martes, 10 de noviembre de 2015

GOULART GOMES [17.442] Poeta de Brasil


Goulart Gomes 

(Salvador, Bahia, 01/05/1965) es licenciado en Administración de Empresas, Especialista en Literatura Brasileña (UCSAL) y graduado en Comunicación Integrada (ESPM-RJ). Creador del lenguaje poético Poetrix y uno de los fundadores del Grupo Cultural PÓRTICO. 

Libros publicados: Anda Luz (1987), TodoDesejo (1990), Sob a Pele (1994), Trix, Poemetos Tropi-kais (1999), LinguaJá, oTerritório Inimigo (2000), Esfinge Lunar e Outros Enigmas (2001), poesias, apeça teatral A Greve Geral (1997), o cordel  A Divina Comédia (1989), Todo Tipode Gente, contos (2003) e Matrix Revelations – Tudo o que Você Queria Sabersobre o Filme, ensaio (2005).


Traducciones de Gabriel Solis 


BATALLA FINAL

Si mañana me condenan a muerte
o si el Halley besa ávidamente la Tierra
quiero ver por último el brillo de tus ojos.

Cuando la playa invada mi huerto
y el magma se derrame en mi sala
inhalaré profundamente tus cabellos.

Cuando la lava del Vesubio y
el suspiro de los vendavales
asomen en mi calle,
será en tu pecho que estaré reclinado
(des)esperando el último momento.

Aunque toda la sal de los océanos
y toda la tierra de las montañas
aterricen en mi techo,
sólo tus labios enterrarán mi cuerpo.

Los tanques grises del Tío Sam estacionarán
en el Abaeté
y herirán el faro con sus puñales
pero yo estaré acostado
encima, abajo, bajo, sobre, al lado
en ti, de cualquier manera,
cuando todos se vayan, proyectil indetonado.

Y cuando los patriots y exocets deshagan mis nubes
no habrá día siguiente:
estaré en la tumba de tus brazos
explotando en millones de átomos, desintegrándome:
el último soldado desconocido ...



ELEGíA

Hoy eres shangai-lá
deseo de todo lo que no hubo
por miedo, cobardía
o ganas de negar
por destino, ironía
ciudad vacía, torre de marfil
aquí

fuiste Taj Mahal
en la madrugada sonrisal
un brillante girasol
a la luz de la luna;
tú eras desnuda
estatua de cristal
Madrid, desierta y linda,
era

espera ... tal vez Seul
en plena Guerra Fría!
saloon de far-west
al medio-día
bailarina de can-can
en el Moulin Rouge
tu fuiste la Bahía:
hechizo, magia
y nada más

es hoy fantasía
Colombina y Arlequín
no sabes en mí
vacío de escotilla
en nave espacial
que quedó

no eres normal
eres simplemente el todo
Navidad en pleno julio
desayuno en Carnaval
alma: esencial
amor adolescente
en lecho conyugal
más bella que mujer de treinta
eres linda
aunque distante,
aún



EMBELLECIMIENTO

Causa peligro cuando belleza es mucha
espanta, araña el suelo de desespero
asombra, simula contentamiento
porque de todo nos perdemos un poco
y queda en las cosas un olor de gente
como el embarazo de la luna
que embrutece la razón
cuanto hasta maullido de gato o grito de grulla
los ablanda
una mujer es su bulto
y lo que le cabe de intocable
de imperturbable
o cuando se renueva por las crías
remolino de belleza enloquece
hincha las arterias, pone vértigos
mejor prender el cuerpo dentro suyo
(entregarlo es cosa fea
provoca remordimiento)
y belleza supone plenitud



ALEGORíAS

Carnavales
se chocan cimitarras
y el sonido de los bajos altos
de las guitarras
máscaras que retiramos
de las hormigas, las cigarras
en estos días
todos los preludios son iguales
alegorías de alquimistas
torpes
no hay lo que decir
además de los sordos gritos
de las farsas
los saltos de las momias
y las muecas de los monos
este minuto no será
igual a aquél que va a ser
cenizas de deseos
¿lo qué quedó?



LA GRAN AUSENCIA

De mí soy sólo mitad
otra se desencuentra
en perdidos atajos
de caminos mal recorridos ...

Empapada en la fuente del pasado
y maldita en sollozos desesperados
mi meta resbaladiza
se refugia en los escombros,
hasta huye de la luz de la luna;
mi voluntad es huidiza
y mi cobardía es sombra
sobra de antigua edad,
cortina de claustros
oliendo a azufre y mirra.

Mi soledad se alimenta
de voz humana
y en metástasis contamina.
Hay derrotas presas en la pared
palabras frías que son mis trofeos.

Héroe sin glorias
de incierta historia
y mitad sin futuro.


Extraídos de POESÍA DE BRASIL, volumen 1. Org. de Aricy Curvello.
Bento Gonçalves (Brasil): Proycto Cultural Sur/Brasil, 2000.  188p.


GOULART GOMES nasceu em Salvador, Bahia, em  1 de maio de 1965. Administrador de Empresas, pós-graduado em Literatura Brasileira (UCSAL) e  em Gestão de Comunicação Integrada (ESPM-RJ). Atua na área de Comunicação Empresarial. É numismata e pesquisador de ficção científica. Fundador do Grupo Cultural Pórtico (1995) e criador da linguagem poética Poetrix (1999). Obteve 69 prêmios em concursos de poesia, prosa e festivais de música e participou de  54 coletâneas publicadas no Brasil, Cuba, Espanha, USA, Itália, França e Coréia do Sul e tem trabalhos divulgados em vários outros países. Atualmente é o Coordenador do Movimento Internacional Poetrix. Como editor alternativo propiciou a publicação de 56 livros e coletâneas de novos autores. É professor voluntário de Literatura Brasileira, no pré-vestibular social Ação Pela Educação. Publicou Linguajá (poesias); Minimal (poetrix); Todo Tipo de Gente (contos) e Vós Sois Máquinas (FC), dentre outros.



POEMA IRMÃO

Vamos erguer o tronco
meus Irmãos do Campo
arrancar nossas raízes
erguermo-nos sobre os homens
dar-lhes sombra, frutos e grãos
a terra a quem lhe rega a suor
quem da planta dos pés lhe conhece os sulcos
e com as mãos cheias
semeia

Vamos abrir as bocas e tinir as chaves
meus Irmãos das Fábricas
nossas botas e capacetes lembram lutas
onde só nosso sangue correu;
o grito agonizante das sirenes nos diz
que é hora de acordar
e não vender nossas vidas

Vamos construir nosso tempo
meus Irmãos dos Andaimes
temos uma pá de razões
e um caminhão de desesperanças;
não viemos de peito aberto, mas concreto
e se há uma massa a ser misturada
esta massa somos nós

Vamos registrar nosso número
meus Irmãos das Salas
de penas apenadas
e mostrar nosso papel
Queremos as mesas de nossas casas também fartas
arquivar nossas necessidades

Vamos caminhar, meus Irmãos de Trabalho
com nossos próprios passos
e tornar ouvida nossa Vontade;
não mais pedir, mas fazer
não mais oferecer, mas cobrar
o justo preço que tudo tem

Cada homem uma letra, uma semente, um tijolo
no trabalho maior que podemos fazer:
erigir nossos sonhos
darmos os braços
unir nossa voz
para que nossos filhos sejam muito mais
Irmãos! 



SOCORRO PRONTO

shampoo 
para queda de cabelo
aspirina para dor de cabeça
se quebrar o braço, engessa
e cachaça para dor de cotovelo

qualquer coisa serve pra virose
chama a Neosa, que é mulher de raça
se doeu, passa gelol que passa
se não resolveu, aumenta a dose

pra curar o porre, estomazil
melhoral é melhor e não faz mal
se tá enjoado, sonrisal
quer sumir, é só tomar doril

pra espinhela caída, sabiá
tá azeda? Scott em emulsão
pra vazio no peito, xarope Brandão
mas o seu mal, só eu posso curar...

agite-me, antes de usar.




REPRODUÇÃO

deles não ficou
semente, mensagem ou filhos
que vale a vida sem  continuarmos
na pretensa imortalidade do futuro?

do fruto do pecado, peco
óvulo infértil
casca grossa  de pau-d’arco

como se reproduzem as nuvens?
o vento as engravida?
ou as gotas que evaporam, as fecundam?

versos não fazem o seu papel
enquanto não são escritos
não lhes perdoo existirem...
assim como a mim mesmo




O DIA EM QUE MORREU DIADORIM

O dia em que morreu Diadorim
Todas as flores murcharam no jardim

Quatro tábuas cortadas a facão
Apregadas compuseram seu caixão

Redemoinhos se formavam no terreiro
E o vento apagava o candeeiro

Não se ouvia um pio de acauã
Labaredas arrastavam a manhã

Nem um boi mugia no curral
Nem um soluço saltava do embornal

Nem um passo, nas veredas, se ouvia
Nem a lua, que tudo alumia

Abriu seus olhos, claros, como os dela
Em cada canto da mesa uma vela

O seu corpo todo foi lavado
Pelas lágrimas de dor de Riobaldo

Todo amor, de alguma forma, tem seu fim...
O dia em que morreu Diadorim




NA LINHA DO TEMPO

eu sei que é perda de tempo
tentar lhe convencer
que o tempo não existe
se o relógio insiste
hora após hora
em bater

Einstein já falou
que tudo é relativo
e esse momento marcado
gravado, incisivo
já passou

o caminho que eu faço
em um ano-luz
você leva a vida inteira
pra fazer
mas se no seu tempo
tudo flui
quem sou eu pra desdizer?

se sob o seu olhar
tudo congela
o ponteiro dos segundos
até espera
e nada mais se faz
cessa a pressa, o alvoroço
outono vira primavera
e o velho vira moço
em frente ao espelho

no meu tempo era assim:
o caminho valia mais que o fim
e a pressa, essa
não valia nada
se queríamos a perfeição

desejo mesmo
que seja tudo pra ontem
pois assim eu voltaria
ao anteontem
pra nunca mais sair

não me venha dizer
que é urgente
nem eu
nem você
nem ninguém
vai ficar pra semente
o tempo é kairós
e quem passa por ele
somos nós

por isso só lhe peço:
daqui pra frente
dê um só passo
de cada vez
e se deixe flutuar
na fluidez
do ritmo que cada coisa tem

cada um escreve a própria história
e deixa registrado, na memória
o feito, o jeito, o fato
o gosto, o tato, o cheiro
e não as cicatrizes dos ponteiros




TEMPO IDO

Eu hoje acordei, de madrugada
Com o som da tua voz em meus ouvidos
O cheiro do teu ventre em minhas coxas
E o veneno do teu sangue em meus sentidos

Abri os olhos, e ainda em vigília
Era como não tivesse já dormido
Rolei na cama, apertei o travesseiro
Sentia todo o corpo entorpecido

Para o meu ser, ainda confundido
Estive com teu corpo em minhas mãos
Umedecia-te o clitóris entumescido!

Lamentei tudo que podíamos ter vivido
E relembrei os versos da canção:
Alguém amar-te mais que eu... duvido!





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