viernes, 9 de mayo de 2014

YOLANDA MORAZZO [11.653]



Yolanda Morazzo       


Escritora. Nació en 1928, en São Vicente, Cabo Verde y murió en Lisboa el 27 Enero de 2009. Vivió durante muchos años en Portugal y Angola. Escribe poesía y relato corto. 
Su poesía, esencialmente lírico, tuvo como uno de sus temas recurrentes de la infancia Cabo Verde, concretamente a su isla natal, St. Vincent.

Su obra:

Cantico de ferro: Poesia de Intervenção (Edições Petra, 1976).[4]
Poesia completa: 1954-2004. Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2006. ISBN 978-972-27-1438-9.




(versión de Estefanía Rodero)


Barcas

En las playas
De mi infancia
Mueren barcas
Desmanteladas.

Fantasmas
De pescadores
Contrabandistas
Desaparecidos
A la deriva
No sé dónde.

Y yo soy la misma
Tengo diez años
Salto en la arena,
Empuño los remos...
Canto y sonrío...
¡Hacia el mar!
¡Hacia el mar!

Y la pobre barca
La barca triste
Cansada y fría
No se mueve.







Barcos

"Nha terra é quel piquinino
É São Vicente é que di meu"

Nas praias
Da minha infância
Morrem barcos
Desmantelados.

Fantasmas
De pescadores
Contrabandistas
Desaparecidos
Em qualquer vaga
Nem eu sei onde.

E eu sou a mesma
Tenho dez anos
Brinco na areia
Empunho os remos...
Canto e sorrio...
A embarcação
Para o mar!
É para o mar!...

E o pobre barco
O barco triste
Cansado e frio
Não se moveu...






CONTRASTE

A minha alma trema em tuas mãos
debruçada na varanda desta tarde

Silêncio da cor em teus contornos
o adeus do mar dentro de mim

Para além do ilhéu dos pássaros da ilha
o sol morre aos poucos devagar

A minha alma treme em tuas mãos
debruçada na varanda desta tarde

Vejo os barcos ao longe na baía
as lanchas negras dos trabalhadores
a torre da capitania ao lusco-fusco

Lentamente uma a uma na cidade
vão acendendo as luzes da cidade

Na fábrica de bolacha do Matos
na padaria do Jonas depois

Só no cemitério ao lado é tudo escuro...

Branqueiam ainda as campas dos mortos
e os nomes vou ler à hora do sol
mas agora fazem medo à minha infância

Em casa dos meus vizinho perto
          nh´ugénia de Sena e nhã Nê Grande
         acenderam os candeeiros de petróleo

(Cambambe, 1969)








DERROCADA

A asa de um morcego transparente
e no canto um olho descaído
de pestanas longas espreitando
o ácido viscoso da loucura
escorrendo pelos telhados do mundo

Viajante incansável do pasmo
no silêncio das órbitas vagabundas
dos mares-mortos delírio-espasmo
do cansaço mole das brisas vazias
que do nada se afirmam nas florestas
do ódio de gigantes e anões liliputianos

Blocos monolíticos tristes quedos
imagens-desespero cancerosos
miasmas-visco cobras moribundas
agonizando em convulsões de magma
lanças setas envenenadas dirigidas
ao coração das virgens e crianças

Sombra parda pálida acutilante
teu vulto de insônia transparente
bóia nas trevas flutuantes
da noite dos espiões pelas estradas
das feras que matam as ovelhas
e apunhalam pastores no caminho

Sombra feroz invernal medonha
destroços e cadáveres pútridos
sugando o seio das madonas
e acalentando monstros nas cavernas
pelas horas taciturnas do medo dos teus passos.

(Luanda, 1977)



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