domingo, 25 de octubre de 2015

DARCY DAMASCENO [17.279] Poeta de Brasil


DARCY DAMASCENO

Darcy Damasceno dos Santos nació en Niteroi, Estado de Río de Janeiro, Brasil el 2 de agosto de 1922. 
Estudió Letras en la Pontificia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Escribió ensayos literarios.  Junto a Fausto Cunha y Afonso Félix de Souza, dirigió la revista “Ensayo”. Como poeta pertenece a la generación del 45, según la crítica se destaca por ser uno de los poetas líricos más expresivos. 

Obra poética:

Poemas, 1946; Fábula Serema, 1949; A Vida Breve, e O Pajem Constante, 1951; Jogral Caçurro e Outros Poemas, 1958. Traduziu O Cemitério Marinho de Paul Valéry, 1949, novamente traduzido e comentado. 1960.  



 
LUNA MARENA
 
Luna Manera, hermana de los ángeles, prostituta espléndida,
En qué otoño se aplaca el ansia de amar, de amar,
La pasión, casto fuego, la entrega leal?
Ruda amabas, como quien se iba a morir mañana
Sufrida y lúcida amabas, y en aquella primavera
Solo tu cuerpo floreció y ardió y extenuado recobraba siempre
La inocencia salvaje dei primer amor.
Amaste toda la primavera, y mayo con organillos y altas nubes
Se recostó en tu ventana cansado, agua y fuego eras tú,
deslumbrada!
 
Extraído de VISIÓN DE LA POESÍA BRASILEÑA; edición biliingue. Selección y prólogo de Thiago de Mello. Traducción de Adán Méndez. Santiago de Chile: Red Internacional del Libro, 1996. 442 p.  ISBN956-7159-92-0
Livro publicado com os auspícios da Embaixada do Brasil e do Banco do Brasil.
 
 

ANTOLOGÍA DE POESÍA BRASILEÑA. Preparación, traducción y prólogo de Gabriel Rodríguez. Caracas: Fundación Editorial Popular de la Cultura; Fundción Editorial  El Perro y la Rana, 2008.   437 p.  Col. Poesía del Mundo. Série Antologías.     Col. A.M. 

 
CANTIGA DE AMOR
 
A orillas de un río verde,
Ay, señora,
A orillas de verde río
Echó raíces mi amor.
 
A la sombra de este silencio,
Ay, señora,
a la sombra de este silencio,
Mi espera se plantó.
 
Cien años para dar sombra
A este río,
Cien años para beber
la savia de este silencio.
 
                    (Poemas)
 
 
BALADA A PALMIRA
 
Ida la vida, ¿qué nos queda?
 
Quedas tú, pájaro sobre
Cielo de exilio, castellana
Campanada, rosa afligida,
Queda la joven inclinada
Sobre la represa del crepúsculo.
 
Quedas tú, inadvertido
Otoño de cielos y aguas,
Reprimido revolotear
Contra bóvedas de olvido
Y el claro blanco y aún queda
La sonata y la voz y el grito.
 
Queda la palabra no dicha
Y suspendida de lo irreal
Queda la sala de visitas,
Tu temblor, corza rendida,
Y tu mano sorprendida
Y tu beso y la vida queda.
 
 
POEMA
 
Fue para arder solos
Curtiendo nuestra fiebre
En la sed de otra fiebre,
Que nos volvimos hombres.
 
Y para el árido cambio
En boca de oro y sal
De los labios que tocamos,
Al sentirnos barro.
 
Fue para amar el amor
Que -frío- se refracta
En nuestra alma de espejos
Que nos volvimos hombres.
 
Y para, levitados,
Entre la locura y la infancia,
Plantar lo humano y lo trágico
A los pies de la eternidad.
 
 
NUPCIAL
 
—Seré pájaro de piedra,
Grave, sobre la enramada,
Suplicante ante tu sueño leve.
 
—Yo seré la madrugada...
Seré la ventana abierta
Para tu queja silenciosa,
Espera ávida, inquieta...
 
—Yo seré en el cortinado
De tu cuarto el soplo ansioso,
Que ante los otros contuviera-
Pobre pájaro feo.        .
 
—Yo seré la que te espera...
 
 
GUITARREO
 
Alta ventana
Quien te dio vida tuviera
Otra vida y más te diera
(Fuera bella)
Fue arco de cimitarra
Y ahora se desafina
En la prima de una guitarra
(No aquélla)
Quien te dio vida te diera
Otra vida, si más tuviera
Alta ventana.
El cisne de ojos verdes, que a una loca
Enamoró con musical expresión
—De jazmines tapizada la boca,
Adorno de violeta el corazón—
El cisne aquél, simple fusión
De clásica postura y alma barroca,
Amante anocheció, variando el son;
Mudo madrugó, pues la luz sofoca
Ruegos y quejas de velludo y pluma,
Que, por nocturnos, solicitan bruma.
Igual que en Leda donde rejuvenece
La siempreviva de ausencia y pena;
Crezcan memorias y prosperen silencios,
Que nemoroso es el pecho que enmudece.
 
 
QUÉ ARTÍFICE CONCIBE
 
¿Qué artífice concibe
Qué ingenio tan divino,
Bóveda más ligera
—Cárcel de una campana
Que a proclamar el Tiempo así se atreve?
 
¿Y en ella incrusta la gema
Que de lo alto irisa la lama
Y en el cifrado lema
 
El arder de eterna llama
Advierte lo caduco de ese emblema?
 
¿Qué dístico o precepto
De irrevelada esencia
Igualmente al fuego acostumbrado
Elide la contingencia
Proponiendo a la mente la luz de atroz concepto?
 
¿Qué mirar del entendimiento
Así bajase tanto,
Que, de ceguera exento,
Subiese por el llanto,
Amando luz, campánula y memento'1.
 
                    (Trigésimas)
 


Côncavo mar, não este, mas antigo
De brancura e azul.
Libertos ventos espadanam largo
Invertido ventre,
 
Alada vida no profundo vórtice
Desprende seu vôo,
Sorvendo o mar, não este, mas também
Cobalto e pureza.
 
Côncavo azul, tão próximo da essência
Tua, e sem embargo
Campo de pássaros, pasto de ventos,
Mar contra este mar.
 
 
* * *
 
Um dia, eu e meu sonho a sós,
Eu e meu sonho.
Deitei na areia a cabeça derrotada por mares vingativos
E tormentas abatidas sobre crepúsculos macios.
No bojo de meu sonho rolava um canto de vencido,
Um mar se debatia entre as minhas mãos crispadas.
Sobre a areia eu e meu sonho, derrotados,
E sobre a vida e sobre a morte
Um céu de exílio se abateu.
 
 
* * *
 
Para a morte vivemos, e a esperança
É âncora lançada a mar sem fundo.
Onde o sonho habitou, onde a lembrança
Desferiu para trás um vôo azul,
 
Onde um canto, um calor te impulsionaram,
Teu silêncio constrói cristais agudos.
Sombra fluida repousa, horizontal,
Onde estrelas caladas se acenderam.
 
Para a morte vivemos, e a esquivança
Em teu peito enredou sargaços frios.
Onde a vida estuante foi mensagem,
 
Velhas árias nascidas com teu canto
Se transformam, se apagam, já tornadas
Ressonâncias de um mar aprisionado.
 
 
SERESTA
 
Se vou-me ao campo pelas rosas bravas,
Deixa que as traga todas, mais aquela
Que há de florir, alta e única, entre lavas
De sonhos matinais à tua janela.
 
Pelos caminhos de noturno mundo
Virei cantando, se cantando parto,
Atento à lua pelos céus sem fundo.
Deixa aberta a janela de teu quarto.
 
Trarei formosa! Aos teus jarros de prata
Súplica e rosas, nalguma hora incerta.
Dorme e sonha - se a noite é verde e nata!
Deixa a janela de teu quarto aberta.
 
 
De Jogral Caçurro e Outros Poemas,
Ed. Livros de Portugal, Rio, 1958)
 
 
 
LUNAMARENA
 
Luna Marena, irmã dos anjos, prostituta esplêndida,
Em que outono se aplaca a ânsia de amar, de amar,
A paixão, casto fogo, a entrega leal?
Rude amavas, como quem ia morrer amanhã
Sôfrega e lúcida amavas, e naquela primavera
Só teu corpo floriu e ardeu e extenuado recobrava sempre
A inocência selvagem do primeiro amor.
Amaste toda a primavera, e maio com realejos e altas nuvens
Debruçou-se à tua janela fatigado, água e fogo eras tu,
Deslumbrada!
 
 
 
O ENCONTRO
 
— Por que tremes? (A mão arde
No braço do adolescente.)
— A senhora é tão bonita!
— Mas tu só viste o meu rosto
Na sombra e só conheceste
O corpo sob o vestido...
— Parece o rosto de tia
Mariana e o corpo dela,
Quando se encostava em mim.
Me olhava às vezes nos olhos,
Alisando assim meus braços.
— Meu louco! Meu pobre louco!
— Eu então pensava coisas,
Mas depois tinha vergonha.
— Tão moço! Por que não amas
As moças de tua idade?
— A senhora é tão bonita!
— Se eu te mostrasse meu corpo,
Vai ver tu ficavas triste.
Ainda que te lembrasse
O corpo de alguma moça
Que foi tua namorada,
Ou mesmo o da tua tia
Solteirona... Mas vai ver,
Tu ficavas com vergonha...
— É igualzinho ao da tia
Mariana... com vestido...
(Queimava a boca ensaiada
No rosto do adolescente,
Como a de tia Mariana
Quando o beijava na boca.)
— Se eu já não fosse uma velha,
Tu serias meu amante.
(Tremia o moço, colado
Ao corpo de Mariana
E tremia a prostituta,
Colada ao corpo do moço.)
— A senhora é tão bonita!
— Mas também eras meu filho:
Te penteava, arrumava
Direitinho, como as mães,
E havia de Ter ciúme
Das moças que namorasses.
— Eu não tenho namorada.
— Gostas de mim, meu benzinho?
(A mão alisava as costas
E era dolorido e bom
Aquele frio na espinha.)
— A senhora é tão bonita!
— Hoje vais dormir comigo.
Vais ver meu corpo sem roupa...
— Estou com pouco dinheiro...
— Ninguém te pediu dinheiro.
Sobe comigo, se queres.
Mas em silêncio. Cuidado,
Não tropeces nos degraus.
 
 
CANÇÃO ATREVIDA  
 
Na casa em frente ( à janela 
Há flores, mas nem todo o ano) 
Morava, morou ninguém, 
  
Alto colo de cambraia 
Para lá do cortinado 
Encardido, mas aquém 
  
Do meu desejo. Ignorou-me, 
Em seu desprezo; em meu sonho, 
Outrora, foi ela quem, 
  
Felina sombra ciosa, 
Mordeu em fúrias de estio 
Os lençóis; o seu desdém, 
  
Lançou-o à rua. Consente 
Minha lembrança lembrá-la 
Na casa em frente, porém 
  
Alto colo, toda nua, 
Toda pura entre cambraias. 
Noutro tempo foi meu bem.   
 
 

DAMASCENO, Darcy.  Trigésimas (1952-67).   Rio de Janeiro: Orfeu,  1967.  37 p.  “Composto e impresso na Gráfica Olímpica Editora Ltda. Para Edições Orfeu”. Foto do poeta no frontispício. Col. A.M. 
 
De canto a canto,
Do tufo à rama obscura,
Som que na sombra mana,
Rumor difuso.
 
De mangue a mangue,
Da alga trémula ao fuste,
Um som de água levanta
E a sombra enruga.
 
Prenúncio: aos galhos
A névoa rumorosa,
Vislumbres dentre a malha
Que a alva recolhe.
 
Fosco arrepio
Buscando as aparências
— Desvãos, orla transida —
Que a luz consente.
 
De beira a beira,
Crespa-se ao sopro, o rio:
 
A pele de seus peixes,
Nesse ouro-cinza.
 
Atrás: o assomo
Do verde, a asa certeira,
Relance — atrás — das combas,
Atrás: a aroeira!
 


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