viernes, 27 de junio de 2014

LÉLIA COELHO FROTA [12.083]


LÉLIA COELHO FROTA

(Rio de Janeiro, BRASIL  1937-2010)
Escritora, , poeta, antropóloga y crítica de arte. Miembro de la Unión Brasileña de Escritores, de la Asociación Brasileña de Antropología y la Asociación Brasileña de Críticos de Arte. Es autora de libros sobre el arte y la cultura brasileña, incluyendo 
Mitopoética de 9 Artistas Brasileiros (Rio de Janeiro, Funarte, 1978), Ataíde (São Paulo, Editora Nova Fronteira, 1983), Mestre Vitalino (Editora Massangana, 1986) e Burle Marx: Paisagismo no Brasil (Câmara Brasileira do Livro/Brasiliana de Frankfurt, 1994).

Fue responsable de las representaciones brasileñas en la Bienal de Venecia en 1978 y 1988 y comisaria de Brasil en Art Contemporain Populaire, el Grand Palais (París, 1987). Recibió los premios Jabuti (Câmara Brasileira do Livro) e Olavo Bilac (Academia Brasileira de Letras) pelo livro Menino Deitado em Alfa (Editora Quíron, 1978).




TRADUCCIÓN DE
ADOVALDO FERNANDES SAMPAIO


IDILIO DE NUBES

Él hablaba de torres;
ella pensaba en nubes.
Él cruzaba los ríos,
Los fieros altiplanos,
los sabios pensamientos.
Ella, arpillera y seda,
tejía los pañales,
inicio de promesa
del que nace de un sí.
En días tan azules
la fuente deslumbrada
murmura derramando su luz
— era la brisa
Desmayada en la brisa.
Morir, morir de amor.


Extraído de la obra
VOCES FEMENINAS DE LA POESÍA BRASILEÑA
Goiânia: Editora Oriente, s.d.






ANTOLOGÍA DE POESÍA BRASILEÑA. Preparación, traducción y prólogo de Gabriel Rodríguez. Caracas: Fundación Editorial Popular de la Cultura; Fundación Editorial  El Perro y  la Rana, 2008.   437 p.  Col.  Poesía del Mundo.  Série Antologías.     Col. A.M. 


HIPÓTESIS DE MAYO

Sobre la mesa el reloj
anuncia mi tiempo
que se deshace en huecos
de afligido pensamiento.
De qué jardines me evado
de qué amores provengo
de qué enredo impreciso
se arma lo que estoy siendo
entre mis diccionarios
fragmentos de retratos
canarios resplandecientes
cortinas henchidas.
Los amigos inquietos
el silencio que aumenta
concéntrico, severo
en torno de las conversas
más allá de la ausencia
y los constantes afectos.
Residuos de paseos
por paisajes ajenos
apilados en gavetas—
cartas de amor en sus
suaves envoltorios
risas y conchillas
la voz que siempre habla
al fondo de la sonata
poemas diletantes
todos en concordancia
citando al Corazón
flanqueado de flores
céfiros sonrientes
(y los tordos lastimeros).
Las gavetas se hinchan,
lo que en ellas había
adquiere vida propia,
un sitiado encanto
y expulsa de la memoria
de la que participaba
con escasa competencia
yo, que apenas lo recuerdo.
El contenido humano
de ese dichoso espolio
palpita, y entretanto
-ojos entornados
agitar de liencillos-
invencible el sueño
se atasca en el dolor.
Sueño mayor que lo oscuro
para corromper la luz
perdurable nostalgia
de un sueño, ya no sé
por cierto, lo que sería.
Coágulo sombrío
abultándose en zona
cerrada, donde me duelo
en este mes-de-María
pensando lo que sería
de mí, en el disuelto
rumo que me puebla
sin conducir el habla
de la siempre poesía
sin revelar lo mucho
de amar que pretendía
antes de antes, no sé
por cierto lo que sería.
Más bien que completa
un circuito profundo
donde la primera imagen
(principio y acta concluida)
que todavía se refleje
es la de la joven corriendo
por la campiña, sueltos
los cabellos, y las glicinas
bajándole por los hombros
prendiéndose en la boca
primavera garrida
por el azul florentino.
En la mano derecha tenía
un rosal vivo
avecillas entonaban
campestres letanías
y por la transparencia
de su carnación
se le veía el corazón
con un solo nombre grabado
a fuego, núcleo intacto.
Corría por la campiña
fantástica, y todavía
puedo recordar que en fuga
amaba siempre, y reía.





CANCIONCILLA LIVIANA

No trates de tejer con huecos
metafísicos nuestro amor.
Él es lúdico. Y no precisa
de tu floreo sin calor.

Y ni sugieras más a tu dama,
alejandrinos con disculpa:
sólo tu perfil, incisivo y breve,
ya destruirá si queda, alguna culpa.

Yo no espero ni desespero.
Para amarte, urdiré una esquela
de más amar, que disuelva
los sinsabores de tu seducción.

Sutil es la vida, rudo el juicio
que determina mi pasaje—
enternecerme con tus indicios
mientras habitas otros paisajes.

                    (Caprichoso Desacerto)






João Sebastião
É cruzamento da linha.
Adeus verões, perfil humano,
monólitos, élitros, verdores.
A dinamite do concreto aqui
se realiza.
Bach pulveriza
todo contato terra.
Polifonicamente o órgão mói
todo humano cuidado:
aquilo que exulta e aquilo que dói.
Cuidado!
Sob o sopro ardente do arcanjo
Deixamos sem reticência o qualquer pó
para a nudez maior da claridade.





CARNAVAL

O caminhão do trio elétrico
teve que vir da Bahia
para animar as arquibancadas de aço.

Brilha
Cometa
anúncio de cigarro intergalático.

Os corações espectadores.

Frenesi, pula o trio
sob a chuva
na avenida
vazia à espera da escola
que corta
rio de luz
a massa do público paralisado
na sombra.

Turistas de nós mesmos.

Mas ainda há ainda tem
O Bloco do Barril da Rua Estela
estrela proletária do Jardim Botânico
sambando à beira das inacessíveis moradas.

         (Rio, 1970)






3. LIBERDADE

Passo pelo fio
de pérolas do Rossio:
não quero comprar flores
quero ver o rio.






8.  AMOR TIRANO

Invejável clausura
Tem o fauno da fonte
da Avenida da Liberdade.
Não sabe o que é saudade:
ele dura.






9.  PROJETO

Sim, iremos para a América do Sul
para as quadras de tênis vazias
para os parques de diversão silenciosos
movidos pelos anúncios luminosos.

         (do livro Menino deita em alfa, 1978)





UMA DOR

1.

O vento soprava árvores da esquerda.
Ao fundo, o menino tocava o violão
preso no ombro, como um pequeno navio adernado.
Uma dor
no mundo
rachava tudo fino e longe,
cinema mudo.


2.

Acordar é fechar as pálpebras.
Nossos olhos só escrevem
por cima, muito por cima.
E quando abrimos as janelas
É só o vento que está ali.

Existe uma dor
                   solta no mundo.

E eu quero deixar meu emprego, meus cabelos
                   minha família
para ir atrás dela
                   bicho com fome.
                   (do livro Brio, 1996)


Extraídos da obra FELIX, Moacir.  41 Poetas do Rio. Rio de Janeiro:  Funarte, 1998.







AMAROAMAR

Montemuro, serra,
vai, coração, erra,
esfacela-te em mágoa
nostálgica de Mozart
no antiqüíssimo quarto
de outra alta paixão
para aumentar a sede
de Deus, e seu falcão.
preza ao céu conceder-te
uma alforria leve
a resvalar na sorte
desta que se quis  pura
desta que se quis casta
e cada vez mais se afasta
da seráfica altura.
Pode ser que no escuro
se rompa a trasmontana
porta do puro amor
aorta que me leva
— sangue derramadíssimo —
ao horto felicíssimo
onde um bater de pálpebra
uma treva minúscula
seja morrer: cidade
da afinal claridade.







COMPASSO DE NERVAL

Porque sempre princesa desterrada
a viúva, a quebradiça, a desolada
a esperar a mão que me levante
e me leve e me liberte e me incorpore
a uma feudal jurisdição
onde amada, eu seja sujigada
a pesadas correntes de paixão
que liguem e me larguem
que generosamente domestiquem
minha arredia vontade de fundir-me
num amplo levantamento acompanhado —
ave ditosa que só voe no compasso
da certeza do solo do seu dono.

            (De Alma & Pétalas 1972-1974 (Onze poemas portugueses)
            parte do livro MENINO DEITADO EM ALFA (São Paulo: Edições
            Quíron; Brasília: INL, 1978).








HIPÓTESE DE MAIO

Sobre a mesa o relógio
anuncia meu tempo
que se desfaz em crivo
de aflito pensamento.
De que jardins me evado
de que amores provenho
de que enredo impreciso
se armara o que estou sendo
entre meus dicionários
fragmentos de retratos
os rútilos canários
enfunadas cortinas.
Os amigos inquietos
o silêncio a aumentar
concêntrico, severo
em torno das conversas
além da ausência,
além dos constantes afetos.
Resíduos de passeios
em paisagens alheias
empinham-se em gavetas —
cartas de amor nos seus
macios envelopes
risadas e conchinhas
a voz que fala sempre
no fundo da sonata
diletantes poemas
todos concordemente
citando o  coração
ladeado de flores
zéfiros sorridentes
(e os sabia chorosos).
As gavetas estufam
o que nelas se havia
adquire vida própria
um sitiado encanto
e expulsa da memória
de que participava
com escassa competência
eu, que leve o lembrava.
O conteúdo humano
desse ditoso espólio
palpita, e entretanto
— semicerrados olhos
agitar de cambraia —
invencível o sono
se engolfa na dolência.
Sono maior que o escuro
a corromper a luz
diuturna nostalgia
de um sonho, não sei mais
ao certo o que seria.
Coágulo sombrio
adensando-se em zona
fechada, onde me perco
neste mês-de-maria
pensando o que seria
de mim, no dissolvido
rumor que me povoa
sem conduzir à fala
da sempre poesia
sem revelar o muito
de amar que pretendia
antes de antes, não sei
ao certo o que seria.
Mas bem que perfazia
um circuito profundo
onde a primeira imagem
(início e ata finda)
que ainda se reflete
é a da jovem correndo
pela campina, soltos
cabelos, e as glicínias
a descer pelos ombros
prendendo-se na boca
primavera garrida
pelo azul florentino.
Na mão direita tinha
uma roseira viva
juritis entoavam
campestres ladainhas
e pela transparência
de sua carnação
via-se-lhe o coração
com um só nome gravado
a rubro, fulcro infenso.
Corria na campina
fantástica, e ainda
posso lembrar que em fuga
amava sempre, e ria.








FROTA, Lélia Coelho.  Brio.  Prefácio: Benedito Nunes.  Rio de Janeiro: Sette Letras, 1996. 100 p.   Ilustrações: Maria Leontina.  ISBN 85-85625-42-2   Col. A.M.



KAIPE

     a Walmir

Entrou
no hiperespaço
Alto de onda
          armou o salto.

Já não cabia
em camisa, carro, lençol, sala nem quarto.

Fiel
          à misericórdia
do jantar, da ópera, da mão escrevendo, de Cristo.

Emparedado por dentro
já não cabia no isto.

Fora, fora do filme
onde a vida
tentação estóica
pinga a conta-gotas do relógio.

Acelerava todo dia
as quatro pontes do coração
longe, longe do esbarro
que o rosto amado faz e desfaz ali
perto-da-pétala, onde respira.

Sem querer, viveu-se,
derramou-se do sangue. Preferiu
a estrela-guia do menino à sua frente
surfando entre baleias, alegria.



 
FROTA, Lélia Cordeiro.  Poesia Reunida   1956-2006.  Rio de Janeiro: Bem-Te-Vi, 2012.  526 p. 14,5x22,5 cm.  ISBN  978-85-88747-42-5  Prefácio geral de Heloisa Buarque de Holanda.  Poesia Lembrada, por Henriqueta Lisboa. Inclui: Quinze Poemas; Alados idílios; Caprichosos desacerto; Um Cordeiro, uma pomba  e uma fonte, Romance de Dom Beltrão; MENINO DEITADO EM ALFA: Apresentação Luiz Paulo Horta, Joia sofrida, por Otto Lara Resende  - Ar da alma (1975-1976), Alma e Pétalas (1972-1974). BRIO:  Ascese da linguagem, por Benedito Nunes – Brio. A pétala trincada, Dois até breves, Veneza de vista e ouvido, Duas palavras, por Alexandre Eulálio; POSFÁCIO: Improviso para Lélia, Armando Freits Filho, Bibliografia e Índice.  Capa dura revestida de tecido. Miolo em papel Polen Bold 90 g.  Design gráfico, capa e diagramação: Lúcia Nemer e Martuse Fornaciari.  Col. A.M.



AD USUM

O meu ofício é de palavras
que só estremecem ao rumor
do amor.

O meu ofício é de missão
secreta, sob a capa do ar:
lembrar.

O meu ofício desconhece
qualquer das formas de folgar:
sonhar?

No meu ofício é que se aprende
por dentro - terra e ultramar -
a olhar.

Sua alegria é de um minuto
e nada a pode compensar:
cantar.

Entre um minuto e outro perpassam
nuvens de tamanho esperar:
durar.

O meu ofício é de saber
morrer, de nas pedras gravar:
passar.

          (De Um Cordeiro, uma Pomba e uma Fonte)







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