lunes, 7 de mayo de 2012

6725.- MAIARA GOUVEIA


Maiara Gouveia (São Paulo, BRASIL  1983). Poeta. Sus poemas y artículos sobre el cine y la literatura se encuentran en diferentes sitios de Internet, revistas y periódicos. En 2006 fue finalista del Premio Nascente, con el poemario El silencio encantado, el cual ha sido modificado y hoy se llama Pleno desierto. Mantiene el blog A Certeza de Fazer o Mal (http://maiaragouveia.blogspot.com).






Migrar

Matrimonio de vocales: nada ahora.
Queda la distancia entre el cuerpo y la palabra.
Ni la marca del sol o de la zarza.
Faros de color azul en la memoria, y nada más.

Más allá del mar, el tiempo no devora.

Gaviotas se zambullen sin regresar al cuadro.
Ningún nombre persiste a no ser el enigma: migrar siempre.
Y esta noche es todo lo que tenemos.

Todas las palabras son precarias: flor, pauta de las aves, rosa clara.
No permanece ningún rastrillo, apenas la herida abierta.
Sus momentos de amor, el sudor y el tacto, la ensenada.
La soledad no une. Todo nos separa.



Más allá del mar

Negro, mi espíritu recuerda el largo exilio.
El golpe de sol no cambia esta noche, mi piel.
Todo nombre es grave y transfigura.
Sólo puedo ofrecer esta noche, y nada más.

La muerte estalla en cada verso. Desnudez necesaria.
Y sólo puedo ofrecer esto: el sueño primitivo de los cuerpos sin busca.
La congoja.
Renuncio al amor, pues soy precaria.

Otros amantes esparcen gemidos por la casa.
Todos ellos son comunes en sus homicidios y medias verdades.
Una vez se ha dicho: es para siempre. Al mediodía, una vez y basta.
El espejo siempre nos muestra lo que nos falta.

Incluso el paisaje sucumbe en sus vocablos.
Es bello naufragar entre mis labios.
Renuncio a ti, amor, pues soy precaria.
Más allá del mar, un país sin nombre me aguarda.



Marca de los orígenes

Dios despeja su ira: el Cuerpo.
Y la vida está abierta y todo es posible.
Tú abandonas su fuerza en mi espalda,
y la marca de los orígenes
viene a herir mi piel que suavemente brilla.

Yo no soy solamente el cuerpo ni sólo cuerpo me habita.
Soy lo que mueve el mundo y su canto,
alma que va más allá del sueño de las partículas:
penetra más hondo para sentirla.

Dioses bárbaros pueblan las costillas.
Sirenas minúsculas sumergidas en la vagina.
La congoja de Dios, océano:
azul-verde mariposa que se debate infinita.

Sus músculos, la cara, un coágulo
pescado bajo del útero: la flor carnívora.
Soy de nuevo el cuerpo y más allá del cuerpo
el alma de las partículas:
                       Penetra más hondo para sentirla.



Otra vez el cuerpo

El fruto de la bondad
no explotó en el suelo rudo.
Somos el Cuerpo y otra vez el cuerpo.
Animal divino que saquea y hiere,
cubre de lirios ese vientre estrangulado.



Sumidero

Alrededor del cuarto
migra un cortejo de aves. No vemos
porque estamos encerrados.
Alrededor del cuarto
un barco reposa en un mar sin olas. No vemos
porque estamos partiendo.
Alrededor del cuarto
ballenas abiertas y peces muertos cubren la ensenada. No vemos
porque estamos sangrando.
Porque estamos solos no vemos
suicidas engolfados en las branquias tóxicas
de los bancos de peces. No vemos
la solitaria muerte de los corales. No vemos
la vacía embarcación permanecer
en el silencio del agua. No vemos:
porque estamos en la oscuridad.





No silêncio das águas

EMBEBIDA

E o nítido arranjo
dos lábios, um a um,
e o despudor de vê-los
inocentes,
desnudos num
ir e vir medonho,
embebedada duma
realidade úmida
e carnuda, a coxa nua
roça pele contra pele, o quase
encontro e desencontro
de mim dentro daquela fresta
que ora sobra, ora se insinua
num abre e fecha; as pernas
embaraçadas sob a mesa,
a sombra trêmula
dos pés no chão, o torso
dele na camisa
entreaberta, a cabeleira
em caracol evoca
a noite estrelada
em Holanda brilhante
e turbulenta,
e o deleite ainda evola
feito de um gole de absinto.



SUSPIRO VERMELHO

I

Mulheres que saem da sua pele
retiram dos seios
vultos dilacerados
afogam os dedos
no fundo da carne

Mulheres que saltam dos seus poros
esvaem das veias

desfalecidas
as línguas estiradas
sob um suspiro vermelho


II

Verter amor na sede. Ferida no mar.
Cicatriz. A onda rude que me abate.
Ou não haver margem
para escapar.

Pleno deserto. Há flores de sangue.
Corolas. Mulheres líquidas
que esvaem.






DA ARTE DE SEDUZIR

EM DETALHES

perfumar o corpo jasmim
      e sândalo nos ombros nus
a cabeleira em desalinho
      se derramando a meia-taça
da peça íntima escolhida
      previamente exibe o contorno
robusto um decote preciso
      valoriza o colo e os seios
insinua o torneio das pernas
      na meia-calça cor de noite
o vestido justo elegância
      na curva dos cílios na sombra
dos olhos a prata dos brincos
      de argolas num salto a sandália
brilhando a fivela dourada
      destacando a graça singela
e espantosa dos tornozelos.



ATÉ QUE SE APAGUE A CENTELHA DA NOITE

Me bate. A centelha da noite
fincou sua estrela bendita na carne.
Me bate. Me bate.
Até que se apague
a centelha da noite
e o brilho da morte
seja maior do que a estrela
perdida na carne.



NO SUMIDOURO

Ao redor do quarto
migra um cortejo de aves. Não vemos
pois estamos fechados.

Ao redor do quarto
      um barco repousa em um mar sem ondas. Não vemos
pois estamos partindo.

Ao redor do quarto
baleias abertas e peixes mortos cobrem a angra. Não vemos
pois estamos sangrando.

Porque estamos sozinhos não vemos
suicidas engolfados nas brânquias tóxicas
dos cardumes. Não vemos

a morte solitária dos corais. Não vemos
a embarcação vazia permanecer
no silêncio das águas. Não vemos:

      pois estamos no escuro.



A MARCA DAS ORIGENS

Deus despeja sua ira: o Corpo.
E toda vida se abre e tudo é possível.
Você abandona sua força no meu dorso,
e a marca das origens
vem ferir suavemente minha pele que brilha.

Não sou só o corpo nem só o corpo me habita.
Sou o que move o mundo e o seu canto,
o que me faz mulher e a sua fibra masculina;
alma que ultrapassa o sonho das partículas:
penetra mais fundo para senti-la.

Deuses bárbaros povoam as costelas.
Sereias minúsculas mergulhadas na vagina.
A mágoa de deus, oceano:
borboleta verde-azul que se debate infinita.

Seus músculos, o rosto, um coágulo
peixes sob o útero: a flor carnívora.
Sou novamente o corpo e além do corpo
a alma das partículas:
— Penetra mais fundo para senti-la.



A MORTE CANTA. O CORPO SONHA.

Horas em chamas
Bebe a chama escura das horas,
o sangue do tempo.
Deita na sombra que estiola
no corpo sedento.

Cada segundo é uma porta aberta
Vejo seu dorso.
Quero tapar todas as frestas.
Mas você foge entre os dedos, nos seios,
no meio das pernas.

Enquanto a morte canta
Esse sopro de gelo na espinha é a morte que canta:
Não se retém o amor na concha das mãos.
Não se retém.
O amor, não se retém. Fica.
Enquanto puder.

O corpo sonha
Não vive a despedida com afinco.
Mas suga o primeiro pasmo até a última gota.

Há tanto mistério a ser capturado em pleno dia.
Há tanta noite umedecida no sonho do corpo.

De Pleno Deserto (inédito)



[SOL ARRUINADO]

Sol arruinado. Cabeça triturada dentro de uma flor.
Cerca nosso corpo o silêncio
das palavras destruídas.

Dos destroços vem a musa.
Sibila: da face da morte.
E a sombra do corpo se expande.
Cicia: cede ao apelo.
E rasga o poema um filete de sangue.
Exige: avança.
E surgem cães de caça nos olhos do crânio.

Na pele, pedaços de sol escurecido: deleite
manchado pela angústia. Dos cacos,
poder recompor a face dos anjos.
Mas da máscara à deriva, inundação.
Pilhas de mortos no fundo do olho.
Poeira de cães num lago de sangue.

Ela grita: cessa tudo.
E acende uma vela no meio da sombra.



[PORQUE ADENTRO A MANHÃ]

Porque adentro a manhã estupidamente clara, posso ver o desvão
onde a madrugada vomita os vivos como mortos.
Vagueiam. E têm a face sem assombro.

Ergueram paredes ao redor da noite.
Ergueram muros, dividiram
o homem.
Mataram o espírito. Dissecaram a carne.
E o homem ficou nítido e exato: perna e cabeça
distantes do tronco.

E em cada fenda, em cada flanco
a sombra de um deus esquartejado.
Onde cada vértebra,
cada veia aberta
canta.

Mas não há como voltar
ao íntimo do escuro.
Não há como escalar
as vísceras e o sangue.
Não há como chegar
ao mais fundo do poço.
Onde o medo e a morte
também cantam.

De Divino Canto (inédito)









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