miércoles, 7 de enero de 2015

YÊDA SCHMALTZ [14.417] Poeta de Brasil


YÊDA SCHMALTZ      

Nacida en Tigipió, Brasil el 08/11/1941. Recién nacida fue llevada al Goiás, y vivió en Ipameri  la tierra de su padre. Murió el 10/05/2003 en Goiania.

Es nieta del poeta Demóstenes Cristino uno de los iniciadores del modernismo en Goiás.

Licenciada en Literatura vernácula y Derecho. Profesora de la Universidad Federal de Goiás, Instituto de Arte de Chicago.

Obra publicada

Caminhos de mim (poesia), Goiânia, Escola Técnica Federal de Goiás, 1964;
Tempo de Semear (poesia), Goiânia, Cerne, 1969;
Secreta ária (poesia), Goiânia, Cultura Goiana, 1973;
Poesias e contos bacharéis II (antologia, c/ Teles, J. Mendonça e Jorge, Miguel) Goiânia, Oriente, 1976;
O peixenauta (poesia), 1ª edição, Goiânia, Oriente, 1975; 2ª edição, Goiânia,
Anima , 1983;
A alquimia dos nós (poesia), Goiânia, Secretaria da Educação e Cultura, 1979;
Miserere (contos), Rio de Janeiro, Antares,1980;
Os procedimentos da arte (ensaio), Goiânia, UFG, 1983;
Anima mea (seleção de poemas), Goiânia, Anima, 1984;
Baco e Anas brasileiras (poesia), Rio de Janeiro, Achiamé, 1985;
Atalanta (contos), Rio de Janeiro, José Olympio, 1987;
A ti Áthis (poesia), Goiânia, Sec. Cultura e Prefeitura, 1988;
A forma do coração (poesia), Goiânia, Cerne, 1990;
Poesia (antologia poética), Oficina Literária da Funpel,(xerox), Goiânia,1993;
Prometeu americano (poesia), Goiânia, Kelps, l966;
Ecos (poesia), Goiânia, Kelps, l966;
Rayon (poesia), Goiânia, Cerne / Funpel, 1997;
Vrum (poesia), Goiânia, Edição da autora, 1999;
Chuva de ouro (poesia), Goiânia, Cegraf/UFG, 2000;
Urucum e alfenins – Poemas de Goyaz , Goiânia, Cegraf/UFG,2002




EL DESVÍO

A mi poco me importa
abierta o cerrada la puerta:
voy a entrar.

Y poco me importa estar
siendo amada o no amada:
voy a amar.

Pues me importa tanto
yo misma y el sentimiento,
¡cuánto!

A mí poco me importa
si tu amada es enferma
si tu esperanza es muerta.

Y me importa mucho menos
si aceptas solemnemente
nuestra vida parca y tuerta.

Porque mucho me importaría
dejar de ser yo misma
y la poesía.

A mi poco me importa
si la lira se rompió la cuerda:
voy a cantar.

Y poco me importa estar
en el picadero del circo:
voy a rodar.

Pues me importa tanto
yo misma y el sentimiento,
¡cuánto!

A mí poco me importa
si estamos todos presos
por una invisible cuerda.

Y me importa mucho menos
ser todos indefensos
frente al destino que corta.

Porque mucho me importaría
dejar de ser yo mismo
y la poesía.

TRADUCCIÓN DE ADOVALDO FERNANDES SAMPAIO
Extraído de la obra
VOCES FEMENINAS DE LA POESÍA BRASILEÑA
Goiânia: Editora Oriente, s.d.






O PEIXENAUTA
Capa de Cleber Gouveia
Ilustrações de Siron Franco
Goiânia: Oriente, 1975.


Esta obra recebeu o Prêmio Bolsa de Publicações Hugo de Carvalho Ramos - Concurso da União Brasileira de Escritores de Prefeitura de Goiânia. Existe também uma 2a. edição.



POEMA BISSEXTO

         Aos nascidos em 29 de fevereiro

Num ano não bissexto
de meses absurdos
e de horas escritas,
o teu dia não existe,
o teu dia absoluto.
Hoje é a véspera, mas amanhã acabou.
Agora, é cedo ainda
pra eu ir cantar na tua porta,
mas amanhã, é tarde, Inês é morta.

Uma interrogação escorre luminosa
sobre o imponderável
do teu dia não-dia,
mas eu dou uma rosa
pro teu dia não-dia,
ante-dia,
adversus,
carpe-diem.

No teu ante-aniversário
que não fazes este ano
porque amanhã é primeiro,
não será mais fevereiro,
quisera ver o teu rosto:
a face triste do baiano
e o riso largo do mineiro.

Perdido nas estrelas
de um zodíaco azul
ficou teu dia
nadando, peixenauta,
pelo espaço,
— olhando para o céu é que te abraço
enquanto estabilizas tua idade
de sempre criança,
de sem gravidade.

E nem temos taças para o ritual,
nem temos a nós mesmos
(dançamos um longínquo carnaval)
nem tenho teus braços
que o vento, que o tempo,
que a nave levou.
Mas um vidro parco
ou acrílico largo
tilinta: trim!
A festa acabou.




O DESVIO  

A mim pouco me importa
aberta ou fechada a porta,
vou entrar.  

E pouco me importa estar
sendo amada ou não amada:
vou amar.  

Que a mim me importa tanto
eu mesma e o sentimento,
quanto!  

A mim pouco me importa
se a tua amada é doente,
se a tua esperança é morta.

E me importa muito menos
se aceitas solenemente
a nossa vida parca e torta.

Porque a mim me importaria
deixasse de ser eu mesma
e a poesia.

A mim pouco me importa
se a lira quebrou a corda:
vou cantar.

E pouco me importa estar
no picadeiro do circo:
vou rodar.

Que a mim me importa tanto
eu mesma e o sentimento,
quanto!

A mim pouco me importa
se estamos todos presos
por uma invisível corda.

E me importa muito menos
sermos todos indefesos
ante o destino que corta.

Porque a mim me importaria
deixasse de ser eu mesma
e a poesia.





AMOR

Amor, se houve, eu tive.
De lembrar o amor
em poesia,
minha alma
sobrevive.

Do livro A forma do coração (1990)





Cavalo de Pau

Quando amo, sou assim:
dou de tudo para o amado
— a minha agulha de ouro,
meu alfinete de sonho
e a minha estrela de prata.

Quando amo, crio mitos,
dou para o amado meus olhos,
meus vestidos mais bonitos,
minhas blusas de babados,
meus livros mais esquisitos,
meus poemas desmanchados.

Vou me despindo de tudo:
meus cromos, meu travesseiro
e meu móbile de chaves.
Tudo de mim voa longe
e tudo se muda em ave.

Nos braços do meu amado,
os mitos se acumulando:
um pandeiro de cigana
com mil fitas coloridas;
de cabelo esvoaçando,
a Vênus que nasceu loura.
(E lá vou eu navegando.)

Nos braços do meu amado,
os mitos se acumulando,
enchendo-se os braços curtos
e o amado vai se inflando.

— O que de mais me lamento
e o que de mais me espanto:
o amado vai se inflando
não dos mitos, mas de vento
até que o elo arrebenta
e o pobre do amado estoura.

(Nenhum amado me agüenta.)

Livro: A alquimia dos nós (1979).





OITANTE

Alguém fabricou para mim
Uma estrela particular;
Este calor sem-fim.

Receita para se fabricar
uma estrela: é só queimar
átomos de hidro/gênio
por meio da fusão do olhar,
isto é, nuclear.

Fórmula: Bill Gates
que é igual a Olavo Bilac,
ovindo as janelas,
(E acreditar que vai brilhar, ter fé.)

Mas não se esqueça:
amai para entendê-la.
Quantos celulares fantasmas
há por aqui! Cibernéticos na linha.
Ai, que saudade que eu tenho
do tempo de Ivanhoé!

Do livro Rayon (1997)





CHUVA DE POESIA  I

Está caindo uma chuva de poesia na minha horta. 
A poesia está batendo na porta, Carlos, 
e pulando pela janela; 
a poesia está me afogando em poesia. 
Tem uma chusma de poesia no banheiro 
e uma alca/teia na esquina. 
A poesia parece o Nascimento de Vênus: 
saiu nadando da piscina. 
A poesia não deixa por pouco; a poesia 
não deixa por menos: nobiscum mutambas est, 
ou melhor dizendo, com “ela”, é no pau da mandioca, 
 no pau da goiabeira. 
Meu deus, ela não pode fazer 
isto comigo! Caí em decúbito dor- 
sal. 
A poesia parece nuvem de gafanhoto, 
horda de guerreiros. 
Está caindo uma horta de poesia na minha chuva; 
ela é Pessoa restrita mas não se endireita: 
quando cai, é sempre oblíqua e me leva con- 
sigo.

Do livro: "Chuva de ouro"





BACANTE A OESTE

A manhã mastiga
o canto do melro:
pão de trigo e mel.
Nossa vida é de sal
e de vinagre
apesar do passarinho
e o sal da terra.

Meu canto a Dionísio
é benfazejo
e o que desejo,
é amenizar os caminhos
do homem
com cristais de doçuras
de mulher.

E a poesia é doidivanas,
louca e séria
e vai arando
nossos caminhos de sede
e de torturas,
nossos caminhos de fome
e de miséria.

De noite
os pirilampos vagam
seus vagos lumes
pelos campos de buritis
e guarirobas.
— Cocos iluminados
de lantejoulas.

Poema do livro Baco e Anas brasileiras.





A POBREZA II

(DECLARAÇÃO DE BENS)

Escolhi para mim
— cabeça de poeta,
adolescência pura —
o que não deveria escolher
vivendo no Terceiro Mundo:
dediquei minha vida
à Educação e à Cultura.
Professora da Universidade Brasileira,
não pude comprar fazenda,
chácara, terreno ou boi,
( essa goiana maneira de ser ).
Eu só pude criar,
no meu curral de sonho,
o canto do cavalo,
o canto da boiada
em poesia aberta e hermética;
essa boiada que tanto aflige,
ruminando na janela
da minha aula de Estética.

Apenas com um salário de sucata,
sustentei o filho e as filhas
que partilhei ao gerar,
mas que não dividi na hora
dos divórcios, das partilhas. 
(Apenas com o salário,
pois dispensei o tal “alimento”
da descasada profissional.) 

Fiquei com a Poesia,
esse  bagulho
terceiromundista,
este meu Bem;
fiquei com a Pobreza,
o meu orgulho:
nunca roubei ninguém.
Não fui grileira e nem
posseira de nada
e, se invadida,
como fui, certa vez,
por astutas fazendeiras,
ora, que bobagem!
A minha obra está datada.
A Poesia
é o meu Patrimônio:
a palavra certa,
a palavra dura.
A poesia canta
e eu fico muda,
de espanto.

Meu Patrimônio maior
é a Literatura. 

Poema publicado no livro Prometeu americano.




A poetisa

Canto
o prazer e a esperança,
a loucura e a liberdade.

Cabelos soltos
véus diáfanos
minha flauta
e minha jarra

de vinho.
Que Deus inventou a uva
e Baco inventou o vinho
com seus efeitos.

(Cabelos punk
eus de afanos
minha falta
e minha farra.)

Ao coração humano
medroso, dou alegria
e coragem.

Cabelos soltos
véus diáfanos
minha flauta
e minha garra.

( do livro Baco e Anas Brasileiras-:Yêda Schmaltz.-Rio de Janeiro:Ed. Achiamé,1985)





SCHMALTZ, Yêda.  Urucum e alfenins.  Poemas de Goyaz.  Goiânia: Editora UFG, 2002.  145 p.   CM.    Projeto gráfico, editoração eletrônica, capa e ilustrações: Regina Coeli de O. Azevedo. Fotos do urucum: Cleide Vilela. Fotos do alfenin (arte) e cidades: Yêda Schmaltz. Foto da autora: José Afonso. ISBN 85-7274191-7   Seleção de poemas extraídos dos livros Caminhos de mim, Secreta ária, O pexenauta, A alqumia dos nós, A forma do coração, Baco e Anas brasileiras, Prometeu americano, Ecos, Chuva de ouro e inéditos. 


PLANALTO CENTRAL

Se eu abrir esta janela,
não mais verei o mar salgado e as montanhas
e não verei as praias com suas conchas,
os veleiros, as brumas, tana espuma
e nem o encanto alegre das amendoeiras.

Se eu abrir esta janela,
verei mongubas e paineiras;
nenhuma pedra ou montanha: árvores baixas,
retorcidas, parecendo um sofrimento,
verei águas azuis e doces, sem balanços
e um sol, um sol de tudo, um sol de rei.

Se eu abrir esta janela agora,
enxugando com as costas da mão o suor da testa,
de certa forma, apertando os olhos, me verei:
é assim o mundo que eu entendo e gosto—
meu mar salgado é no rosto.




MINHA ALMA É TRISTE

Minha alma é triste
como o cerrado goiano.

Minha alma existe
sem ter achado o que amo.

Minha alma insiste
ao menos na beleza:

poemas feitos de hibiscos
— brincos rubros de princesa.





PAISAGEM

És um momento
de taciturna tarde:
um cavalo ao longe,
contra o crepúsculo.
Dormes de pé:
ah, não te deitas,
não te sujeitas.
Pastas em mim,
nos meus seios de alfafa,
na grama do meu sexo.

E eu quero captar
a mansidade terna
do teu olho equino.

Um cavalo estrábico
que, em sendo um cavalo,
se parece tanto
com um menino.




RODANDO BOLSINHA

Venho me deitar com a minha paixão.
Minto. Minha paixão está perambulando
por aí, pelas livrarias.
(Ou estaria, na Avenida Goiás,
rodando bolsinha?)
Venho me deitar sozinha,
na verdade, e a minha paixão
é só minha.

(O dono da paixão, que não nego,
mais do que o deus do amor,
é cego.)
O amor,
com sua posição de bêbado
mortificado.








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