viernes, 25 de septiembre de 2015

OLGA SAVARY [17.137] Poeta de Brasil


OLGA SAVARY 

Nacida en Belem do Pará, Brasil en 1933. Escritora, poeta, cuentista, novelista, crítica y ensayista, traductora, periodista. Muchos de sus veinte libros han merecido premios, incluyendo el Jabuti de la Cámara Brasileña del Libro. Reside en Río de Janeiro.



TRADUCCIÓN Y NOTA INTRODUCTORIA DE
ADOVALDO FERNANDES SAMPAIO


Olga Savary nació en Belém, Pará, Brasil, en 1933. Hija única de padre ruso y madre brasileña, estudió en Belém, Fortaleza (Ceará) y en Rio de Janeiro. Publicó muchos poemas em diarios y revistas de Rio, Belém y Belo Horizonte, entre 1951 y 1955, firmados bajo el seudónimo de Olenka. Es considerada uno de los tres nombres femeninos más importantes de la moderna poesía brasileña. Circundada de niebla y de desvelo, su poesía se nos aparece como un vasto amanecer  urbano por cuyas desiertas esquinas se entrecruzasen, sonámbulos, los fantasmas del símbolo y de la realidad, que no se presenta como elemento decorativo sino integrada a la vida del poema. Olga se detiene en búsqueda de lo íntimo personal, desmenuzando las propias raíces. La vigilancia con el delirio que poderosamente las invade. Embriaguez que no se resiste a la exactitud del rostro de una verdad siempre elusiva y que se expresa, tensa, serenamente, en imágenes de tiempo perdido u olvidado. Libros:  Espelho Provisório (1970), Sumidouro (1977), Altaonda (1979) y Linha d´Água (1979). Excelente traductora de Pablo Neruda.



INÚTIL

Si fueras estrella
yo sería ese pedazo de cielo
que te sustenta.

Si fueras alga
yo sería esa despaciosa ola
que te acaricia muy despacio.

Si fueras un vago sonido
o tono en el fin de la tarde
yo sería ese no imaginado viento
que te desencadena.

Mas por qué pensar en ello
si te busco y no sé quién eres
si me esperas e ignoras quién soy.




EL DESEO ABSOLUTO

Crear el amado
sin la injusticia de la forma
sin el egoísmo del nombre.




NOMBRE

No eran lirios los lirios
caídos en la arena, caídos
en la arena lila de la noche
casi noche.
No eran lirios, no eran
como tu sombra, yo sé,
pero eran mucho más lírios
que los lirios. Por eso
ellos serán llamados lirios.

Extraído de la obra
VOCES FEMENINAS DE LA POESÍA BRASILEÑA
Goiânia: Editora Oriente, s.d.




SAVARY, Olga.  Retratos.   São Paulo: Massao Ohno Editor, 1989.  S.p.  16x15,5 cm.  Prefácio de Dalma Nascimento. Ilustrações: nanquins de Henri Matisse.  Capa: retratos, óleo de Kazuo Wakabayaschi. 


          PAZ

Assim tão exata
sem se assemelhar a nada
sendo vária e vaga.


LUZ, CÂMERA, AÇÃO

O poeta cria o sonho
compensando o que lhe falta
com o muito que lhe sobra.


VIDA

Palavras, antes esquecê-las
lambendo todo o sal do mar
uma única pedra.

         (do livro 100 hai-kais, 1986)



ENTRE ERÓTICA E MÍSTICA

As palavras,
Poesia, não só combato.
Durmo com elas.

(do livro 100 hai-kais, 1986)



SAVARY, Olga.  Magma. São Paulo: Massao Ohno – Roswitha Kempf Editores, 1981.  s.p.  15x22 cm.   Inclui, além de poemas, uma Biografia, bibliografia da autora e Fortuna crítica.  “Orelha” do livro por Antonio Houaiss. 



SATURNAL

Paraíso é essa boca fendida de romã
— bagos de vida,

paraíso é esse mistério de água ininterrupta
fluindo do terminal das coxas,

é a vulva possuída-possuindo
violáceo cacho de uvas,

é esse dorso de vinho navegável
atocaiado para um crime.



PELE

Um favo de mel na boca,
um torrão de sal na anca
roubam para a pele
o calor de animais
simples e vorazes, soltos
como numa catedral,

pele de asno,
pele de mel,
pele de água.



MAPA DE ESPERANÇA

Vinha pisando sobre toda a praia,
o sangue quieto — ou quase quieto —,
os pensamentos leves como espumas
e os cabelos soltos como nuvens.

Trágica como princesa de elegia,
meu estandarte é o desespero,
minha bandeira, indecisão.

Ainda assim, alegria, te festejo.

Arraial do Cabo
1971



LIMITE

Ausente e lassa, queria
estar pisando
a areia fina de Arraial do Cabo,
a areia grossa de Amaralina,
em Goiás Velho urdir a tarde
com Bernardo Elis e Cora Coralina,
farejar
cheiro de candeia por toda Ouro Preto...
mas estou presa à molduras de todos os meus retratos.

Goiás Velho
maio 1972 


         UMA CENA

         Vês acordada como em sonho
         o sonho mau tal fosse belo
         — o belo horror do real
         que nem consciência nítida
ou lúcida, clara, exata,
não como é visto sol a pino
ou através da água,
como quem vê dentro do mar
ou através de um vidro fosco,
mais, no fundo de um espelho,
não o que mostra a imagem
mas aquele que a deforma
inteiro fora de foco.




OUTRA CENA

Sentada estavas quando ele entrou
seguido de uma princesa ou uma serpente.
Só sabes que teu rosto não mudou
mas em turvo mudou-se o transparente
riso de antes, pesados os gestos.
Viraste uma mulher que acordada
e de frente vê um sonho mau
se sonho e distante já nem sente
e que já não amando é como se amasse
e, perdido o amor, é como se o tecesse.

         (do livro Éden Hades, 1994)




            NOME

         Tu, em tudo presença,
         vibrar de asa,

         eu, que nem nome tenho,
         jamais nua de água,

         tu, felicidade do corpo
         embasado em brasa,
        
         eu, sequer lembrança,
         mero eco na sala,

         tu, veneno curare
         — e eu é que me chamo naja?

                   (do livro Éden Hades, 1994)



SAVARY, Olga.  Espelho provisório. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editôra, 1970.  124 p.  14x21 cm.  Capa e retrato da autora por Scliar.  Ex. Biblioteca Nacional de Brasília.



MÃOS ESTENDIDAS

Nessa direção
da janela aberta
vem o Murundu,
o bicho-papão
metendo medo em
quem anda acordado
inda a essas horas.

Em outro lugar
cisma outra criança.
Triste é não poder
ter um outro voo
que não o poético
da imaginação
para a consolar.

E assim ficamos
entre o querer
estendendo as mãos
e deixando-as
                      cair. 


            ÁGUA ÁGUA

         Menina sublunar, afogada,
que voz de prata te embala
toda desfolhada?
Tendo como um só adorno
o anel de seus vestidos
ela própria é quem se encanta
numa canção de acalanto
presa ainda na garganta.

         (do livro Espelho provisório, 1970)



PÁSSARO

A noite não é tua
mas nos dias
—curtos demais para o vôo —
amadureces como um fruto.
Tuas  asas seguem as estações.
É tua a curvatura da terra.
Pássaro, metáfora de poeta.

         (do livro Sumidouro, 1977)




Extraídos de 41 POETAS DO RIO, org. Moacyr Félix. 
Rio de Janeiro: FUNARTE, 1998.  514 p.

OLGA SAVARY 

De
LINHA-D´ÁGUA
Prefácio de Felipe Fortuna
Desenhos de Kazuo Wakabayashi
São Paulo: Massao Ohono; Hipocampo, 1987.



DO QUE SE FALA

Em minha poesia
não é só natureza a natureza.
Ao dizer mar
não é só de mar que estou falando.
Falo do falo; o mais, pretexto
quando é à água que me rendo
no mais alto ponto do orgasmo,
no auge mais auge a que chegar se eu pude
em honra da água — mas água do corpo —
quando é à água a se alude.




MAÍUA*

Velame e quilha, proa e popa,
as velas deflagradas e da amurada
vê-se a romper as águas o madeirame.

Amo esta incerteza com que me sagras
e o belo horror do abismo: amor,
sempre o terror do ter, não tendo.

* (do tupi)  bicho do fundo do rio, boto encantado.



YRUÁIA*

Par abissal
num mar em fúria
eis-nos tangidos:
navio alado.

Amo este começo de água
lá onde és roxo
e não te escondes, te dás
sem te entregares nunca

(mas se não te entregas,
então quando?)
Amo este início de água,

água onde começas
quando em ti levanta
este levante de pássaros.

*(do tupi): canal que não seca.



SIGNO

Há tanto tempo que me entendo tua,
exilada do meu elemento de origem: ar,
não mais terra, o meu de escolha,
mas água, teu elemento, aquele
que é do amor e do amar.

Se a outro pertencia, pertenço agora a este
signo: da liquidez, do aguaceiro. E a ele
me entrego, desaguada, sem medir margens,
unindo a toda esta água do teu signo
minha água primitiva e desatada.





De
SUMIDOURO
Desenhos de Aldemir Martins
São Paulo:  Massao Ohno; João Farkas editores, 1977



TERRA

em golfadas envolvo-me toda
apagando as marcas individuais

devora-me até que eu
não respire mais.

Rio, dezembro 1974
                                               
                                                           
                                               SEXTILHA CAMONIANA

                                      Daqui dou o viver já por vivido.
                                      Quero estar quieta, sozinha agora,
                                      igual a uma cobra de cabeça chata,
                                      ficar sentada sobre os meus joelhos
                                      como alguém coagulado em outra margem.
                                      Daqui dou o viver já por vivido.

                                               Rio, 1973


                                      CERNE

                                      Nada a ver com a fonte
                                      mas com a sede

                                      Nada a ver com o repasto
                                      mas com a fome

                                      Nada a ver com o plantio
                                      mas com a semente

                                               Recife – Olinda, 11 setembro 1974





Olga Savary
De
Olga Savary
EDEN HADES
Poesia
Capa de Guita Charifker
São Paulo: Massao Ohno, 1994. 

Autora de muitos livros e antologias, Olga é também pioneira no que hoje convencionamos intitular Creative Commons... Em 1994 ela já abria seus poemas à difusão: "Permitida a reprodução dos poemas contidos neste livro desde que citados autor e fonte."



UMA CENA

Vês acordada como em sonho
o sonho mau tal fosse belo
— o belo horror do real
que nem consciência nítida
ou lúcida, clara, exata —,
não como é visto sol a pino
e sim através do fogo
ou através da água,
como quem vê dentro do mar
ou através de um vidro fosco,
mais, no fundo de um espelho,
não o que mostra a imagem
mas aquele que a deforma
inteiro fora de foco.













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