viernes, 21 de marzo de 2014

OSVALDO ORICO [11.303]



OSVALDO ORICO

Osvaldo Orico, profesor, diplomático, poeta, cuentista, novelista, biógrafo y ensayista, nació en Belém, el 29 de diciembre de 1900, y falleció en Rio de Janeiro, el 19 de febrero de 1981.

Bibliografia

Obras: Dança dos pirilampos, poesia (1923); Coroa dos humildes, poesia (1924); Arte de esquecer, ensaio (1927); Grinalda, poesia (1928); O melhor meio de disseminar o ensino primário no Brasil, ensaio (1928); Vida de José de Alencar, biografia (1929); Contos e lendas do Brasil, folclore (1929); Mitos ameríndios, folclore (1929); O demônio da Regência, ensaio (1930); O tigre da Abolição, biografia (1931); Evaristo da Veiga e sua época, biografia (1931); O Condestável do Império, biografia (1933); Contos da Mãe Preta (estórias do folclore adaptadas à leitura das crianças), s.d.; Histórias de Pai João (estórias do folclore adaptadas à leitura de crianças), s.d.; Viagem de Papá Noel, conto (1934); Mãe da Lua, folclore (1934); Silveira Martins e sua época, biografia (1935); Vocabulário de crendices amazônicas, folclore (1937); Seiva, romance (1937); Vinha do Senhor, contos (1939); A saudade brasileira, estudo (1940); Joana Maluca, contos (1940); Mundo ajoelhado, contos (1942); Da forja à Academia, memórias (1954); Brasil, capital Brasília, edição trilíngüe: em português, francês e inglês (1950); Feitiço do Rio, poesias, edição bilíngüe: em português e francês (1958); Marabaxo, contos (1960); Rui, o mito e o mico. Réplica à obra da calúnia (1965); Grãos da sabedoria, ensaio (1965); Cozinha amazônica: uma autobiografia do paladar (1972); Don Juan ou o demônio do sexo, ensaio (1973); O feiticeiro de São Borja: o fino da bossa no humor de Getúlio Vargas, biografia (1976); José de Alencar. Patriarca do romance brasileiro, ensaio (1977; 2a ed., revista, de Vida de José de Alencar.); Camões e Cervantes: semelhanças da vida e dessemelhanças da obra, ensaio (1980).




Recobrando la tradición ibérica de los escriores bilíngües, Oswaldo Orico ha transmitido directamente al castellano la inspiración que dictó esta precisa “Ruta sentimental de la ciudad de Rio de Janeiro”. Todas las grandes virtudes de la lírica peninsular está mezcladas y armoniosamente distribuidas en estos poemas de corte clásico, en los que uno de los más grandes poetas y pensadores del habla luso-brasileña canta en nuestro idioma la primorosa arquitectura de su metrópoli. 

Revista Hoy, Buenos Aires.

Obra escrita en 1944. Textos extraídos de una caprichosa edição bilíngüe, a partir das traduções ao português por Élio Monnerat Sólon de Pontes (Niterói: Muiraquitã, 2005).

OSVALDO ORICO
Autor: João Barcelos: www.joaobarcelos.com.br/paisagens1.htm





LA PLAZUELA DEL BOTICARIO

Arboles. Quietud. Tranquilidad.
Aquí no llega el ruído de la esquina,
Y parece que existe una cortina,
Separando una edad de la otra edad.

Es el silencio, el alma, la sordina,
La cuna llena de hospitalidad
En que viene a acostarse la ciudad,
Recordando sus tiempos de menina.

Para divino alivio de suas males,
Nada como estos viejos arrabales
Que hablan de un tiempo lírico, hechicero,

En que dedos liliales de una mano
Recorrían las teclas de un piano
Bajo la luz de viejo candelero.





O LARGO DO BOTICÁRIO

            Trad. de Élio Monnerat Sólon de Pontes

Árvores. Sossego. Tranquilidade.
Aqui não chega o rumor da esquina,
E parece que existe uma cortina,
Separando dois tempos da cidade.

É o silêncio, a alma, a surdina,
O berço pleno de hospitalidade
No qual vem abrigar-se esta cidade,
Recordando seus tempos de menina...

Para o divino alívio dos seus males,
Nada como estes velhos arrabaldes
Que falam de um lirismo feiticeiro,

Em que os dedos de luz de sua mão
Tangiam um piano, com emoção.
Usando um candelabro por luzeiro. 






LA CASCADITA

Es posible que otrora en el rincón
por donde se despeña esta cascada,
Se hubiera despeñado un corazón
Eligiendo tal sitio por morada.

La verdad es que existe uma creación,
(historieta de amor  o cuento de hada)
de la cual resta apenas un filón
de agua fresca batida, abandonada.

Ella guarda la gracia primitiva,
que convierte la gruta em obra viva,
en que el agua corriendo en las escamas,

a los ojos extáticos desata
su manto de cristal bajo la mata
y su velo de novia entre las ramas.





A CASCATINHA

            Trad. de Élio Monnerat Sólon de Pontes


É possível que outrora no rincão
Por onde se despenha esta cascata,
Se tenha despencado um coração,
Escolhendo tal sítio por morada.

A verdade é que existe uma versão,
(Historinha de amor, conto de fada)
Da qual resta somente um filão
De água fresca, batida, abandonada.

Ela conserva a graça primitiva,
Que converte a gruta em obra viva,
Em que a água correndo sobre escamas,

Aos nossos olhos estáticos desata
Seu manto de cristal em plena mata
E seu véu de noiva entre as ramas.






Do livro Poesia do Grão-Pará (Rio, Graphia, 2001, seleção e notas de Olga Savary)


(SEM TÍTULO)

Belém da minha infância descuidada
De manhãs de ouro e noites feiticeiras,
Risonha e maternal, toda plantada
De frondosas e altíssimas mangueiras.
Cidade-bosque, lírica morada
De árvores colossais e hospitaleiras,
Estendida na mata e debruçada
Sobre o colo oscilante das baleeiras.
Cartão postal de minha mocidade,
Cada trecho que vejo é uma saudade
Que me recorda a terra onde nasci.
Longe de ti, nos braços eu te aperto,
E, vivendo distante, vivo perto,
Porque minha saudade vive aqui.






O FERREIRO

Nunca pude esquecê-lo. Forte e belo,
aos olhos da saudade ele retorna,
desferindo, com o peso do martelo,
as sonoras pancadas na bigorna.
E quando, levantando as mãos, trabalha,
vejo no seu trabalho matutino
o aço corar de medo, na fornalha,
e o ferro obedecer como um menino.
E, na forja, o carvão, áspero e bruto,
soprando por um hálito possante,
trocar a negra túnica de luto
por fugitivas chispas de diamante.
Ao pé do fogo, olhando-te, altaneiro,
uma pequena testemunha havia
que te ajudava, ó velho e bom ferreiro,
a ganhar o teu pão de cada dia.
Hoje são mudos a bigorna e o malho,
o ferro não tem sopro nem tem brilho,
mas a vontade santa do trabalho
canta na alma e no sangue de teu filho.
Chama de amor, humílima e opulenta,
vindo com ela, vou para onde vai.
É a têmpera da luz que me alimenta
e que eu trago da forja de meu pai.







GRINALDA

(fragmentos)

II

E levo as mãos ao céu de onde me vem a claridade.
O dia brinca nos meus olhos.
A manhã, cheia de sol, está vestida de festa.
Parece que vai passear depois da chuva de ontem,
parece;
porque há lindos frutos entre as folhas do pomar
e o jardim ali está todo vestido de rosas.
Passarinhos estão anunciando que ela vai sair,
e vão correndo atrás, sacudindo o guizo das gargantas,
e vão correndo alegres, porque ela vai sair;
vai linda, com o seu vestido claro de primavera,
todo bordado a rosas, com um decote de aromas novos.


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