viernes, 30 de enero de 2015

DIEGO REBOUÇAS [14.627] Poeta de Brasil

  

Diego Rebouças 


Brasil. Es guionista, redactor y periodista. “Travesía” también es el título de su primer libro publicado en 2012 por la editora Livros Ilimitados. Ex colaborador de la página de Folha de São Paulo fue galardonado en la edición de 2010 del Concurso “O Brasil em cartaz” con su guión “O Crime”. Su conto de estreno –“Ponro de Partida”– fue uno de los vencedores del concurso “Eu amo escrever” promovido en 2011 por el Cantão y en sociedad con la editora Livros Ilimitados.






Travesía

Para Márcia Xavier

En la falta de tierra y agua
construir un poema con arena y sed

un poema de estos
que se pierde

en la inmensa soledad de palabras vencidas:

después de días bajo el sol inclemente,
luchando, intentando, avanzando, sin oriente,
finalmente muchas quedan en el camino,

esqueletos nos recuerdan que 
toda travesía es un riesgo

Y por eso mismo,
se recomienda juntar las palabras en un convoy
y mantenerlas en alerta para que no se les caiga
ni una pestaña a sus ojos

Aún así, no importan los avisos,
palabras no resistirán:

Y poco a poco, el cuerpo del poema será también
un cuerpo de vacios y silencios

y será así mismo:
los vacíos, los silencios y las palabras
en compañía y avanzando
sin garantías
día tras día

Y cuando
debilitado pero resistente,
la travesía se haya acabado,
¿habrá terminado el poema?

Este, quizás, si

Pero aun así, 
mientras haya palabras
(aunque se pierdan),
otros poemas vendrán.

Traducción: Renata Vázquez (Brasil) 




Diego Rebouças é roteirista, redator e jornalista. “Travessia” também é o título de seu livro de estréia, publicado em 2012. Ex colunista do site da Folha de São Paulo, foi premiado na edição 2010 do concurso “O Brasil em Cartaz” com o seu roteiro “O crime”. Seu conto de estréia – “Ponto de Partida” – foi um dos vencedores do concurso “Eu amo escrever”, promovido em 2011 pelo Cantão em parceria com a editora Livros Ilimitados. 


Travessia

para Márcia Xavier  

Na falta de terra e água,
construir um poema com areia e sede,

um poema desses 
que se perde 

na imensa solidão das palavras vencidas:

depois de dias sob o sol inclemente,
lutando, tentando, avançando, sem oriente, 
finalmente muitas ficam pelo caminho,

esqueletos nos lembrando que 
toda travessia é um risco.
Por isso mesmo, 
recomenda-se juntar as palavras em comboio
e mantê-las alerta para que nenhum cisco caia 
em seus olhos. 

Mesmo assim, não importam os avisos,
palavras não resistirão:

aos poucos, o corpo do poema será também 
um corpo de vazios e de silêncios

e será assim mesmo:
os vazios, os silêncios e as palavras
em companhia e avançando 
sem garantias
dia após dia

E quando, 
fragilizado porém resistente, 
a travessia tiver terminado, 
terá terminado o poema?

Este, talvez, sim.

Mas, ainda assim,
enquanto houver palavras
(ainda que tantas se percam),
outros poemas virão. 





Agora só me resta sonhar

já sei namorar,
já sei beijar de língua,

mas essa herpes,
meu Deus,
e essa íngua,

Francamente.






Mas se todos fazem

minha terra tem favelas
onde canta o tiroteio

se você acha isso poesia
experimente ficar no meio.










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