martes, 18 de junio de 2013

DALILA TELES VERAS [10.110]


DALILA TELES VERAS

Delilah (Isabel Agrela) Teles Veras, Natural de Funchal, Madeira, Portugal, (1946), vive en Brasil desde 1957.
Autor de varios libros, géneros de poesía, crónicas y "minucias" un diario literario de 1999. Colabora regularmente (crónicas, ensayos y textos literarios) en los periódicos y revistas de Brasil y del exterior.
Está afiliada a la Unión Brasileña de Escritores, SP, entidad en la que ocupó el cargo de secretaria general, directora y miembro del Consejo durante los gobiernos de 1986 a 1988, 1990/92 y 1994/96.
Vice-Presidenta del Instituto de Fernando Pessoa, en São Paulo.
Co-fundadora del Grupo Livrespaço Poesía (1983-1994) de intensa actividad en la difusión de la poesía y co-editora de la revista literaria livres paço, ganadora del Premio APCA - Asociación Paulista de Críticos de Arte, como la mejor realización Cultural 1993.





Soledades

Los hombres vivimos juntos, 
pero cada uno se muere solo 
y la muerte es la suprema soledad. 
Miguel de Unamuno


Me decías 
:
-no quiero, 
mas cualquier día
tendré que partir

Intuías 
:
la proximidad
la soledad en el viaje
sin acompañante

Temías
:
del parto, sabías
(contabas)
de muerte, misterio
(callabas)

Parto y muerte
(soledades similares)
:
principio, ambas.

Traducción: Margarita lo Russo
(De: Retratos Falhados – 2008)






Solidões

Los hombres vivimos juntos, 
pero cada uno se muere solo 
y la muerte es la suprema soledad. 
Miguel de Unamuno


Dizias-me
:
– não quero,
mas qualquer dia
terei que partir

Intuías
:
a proximidade
a solidão da viagem 
a dispensa de acompanhante

Temias
:
do parto, sabias
(contavas)
da morte, mistério
(calavas)

Parto e morte
(solidões assemelhadas)
:
origem, ambos.





Do amor e seus silêncios 

No destempero e ardências 
da fúria inaugural 
a palavra sem proveito 
(verbalização de corpos) 

No rito já maturado 
do caminho reconhecido 
a muda comunhão 
(frêmito de carne e espírito) 

Urgências mitigadas 
os silêncios primordiais 
já agora interpretáveis 
(epifania outonal) 






Memória

Em meu dedo
o teu dedal

(tento, mãe
costurar tua memória
prender-te ao que me resta)

Incertos pontos
que a vista embaçada
não deixa urdir





Pensamentos luxuriosos

                                   Ver-te.Tocar-te.Que fulgor de máscaras.
Hilda Hilst


Pensava nele
quando a seda do vestido
tocou-lhe as coxas
eriçando-lhe os pêlos
(asas a roçar o espírito
tocha a incendiar a carne)

Pensava nele

quando a voz de Maria Callas
alcançou a nota mais aguda
- L'atra notte in fondo al mare –
invocando Mefistofele
(setas fálicas a zumbir junto aos ouvidos
aromas de sândalo a embebedar os sentidos)

De tanto nele pensar
Devorou a si própria
luxuriosamente
(espírito só carne)






Dias de ira

Ira furor brevis est
Horácio

No furor mais insano
dos ardores intensos
a marca da traição
: revoltos sentidos

Nos braços da ira
a lava das palavras
tatua impropérios
: inesperada queimadura

(por fim)

Compaixão e ungüentos
compressas frias
gestos de paz
: ardências já cinzas


Extraídos de RETRATOS FALHADOS (São Paulo: Escrituras, 2008). 
Exemplar doado por Aricy Curvello para a Biblioteca Nacional de Brasília.





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