRAGADA/ org. Régis Bonvicino
São Paulo: Editora Max Lomonad, 1984


Cabe aqui pequena digressão, embora eu não queira aventurarme em interpretações críticas. Não considero concretista o trabalho de Braga, sobretudo "Algo" e "Tatuagens". Os poemas concretos, dos outros, das décadas de 50 e 60, são cuidadosamente pensados, feitos à base de um "racionalismo sensível"; já os de Braga são, digamos, casuais e inspirados: o que nele sente, pensa depois.

Augusto de Campos e Décio Pignatari, organizadores de seus três livros mais importantes *, sempre me apontaram, em papos, certo amadorismo no traço do desenho de Braga. Esse amadorismo, real, é, a meu ver, a face visível de sua opção — até certo ponto inconsciente — pela estética do provisório, que acabou funcionando como contraponto (complementar) ao racionalismo sensível da Poesia Concreta. Creio que, para Braga, a Poesia Concreta serviu como droga libertadora, que o encorajou a abandonar o passado e o verso tradicional na busca de um universo novo de formas interinas e precárias. Precariedade aqui entendida em seu duplo sentido: de coisa pouco durável, mas também rara e difícil. Ou seja: o rigor formal do concretismo evitou que os tatoemas de Braga — anteriores à onda de grafite que invadiu São Paulo — descambassem numa graforréia poética.

Rozélia insistia em me dizer que Braga era punk: rabiscos em qualquer pedaço de papel, economia de signos gráficos, utilização de material barato, truques (à Orson Welles) ao redatar, várias vezes, cópias de um só poema. O punk não deixa de ser uma tradução/diluição industrial de Dada, o movimento modelo de toda a arte do
provisório e do precário deste século. As coisas fazem sentido. Se Kurt Schwitters inventou a genial arte MERZ, Braga, forçando um pouco a barra, inventou o TATOEMA, grafite de câmera (feito para o papel, não para os muros da cidade), bricolando o verso curto, descontínuo, o desenho e a pintura de palavras na pele do poema.

(...)
Além dos poemas em si, o que especialmente me impressiona em Braga é ele ter começado a revolucionar sua poesia numa idade (60 anos) em que os poetas brasileiros costumam entregar os pontos.
*Os poemas de "Soma" foram selecionados por Augusto, Décio e Haroldo. A
diagramação é de Décio. Os tatoemas de "Algo" foram escolhidos por Augusto e Décio, que também os diagramou. Em "Tatuagens" Augusto e eu selecionamos os trabalhos e Júlio Plaza fez o projeto gráfico.
                              Régis Bonvicino
“Há poesia sim, mas não poesia tal como a elaborada a partir dessa máquina-infernal-digital que chamamos de linguagem, mas poesia a partir das pulsões e ritmos enérticorporais, que conseguem criar palimpsestos com vitalismo. É na troca do tipo-gráfico pelo topográfico que a poesia de traços-desenhos (como substitutos primários) urde a textura que indica (em todo seu frescor) o Braga. Assinatura.
Julio Plaza

De
Edgar Braga
TATUAGENS
São Paulo: Edições Invenção, 1976
Projeto gráfico: Julio Plaza
Folhas soltas  em portfolio acartonado. 



POEMA ESPELHO
Edgar Braga








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