miércoles, 4 de marzo de 2015

ODYLO COSTA [15.140] Poeta de Brasil


ODYLO COSTA, filho 

Odylo Costa, hijo (San Luis, Brasil  14 de diciembre de 1914 - Río de Janeiro, 19 de agosto de 1979) fue un periodista, columnista, novelista y poeta brasileño, miembro de la Academia Brasileña de Letras.

Obras 

Graça Aranha e outros ensaios (1934)
Livro de poemas de 1935, poesia, em colaboração com Henrique Carstens (1936)
Distrito da confusão, crônicas (1945)
A faca e o rio, novela (1965)
Tempo de Lisboa e outros poemas, poesia (1966)
Maranhão: São Luís e Alcântara (1971)
Cantiga incompleta, poesia (1971)
Os bichos do céu, poesia (1972)
Notícias de amor, poesia (1974)
Fagundes Varela, nosso desgraçado irmão, ensaio (1975)
Boca da noite, poesia (1979)
Um solo amor, antologia poética (1979)
Meus meninos e outros meninos, artigos (1981).



TEXTOS EM PORTUGUÊS / TEXTOS EN ESPAÑOL
Traducciones de Homero Icaza Sánchez y Estela dos Santos




COSTA, FILHO, Odylo.   Poesia completa.  Edição preparada por Virgílio Costa.  Rio de Janeiro: Aeroplano: Fundação Biblioteca Nacional, 2010.   568 p.  


"Na verdade, Odylo é como se vestisse roupa de menino em corpo de adulto, é um poeta contumaz e geral, e sabe tirar do soneto uma sutil modulação em que se casam o gosto moderno e o clássico." CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

Finamente, um alentado volume de 568 p. com a poesia completa deste importante poeta maranhense,  que chegou a Academia Brasileira de Letras. Publicou 8 títulos, cujos poemas foram revisados e reunidos num volume bem cuidado, com o aval da  Fundação Biblioteca Nacional e apoio do Instituto  que leva o nome do poeta.  As palavras de Drummond bastam para apresentar um autor consagrado pela crítica. 




ORACIÓN

Dios mio, ten pena
de lo que sobra en mí:
ni es feo el mundo,
ni la vida ruín.

Dios mío, dame fuerzas
para amar mi suerte:
tornar luz de vida
las sombras de muerte. 



REZA

Meu Deus, tende pena
do que resta em mim:
nem o mundo é feio,
nem a vida, ruim.

Meu Deus, dai-me força
de amar minha sorte:
fazer luz de vida
das trevas da morte.




GLOSA A LOPE DE VEGA

    “… nos olhos me levais alma e sentidos…”
                              Luís de Camões

“Dos libros, tres pinturas, cuatro flores”,
pedía Lope para ser feliz.
No habló de riquezas ni de amores.
Eso poco de pobre —no más—quiso.

Castos delirios de español asceta…
Pasaron cuatro siglos y un día
Gabriel Celaya, también gran poeta,
juró por Dios que nada más quería.

Mas tenemos padre, maestro y capitán,
en el soldado valiente que dijo
a unos ojos entregar alma y sentidos.

De nada tenemos necesidad.
¡Libros, cuadros y flores, qué locura!
Bástanos ser de un solo Amor provistos.




GLOSA DE LOPE DE VEGA

    “… nos olhos me levais alma e sentidos…”
                              Luís de Camões

“Dos libros, três pinturas, cuatro flores”,
pedia Lope para ser feliz:
Não falou de riquezas nem de amores.
Esse pouco de pobre —não mais—quis.

Castos delírios de espanhol asceta...
Passaram quatro séculos, e um dia
Gabriel Celaya, também grande poeta,
jurou por Deus que nada mais queria.

Temos, porém, pai, mestre e capitão,
no soldado fortíssimo, que disse
a uns olhos entregar alma e sentidos.

De coisa alguma havemos precisão.
Livros, quadros e flores, que doidice!
Basta-nos ser de um só Amor providos.



ANTIGUAMENTE

Antiguamente no creía en el otro mundo.
Por lo menos tenía mis dudas.
Pensaba en él como categoría abstracta
presencia (o ausencia) de amor
innominado
etéreo
tal vez terrible.

Hoy creo simplemente en otro mundo
parecido a éste:
sillas, mesa, vaso de agua,
y de nuevo tus manos, tus cartas:
“Mis queridos…”



ANTIGAMENTE

Antigamente não acreditava no outro mundo.
Pelo menos tinha minhas dúvidas.
Pensava nele como categoria abstrata
presença (ou ausência) de amor
inominado
etéreo
talvez terrível.

Hoje creio simplesmente num outro mundo
parecido com este:
cadeiras, mesa, copo d´água,
e de novo tuas mãos, tuas cartas:
“Meus queridos...”




SONETO DEL SOLITARIO

Solo, en este suelo occidental de Europa,
apenas soy memoria, solamente.
Si no perdí la fe, es que me agarro
al padrenuestro que escuché de niño.

La saudade me quita el gusto a cosas
y reseca mis ojos nublados.
Campos y barcos, trajes, casas, ríos
atraviesan mi cuerpo sin quedarse.

En el espíritu y la sangre espero.
La oración que aprendí y que enseñé
ha de llegar a tiempo de salvarme.

Traspasado de límpido secreto,
arrancaré a la tierra con los dedos
alegría de amor que no se acabe.




SONETO DO SÓ

Só, neste chão ocidental da Europa,
sou apenas lembrança, e só lembrança.
A fé, se na perdi, é que me agarro
ao padre-nosso que escutei menino.

A saudade me tira o gosto às coisas
e me resseca os olhos enevoados.
Campos e barcos, trajes, casas, rios
atravessam-me o corpo sem ficar.

Mas espero no espírito e no sangue.
As rezas que aprendi e que ensinei
hão de chegar a tempo de salvar-me.

Traspassado do límpido segredo,
hei de com os dedos arrancar à terra
alegria de amor que não se acabe. 


Publicados originalmente numa antologia bilíngüe do Centro de Estudios Brasileños de Buenos Aires e reproduzidos na REVISTA DE CULTURA BRASILEÑA, N. 51, diciembre de 198º. Publicación de la Embajada del Brasil en Madrid, España.



COSTA, filho, Odylo.  Tempo de Lisboa e outros poemas.  Lisboa: Círculo de Poesia, Livraria Morais Editora, 1966.  108 p.  15,5x20 cm. Apresentação de Manuel Bandeira. Ao final, uma “Errata”.  Col. A. M. (EA)




SONETO DE AMOR CARNAL

Há, neste amor carnal, esquecimento.
Vem de repente, bruto como a sede,
e desfaz sob a chuva e sob o vento
os afrescos e as sombras da parede.

Desmancha-se o mortal encantamento
na unidade da trama de uma rede
de veias. Desce o nada. E esse momento
é um copo d´água paa a eterna sede.

Mas o que pacifica, o que transcende
e faz da vida um vinho sempre lúcido,
é a confusão das almas na saudade.

Ela que em teu cabelo a luz acende,
que o mundo a nossos olhos faz translúcido
e transverbera o chão na eternidade.





De
Odylo Costa, filho
Boca da Noite
Rio de Janeiro: Salamandra, 1979.   150 p.


NOIVA

Linda, como somente vós sabeis,
forte, como a esperança que em vós ponho,
alegre, como fostes, sois, sereis,
assim vos penso, assim vos recomponho,
curvada embora à vida e às suas leis
mas nunca libertada do meu sonho. 
Fostes a noiva na manhã de Reis,
ainda hoje o sois nos versos que componho.

Leio Luis de Camões, o nosso poeta,
a suspirar do amor mais desgraçado
e a maldizer o dia em que nasceu.

Sobreponho-me à morte e à dor secreta,
o amor feliz, senhora, é o nosso fado,
cantá-lo, a chave do destino meu.




UM SÓ AMOR

Amores? Não. Cantei um só amor.
Não me arrependo da monotonia
nem de cantar a posse e o possuidor.
Se abelhas mansas dentro em mim havia

por que negar o vôo para a flor?
Até na momentânea nostalgia
nossa pátria era a mesma.  A própria dor
uniu mais do que junta uma alegria.

Chegou a noite e seu silêncio mas
para aclarar o mundo a luz secreta
em teu cabelo pôs manchas de prata.

E teço versos como que refaz
a vida.  Todo o meu mister de poeta
é de amor: madrigal e serenata. 



De
Odylo Costa, filho
un solo amor
antologia bilíngue
Buenos Aires: Centro de Esudios Brasileños; Embajada del Brasil, 1979




AMORES ANTIGUOS

         Traducción de Homero Icaza Sanchez.

Cuando en tu presencia
hablé de amores antiguos,
los miraba con la misma visión distante
de semillas que se marchitaron en tierra.

Mi amor eres sólo tú
y no lo comparo a la luz del sol
que esa todas las noches se esconde:
es antes luz vegetal, interior,
siempre idéntica a sí misma.

— Ciego pez que vino del fondo del océano
y sobrenada atónito en la superficie.




AMORES ANTIGOS

Quando em tua presença falei de amores antigos
olhava-os com a mesma visão distante de sementes 
                            que murcharam na terra.
Meu amor és só tu
e não o comparo à luz do sol que essas todas as noites
                                               se esconde:
é antes luz vegetal, interior, sempre idêntica
                                               a si mesma,
peixe cego subido do chão do oceano sobrenadando
                                     atônito na superfície.     




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