martes, 27 de octubre de 2015

JAYRO JOSÉ XAVIER [17.290] Poeta de Brasil


JAYRO JOSÉ XAVIER

Nacido en el estado de Río de Janeiro, en 1936. Licenciado en Derecho por la Universidad Federal de Río de Janeiro, es un poeta y profesor.

Poesía: Idade do Urânio (Cátedra, 1974), Enquanto vivemos (Achiamé, 1981), Estória de uma vaquinha (Globo, 1987). Ganhou o prêmio Associação Paulista de Críticos de Arte em 1988, com o livro Ulysses: canto para ajudar um menino a atravessar a noite (Melhoramentos, 1988).




Seleçción de Walmir Ayala
Poemas publicados originalmente en la REVISTA DE CULTURA BRASILEÑA
Junio 1975 N. 39


QUINTA EPÍSTOLA

El principio del todo está en el fin,y el fin en el principio
Cuando el círculo se cierra, el círculo se reanuda. 
La última nieve se va, picada por el canto de los pájaros: es primavera
verano, otoño, invierno nuevamente. Esta es la ley de todo.
Mayor que todo: la inestable y eterna permanencia.
Los días suceden y tenemos los ojos abrasados de ponientes
y amaneceres, y el agua del río es siempre la misma y siempre otra.
La cabeza de la serpiente ha de morder eternamente el extremo de su cola.
“Todo nace y renace uma segunda vez”, dice nuestro Lucrecio a Memio.
Yo ya cante el Caos y canto la Primavera por nacer.
(Esta es la quinta epístola y también la primera.)
En verdad se aproxima el tiempo en que reunidos reunidos en la noche junto al fuego bendeciremos los dioses
y repartiremos el pan sin odio y por igual entre todos.
Hay cosas madurando en florestas subterrâneas,
rumores de vida nueva en los brotes, altas
frondas. Por todas partes los frutos se perciben, maduran...
Un río duda y avanza para el Este, donde signos de púrpura tremolan.
Pero aún no es es el tiempo de la estación amorosa іoh Fabio!,
de las rosas y los gritos consagrados a los dioses de las fiestas.
En agosto (las ninfas se fueron)
es el final del siglo; los dioses se dibujan circunspectos.
Las cosas ya no son las cosas. Las palabras se mueven
como marea entre cosas todavía impermeables
y en nuestra boca reseca aflora
sólo el sonido. Y masticamos el gusto salado del sonido.
Ninguno de nosotros probó aún la dulzura
del licor de Dionisos, coronó de laurel la frente y pulso
con su mano la ruidosa alegría de las cuerdas
cálidas de la vida.
Los días arrastran aguas pesadas de aceites y desesperación...
(Agosto, a pesar de los vientos, no es un mes propicio a la Fantasía.)
Reunidos en la sala y en el tiempo, nada nos une
sino un mismo dolor de que nada nos una, y el sentimiento que sube
tan dulce y prolongado de la flauta de Pan.
“Para Naxos”, dirás. Sí, tal vez necesitemos dirigir
hacia Naxos;
sin rémora en los ramos nada sabemos del tiempo en que los hombres
conviven en ocios claros.
(Todo tiempo de tener es tiempo de tinieblas.) 
Nada sabemos de la estación de la cosecha fraterna de las uvas.
(Todo tiempo de tener
es un tiempo de indiferencias, de té con tostadas a la tarde.)
Con la cabeza coronada de pámpanos, al bien nacido adolescente Baco encenderemos altares. Y a Baco y no a Marte dedicaremos nuestros himnos.
(Cuando el cielo se cierra, el ciclo se reanuda.)
Podemos oír casi el ahogado remo de los días en las hojas
del invierno y la luz indecisa  entre la noche y la antemañana del ser.
El sol volverá a reinar sobre el estrôncio com el tedio
y los miasmas. Y será la ciudad tan pequeña y tan clara
que las palabras serán inútiles
o tan exactas
Y en la ciudad de Apolo,
en la blanca luz de la Ciudad de Mil Puertas,
el amor será lúcido. ¡Oh Fabio!
guarda de nuevo el ardor con que extendiste por el mundo tantas heroicas empresas y retoma la delgada avena en que, exiliado de las florestas,
entonaba sus rudas canciones. Y démonos las manos por ese camino
que sube...



JAYRO JOSÉ XAVIER 

Nasceu no Estado do Rio de Janeiro, em 1936. Graduado em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro,  é poeta e professor.

Obra poética: Idade do Urânio (Cátedra, 1974), Enquanto vivemos (Achiamé, 1981), Estória de uma vaquinha (Globo, 1987). Ganhou o prêmio Associação Paulista de Críticos de Arte em 1988, com o livro Ulysses: canto para ajudar um menino a atravessar a noite (Melhoramentos, 1988).


SONETO

Passado é outro nome de memória
e é vertical no espaço, poço fundo.
Quem debruça na borda deste outubro
colhe avencas-de-maio, aqui e agora.

O que Amanhã supomos não se move
em nossa direção.  Nem vamos rumo
senão do que é presente e nos mergulha
na lembrança, e diremos ser história.

A estrada é que perpassa, não a hora.
Coevos do que fomos e seremos,
chamemos de paisagem, não de tempo,

esse fluir sem fim que nos devora
− ou chamaremos de vento, e chamaremos
os ramos destas árvores de remos. 

Poemas. 2007.




Jayro José Xavier
Enquanto vivemos
Rio de Janeiro: Achiamé,   1981.   
Ilus, de Júlio Görke.



NOTAS PARA UMA POÉTICA

Um poema se escreve sob granizo, ou nas frentes de inverno,
                   quando nos protegemos sob casamantas de zinco
Um poema se escreve quando a noite caiu e nem um fósforo
Um poema se escreve quando é preciso renascer das cinzas
                   — quando todos, para ganhar a vida, se tornaram
                   zelosos funcionários da Morte
Um poema não se escreve com a razão
Um poema se escreve com as mãos
                   com quem reza
                   como quem toma nas mãos um punhado de terra

*

TRÊS GRAFITOS

A Bolsa fechou em alta.
Nós nos fechamos em nós.
As fechaduras e os dias
onde encontrar a chave?
Assumimos um ar
barroco. Alheio e doce.
Suportamos a dor
o tédio, a hierarquia.
Na soleira da noite
caímos de joelhos
pedindo perdão.
Mas de quê? Mas a quem?


TRÊS QUARTETOS E UM CREPÚSCULO

Minha janela é um pedaço do mundo
-- um pedaço pequeno do mundo.
Minha vida sou eu debruçado na janela
gastando o peitoril, ferindo o peito.
A janela apodrece sob o sol
que se põe. Com ela apodreço e caio.
Nas janelas em frente apodrecem outros homens
como eu. Sem sonhos, nos prédios altos.
Pela boca da noite a lembrança de um bonde
me espanta os pardais. Como um velho fantasma.
E a noite cai com seu poder de síntese
sobre o que um dia foi mundo
e é, apenas, memória.



Seleção de Walmir Ayala
Poemas publicados originalmente na
REVISTA DE CULTURA BRASILEÑA
Junio 1975 N. 39

QUINTA EPÍSTOLA

O princípio de tudo está no fim, e o fim no princípio.
Quando o ciclo se fecha, o ciclo recomeça.
O último gelo se vai, bicado pelo canto dos pássaros: é primavera
verão
outono
e novamente inverno. Esta é a lei de tudo,
maior que tudo mais: a instável sempiterna permanência.
Os dias se sucedem aos dias, e os olhos temos abrasados de poentes
e nascentes, e a água do rio é sempre a mesma e sempre outra.
A cabeça da serpente há de morder externamente a extremidade da cauda.
“Tudo nasce e renasce uma segunda vez”, o nosso Lucrécio a Mêmio.
Eu, já cantei o Caos, e canto a Primavera por nascer.
(Esta é a quinta epístola e também a primeira.)
Em verdade o tempo se aproxima em que, reunidos à noite à beira do fogo
bendiremos os deuses
e o pão repartiremos sem ódio e por igual entre todos.
Há coisas amadurecendo em subterrâneas árvores,
ruídos de vida nova nos galhos, altas
frondes. Por toda parte os frutos se preparam, se arredondam...
Um rio hesita
E avança para Leste, onde os rubros acenos esvoaçam.
Mas ainda não é o princípio da estação amorável, oh Fabio
dos risos e ritos consagrados nos deuses da Festa.
Em agosto (as ninfas se foram)
é o final do ciclo: os deuses desenham circunspectos.
As coisas não são as coisas. As palavras se movem
como marés por entre coisas todavia impermeáveis
e ecoa em nossa boca, resseca
só o som. E mastigamos o gosto salgado de som.
Nenhum de nós ainda a doçura provou
do licor de Dyonisos, cingiu de louro a fronte, feriu
de sua mão a ruidosa alegria das cordas
                   cólicas da vida.
Os dias, águas arrastam pesadas de óleo e desespero...
(Agosto, embora os ventos, não é um mês propício à Fantasia.)
Reunidos na sala e no tempo, nada nos une
exceto a mesma dor de nada nos unir, e o sentimento que sobe,
longínquo e tão doce, da flauta de Pã.
“Mas para Naxos?”, dirás. Sim, talvez precisemos rumar
para Naxos
com Acetes para o estreito de Naxos, sem hera nos remos.
Nada sabemos do tempo da colheita fraterna das uvas.
(Todo o tempo de ter
É um tempo de indiferenças de chá com torradas à tarde.)
Com a cabeça coroada de pâmpanes, ao binascido adolescente Baco
Acenderemos aras. E a Baco e não a Marte entoaremos hinos.
(Quando o ciclo se fecha, o ciclo recomeça.)
Podemos quase ouvir o rumor abafado dos dias nas folhas
de inverno
e a luz indecisa entre a noite e a antemanhã do ser.
O sol voltará a reinar por sobre estrôncio, tédio,
Miasmas. E será a cidade tão pequena e tão clara
que as palavras restarão inúteis
ou as palavras tão exatas
como se cada coisa, súbito revelada, se dissesse.
E na cidade de Apolo,
Na branca luz da Cidade-de-Mil-Portas
o amor se fará lúcido. Oh Fabio
guarda de novo o ardor com que espalhaste pelo mundo tantas empresas heróicas
e retoma a delgada avena em que, egresso das florestas,
entoavas rudes canções. E nos demos as mãos por essa estrada
que sobe...



XAVIER, Jayro José.  Idade do urânio.  Apresentação de Antônio Houaiss.  Rio de Janeiro:Editora Cátedra, 1974. 70 p.  14x21 cm.   “ Jayro José Xavier “ ex. bibl. Antonio Miranda

“É tão vivo e fundo e contraditório e antagonístico espectro de indagações vitais, quero dizer, poéticas, do poeta, que dele o pouco que se poderá dizer é quer é de vocação pansófica ou pampoética. Mas com abarcar tanto em tão pouco?  ANTÔNIO HOUAISS


EU ME DEFENDO COM SINTAXE E ROSAS

Eu me defendo com sintaxe e rosas
de teorias e teocracias:
quais, por aéreas brisas, fugidias
e quais, por duros ventos, desditosas.
Com soprarem as duas, enganosas,
de trevas são as trilhas destes dias:
daí a minha espada-de-utopias
ferindo o mundo (e mote) em novas glosas.
Fará meu verso a fábula fecundo.
E, um dia, um trovador de Sagitário
o reino que habitemos mais jucundo...
Terçar armas com reis é temerário;
pior, porém, é repensar o mundo
sem alma de poeta visionário.




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