martes, 22 de septiembre de 2015

ALCEU WAMOSY [17.111] Poeta de Brasil


ALCEU WAMOSY

Alceu de Freitas Wamosy (Uruguaiana, 14 de febrero de 1895 - Santana do Livramento, 13 de septiembre de 1923) fue un periodista y poeta brasileño.

Hijo de José Afonso Wamosy, procedente de Hungría, y María de Freitas, fue un poeta simbolista. Publica su primer libro de poemas, Flâmulas, en 1913. Escribe para el periódico A Cidade, fundado por su padre en Alegrete, Rio Grande do Sul.

Adquiere en 1917 el periódico O Republicano, en el que permanece hasta su muerte. En el año de publicación de su Coroa de Sonhos, en el que efectúa su contribución única relevante para nuestra literatura ("Two Souls"), se implica con ardor en el 1923 en la Revolución, siendo herido de bala, herida que causaría su muerte.

Es Patrono de Presidencia Nº 40 de Río Grande do Academia de Letras; patrona aclamada de Feria del Libro de Porto Alegre de 1967.

Obras 

Flâmulas, 1913
Terra Virgem, 1914
Coroa de Sonhos, 1923
Poesias Completas, 1925
Poesia Completa, 1994



DOS ALMAS

Oh! Tú que vienes de lejos, tú que vienes cansada,
Pasa, y bajo este techo hallarás cariño:
Yo vivo siempre solo, yo nunca fui amado.
Tu nunca fuiste amada, y vives siempre sola.

La nieve blanquea, lividamente, el camino,
Y mi alcoba tiene la tibieza de un nido.
Pasa, siquiera hasta que las curvas del camino
Se bañen del brillo de una alborada.

Y mañana, cuando dore un sol radiante,
Ese camino sin fin, desierto, inmenso y desnudo
Puedes andar de nuevo, oh nómade preciosa!

Ya no estaré tan solo, ni tú te irás tan sola:
Quedaran conmigo nostalgias tuyas,
Tu llevaras contigo nostalgias mías.

Traducción de Adán Méndez





DUAS ALMAS

A Coelho da Costa

Ó tu, que vens de longe, ó tu, que vens cansada,
entra, e, sob este teto encontrarás carinho:
Eu nunca fui amado, e vivo tão sozinho,
vives sozinha sempre, e nunca foste amada...

A neve anda a branquear, lividamente, a estrada,
e a minha alcova tem a tepidez de um ninho.
Entra, ao menos até que as curvas do caminho
se banhem no esplendor nascente da alvorada.

E amanhã, quando a luz do sol dourar, radiosa,
essa estrada sem fim, deserta, imensa e nua,
podes partir de novo, ó nômade formosa!

Já não serei tão só, nem irás tão sozinha:
Há de ficar comigo uma saudade tua...
Hás de levar contigo uma saudade minha...




IDEALIZANDO A MORTE

Morrer por uma tarde assim como esta tarde:
Fim de dia outonal, tristonho e doloroso,
quando o lago adormece, e o vento está repouso,
e a lâmpada do sol no altar do céu não arde.

Morrer ouvindo a voz da minha mãe e a tua,
rezando a mesma prece, ao pé do mesmo santo,
vós ambas tendo o olhar estrelado de pranto,
e no rosto, e nas mãos, palidezes de lua.

Morrer com a placidez de uma flor que se corte,
com a mansidão de um sol que desce no horizonte,
sentindo a unção do vosso beijo ungir-me a fronte,
— beijo de noiva e mãe, irmanados na morte.

E morrer... E levar com a vida que se trunca,
tudo que de doçura e amargor teve a vida:
— O sonho enfermo, a glória obscura, a fé perdida,
e o segredo de amor que eu não te disse nunca!




SONHO HUMILDE

Assim te quero amar; quero adorar-te assim,
sempre de joelhos, sempre, ó mármore sagrado;
e que teu corpo ideal não seja, para mim,
mais que um horto de sonho, ou que um jardim fechado.

Em todo amor defeso há um encanto sem fim,
que o faz extreme e leal, lúcido e iluminado:
A mulher que se adora é a Torre de Marfim,
mais alta do que o mal, para além do pecado.

O amor deve viver perpetuado no sonho!
Só desejar é bom: Possuir é renunciar
à ilusão, que nos torna o desejo risonho.

Ter só teu corpo é ter um tesouro maldito;
mas, possuir-te na alma e adorar-te no olhar,
é ter o céu inteiro, é ter todo o infinito!




CÍTARA

Firo-te as cordas, cítara dormente,
Velha cítara poenta, abandonada,
Que um régio artista fez vibrar, pulsada
Pela divina mão, antigamente.

E assim, por um instante despertada,
Na mesma vibração profunda e ardente
De outrora freme, cítara dolente,
Toda a tua alma, trêmula, acordada.

Nessa maviosa música embebido,
Escuto as notas, múrmuras, chegando
Como um coro celeste, ao meu ouvido.

E eu julgo, então, sentir, no derradeiro,
No último som que morre, a alma, chorando,
Desse que as cordas te tangeu primeiro...




NOTURNO

Tu pensarás em mim, por esta noite imensa
e erma, em que tudo é um frio e um silêncio profundo?
Tu pensarás em mim? Por esta noite, enfermo,
tendo os olhos em febre e a voz cheia de sustos,
eu penso em ti, no teu amor e na promessa
muda que o teu olhar me fez e que eu espero.

(Que dor de não saber se tu pensas em mim!)

Sob a tenda da noite estrelada de outono,
que eu contemplo através os cristais da janela,
junto ao manso tepor da lâmpada que escuta
— antiga confidente — os meus sonhos e as minhas
vigílias de tormento, eu penso em ti, divina.

(E tu talvez nem te recordes deste ausente!)

Penso em ti. Penso e evoco o teu vulto adorado.
Penso nas tuas mãos — um lis de cinco pétalas —
que, em vez de sangue, têm luar dentro das veias;
nos teus olhos, que são Noturnos de Chopin
agonizando à luz de uma tarde de sonho;
na tua voz, que lembra um beijo que se esfolha.
Penso.

(E nem sei se tu também pensas em mim!)

Talvez não. No tranquilo altar da tua alcova,
onde se extingue a luz de um velho candelabro
como uma lâmpada votiva, tu adormeces
sorrindo ao Anjo fiel que as tuas pálpebras fecha
para que tu não tenhas sonhos maus.

E eu penso
em ti, sem sono, a sós, angustiado e febril,
em ti, que nem eu sei se te lembras de mim...



VIA CRUCIS

Ó calvário do Verso! Ó Gólgota da Rima!
Como eu já trago as mãos e os tristes pés sangrentos,
De te escalar, assim, nesta ânsia que me anima,
Neste ardor que me impele aos grandes sofrimentos...

Esta mágoa, esta dor, nada existe que exprima!
Sinto curvar-me o joelho a todos os momentos!
E quanto falta, Deus, para chegar lá em cima,
Onde o pranto termina e cessam os tormentos...

Mas é preciso! Sim! É preciso que eu carpa,
Que eu soluce, que eu gema e que ensangüente a escarpa,
Para esse fim chegar, onde meus olhos ponho!

Hei de ascender, subir, levando sobre os ombros,
Entre pragas, blasfêmeas, gemidos e assombros,
A eterna Cruz pesada e negra do meu Sonho!




DUENDES

Nas mudas solidões da alma da gente,
Pela noite sem termo, andam vagando
Dolorosos espectros tristemente,
Em soluçante e doloroso bando...

Uns têm o aspecto cândido, inocente,
E os olhos cheios de lágrimas, chorando.
Outros, da rebeldia impenitente,
Vão, na fúria danada, estertorando.

É toda a dor amarga que nos prosta,
Que, num cortejo fúnebre, se mostra,
- Duendes vagando na alma - sem rebouços...

São as acerbas mágoas, os gemidos
Profundos, revoltados, doloridos,
E as blasfêmeas, e as pragas, e os soluços...



Um poema erótico de Alceu Wamosy:


CARNES

Pulcras liriais, bizarramente claras,
Carnes divinas, virginais e puras,
Na ostentação de correções preclaras
E de preclaras pompas e brancuras...

Carnes que sois as sacrossantas aras,
De vagas e de ignotas formosuras...
Ó carnes esquisitas carnes, carnes raras,
De esquisitas e raras contexturas!...

Carnes dadas, sem mancha, em holocausto
Ao amor, e do amor florindo ao fausto,
Virgens da tentação, salvas do vício!

Carnes extraordinárias e perfeitas,
Eleitas para um alto gozo — eleitas
Para o prazer e para o sacrifício!...




WAMOSY, Alceu.  Flâmulas. 20 sonetos de estreia.  Porto Alegre: Edições Flama, 1973.  32 p.   “ Alceu Wamosy “  Ex. bibl. Antonio Miranda


          (com a ortografia atualizada)


ANÁTEMA

Das mulheres que amei, tu foste a mais fingida
E entre todas, talvez, a que mentiu melhor...
Eu fiz do teu amor a essência da minha vida
E o teu braço assassino apunhalou-me o amor.

À cada riso teu, promessa fementida,
Se abria na minha alma urna esperança em flor,
Para depois morrer, para morrer colhida
Com a foice do teu beijo ardente, enganador!

Mas tu, que foste falsa, has de levar na face
O estigma cruel da legenda imortal,
Que há de te assinalar, onde a tua sombra passe.

E nunca has de encontrar, errante pelo mundo,
Num peito como o meu, um outro afeto igual,
          —Assavero do amor, perpétuo vagabundo !




     (mantendo a ortografia original:_

Bocage

Pçlo teu vérso, ó pallido devasso,
Verso tecido à lagrimas e flôres,
Vou lendo na tua alma, traço a traço,
O inédito poêma das tuas dores.

Nize, tua amante, a do febril regaço,
Por quem viveste a palpitar de amores,
Anda a buscar-te, ali, com o seu abraço
E a delicia dos beijos tentadores...

E tu, mizero Elmano desgraçado.
Passas assim, como uma sombra escura,
Ao clarão do teu vèrso illuminado...

Vaes bêbedo de vinho e de desejos,
E na tua alma corrompida, impura,
Vibram estròphes e palpitam beijos!...



WAMOSY, Alceu.  Poesias:  Flamulas; Na terra virgem; Corôa de sonho. 3ª. edição.  Livramento: Edição da Livraria Brisólla, 1950.  140 p.   14,5x21,5 cm.  “ Alceu Wamosy “ Ex. bibl. Antonio Miranda

(mantendo a ortografia original)


RÈPROBO

Õ fantasma sinistro da desgraça!
Visionário, sonâmbulo, maldito,
     Que arrastas pelas sombras do infinito,
A agonia titânica da raça!

O teu vulto gigante, quando passa,
Traz no exterior ciclópico do grito,
Toda a fúria sombria do Cocyto,
Toda a insânia que as almas despedaça!

Que destino fatal teus passos leva?
Que procuras, vagabundo, alma de treva,
Peia noite dos séculos, a esmo!

De onde vens? Quem tu és? Importa pouco!
Talvez sejas Ahasvéro, errante e louco,
Perdido na inconsciência de si mesmo ...


http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/rio_grade_sul/alceu_wamosy.html






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