viernes, 26 de diciembre de 2014

RUBENS ZÁRATE [14.327] Poeta de Brasil


RUBENS ZÁRATE

Santo André, SP, Brasil,  1959. Productor cultural en Diadema Municipal de Cultura, coordinador en el Punto de Laboratorio de Cultivo de la poesía, profesor en el sistema estatal de educación SP. Educación: Historiador y antropólogo de la Universidad de São Paulo / USP.
Ha publicado: Pedra (1978), Barra (1978) e Medium coeli, Campus stellae (1980).


[ELLOS ESCRIBEN, ESOS RELÁMPAGOS]

Ellos escriben, esos relámpagos
en la carne. Ellos escriben en las tinieblas ofuscantes
                                                          [de la noche
de la carne. Ellos se escriben a sí mismos.
Esas luces,
            esos destellos se escriben
en la carne, en las tinieblas de la noche de la carne.
Luces destellantes, esas hojas
en la piel, en la carne en tinieblas del poema,

esas hojas se escriben a sí mismas.
Esas luces fugitivas,
                       esas cuchillas,
                                     esos
dientes de cobra negra & sinuosa.

                         Esas dagas se escriben en las tinieblas,
puñal subterráneo.

                         Esas colas de escorpión negro
que se escriben a sí mismas, cuchillas luciendo en la brea,
esos gestos de relámpago, para abajo & para adentro,
esas agujas de aborto.

                 Esa carne sangrienta gritando
en los ganchos de los mataderos. Esas luces
[centellantes se
escriben a sí mismas,
en las tinieblas ofuscantes de la noche
                                       de su propio poema. Centellas
afiladas, esas aristas eléctricas sobre tus curvas de gata,

esas dagas se escriben en la piel. Cuchillo
enterrado en el jardín, en las tinieblas de la noche de
                                                                     [la tierra,
en la sangre de los ciruelos bajo la caricia de un hacha,
esos relámpagos se escriben. Se diluyen
en su propia savia negra, escríbense
a sí mismos & se raspan. Escríbense & nunca se apagan:

la cicatriz de un resplandor nunca se cierra.







ANTOLOGÍA DE POESÍA BRASILEÑA, edición de Jaime B. Rosa. Organización Floriano Martins y José Geraldo Neres.  Muestra gráfica y portada Hélio Rôla. Edición bilingüe  Português - Español.   Valencia, España: Huerga & Fierro editores, 2006.  247 p   13,5x21,5 cm.   



[ELES ESCREVEM, ESSES RELÂMPAGOS]

Eles escrevem, esses relâmpagos
na carne. Eles escrevem na treva ofuscante da noite
da carne. Eles se escrevem a si mesmos.
Essas luzes,                
                 esses coriscos se escrevem
na carne, na treva da noite da carne. Luzes
                                   [coriscantes, essas lâminas
na pele, na carne em treva do poema,

essas lâminas se escrevem a si mesmas.
Essas luzes fugidias,
                          essas facas,
                                         esses
dentes de cobra negra & sinuosa.
                          Essas adagas se escrevem na treva,
punhal subterrâneo.

Essas caudas de escorpião negro
que se escrevem a si mesmas, facas luzindo no breu,
esses gestos de relâmpago, para baixo & para dentro,
essas agulhas de aborto.

                             Essa carne sangrenta berrando
nos ganchos dos açougues. Essas luzes consoantes se
escrevem a si mesmas,
na treva ofuscante da noite
                                     de seu próprio poema. Coriscos
afiados, essas arestas elétricas sobre tuas curvas de gata,

essas adagas se escrevem na pele. Facão
enterrado no jardim, na treva da noite da terra,
no sangue das ameixeiras sob a carícia de um machado,

esses relâmpagos se escrevem. Borram-se
em sua própria seiva negra, escrevem-se
a si mesmos & se rasuram. Escrevem-se & nunca se
                                                                   [apagam:

a cicatriz de um clarão não sé fecha.



Rubens Zárate (Santo André, SP, 1959) publicou os livretos Pedra (1978), Barra (1978) e Medium Coeli, Campus Stellae (1980). Participou de Una Antología de Poesía Brasileña (Huerga y Fierro, Madrid, 2007). Poemas e traduções nas revistas Cult, Zunái, Germina, Mallarmargens, Cinosargo, entre outras. Historiador e antropólogo, trabalha como produtor cultural. 



ESCULTURAS MUSICAIS 10
RUBENS ZÁRATE


A Tribo das Estrelas & todos os mundos habitáveis. O sol visível & el-Corazón-de-la-Madre. As espécies da vegetação & os Espíritos Animais. As espécies animais & os Espíritos da Flora. 

Les Féeries do Fogo Sagrado. Dícen los brujos lo que dícen. 


***


:: toda fala (incendiada) é uma fala-em-face-de-uma-fala
(imagens copulam, / transbordam) ::

:: a récita do fogo obscurece, ilumina (expõe ao sol do sacrifício / o negro conteúdo das crisálidas: sequestra o mundo visível / em sua zona de sombra) – tudo / fala – & todo diálogo é louco ::

:: todo delírio é análogo : desejo : parúsia : rapto : presença ::



***


A tiara tenebrosa do sol é visível & invisível. Sua miríade de chifres faz estalar o esqueleto da terra, florido.




***


Para os maia-quichê o céu noturno (pintado) é a imagem em negativo, ou o avesso escalpelado, de uma pele de pantera (estrelada).

O império dos sentidos é, em seu duplo sentido, o reino da dualidade (invertido). Do sol vemos apenas sua treva: vivemos assim no avesso do que vemos. O fogo amarelo é na verdade violeta; já a vegetação não é verde (como sangue), mas vermelha.

O negro mais negro é a cauda do pavão do arco-íris.



***


O círculo é o sonho (florido) do mundo. As flores (do sonho) são nove. As cicatrizes são quatro: sudeste, sudoeste, noroeste, nordeste.

O sudeste é a ventania luminosa da volúpia. O sudeste é nomeado: Porta da Infância, Lugar das Parteiras, Senda do Pólen, Clã das Vidas que Rastejam, Conselho dos Narradores. O sudeste localiza-se entre a-mais-luxuriante-das-figueiras& fogo-intenso-das-veias.

O sudoeste situa-se entre o-mais-doce-dos-prazeres & gemidos-que-se-ouvem-entre-as-éguas. O sudoeste é nomeado: Porta do Sêmen Dourado, Lugar dos Curandeiros, Trilha da Tara do Incesto, Clã das Línguas Bifurcadas, Conselho dos Bruxos Obscuros. O sudoeste é a brecha do lagarto do crepúsculo.

O noroeste é a conexão entre as almas que viajam. O noroeste é nomeado: Porta dos Anciãos, Lugar das Carpideiras, Senda da Purificação, Senda da Segunda Morte, Clã das Manadas que Correm, Conselho dos Alienígenas. O noroeste localiza-se entre a-mais-crepitante-das-pedras & pele-queimada-&-cabelos-brancos.

O nordeste se situa entre deleite-para-os-olhos & garras-de-gato-selvagem. O nordeste é aquilo que não se nomeia. O nordeste é nomeado: Porta do Útero Prenhe, Lugar das Cerimônias, Senda do Sol das Orquídeas, Clã das Penas de Rapina, Conselho dos Sacrificadores.

O mundo é o círculo (florido) do mundo. As fêmeas são Aquelas-que-Fundam-as-Flores. Os machos são Aqueles-que-Transmitem-Cicatrizes. As crianças são os mestres; os velhos são os loucos. 


***


O fogo fala das pedras em sua língua mais negra. O oeste é o lado das águas.

Éramos treze corpos de cócoras, no interior de uma cúpula em chamas – cobertos de lama & secreções, enquanto a curandeira cantava – meu corpo a sudoeste, minha alma a nordeste – o lagarto sonhava entre as brasas – no sol pleno, em meio à mais física das noites.

Havia ali três espíritos anciãos, antiquíssimos: juntos teriam mais que a idade da Terra – indígenas não eram – nem nórdicos – estrangeiros? 

Durante os cânticos da terceira porta minha cabeça aninhou-se entre as coxas de T, farejando – sua menstruação misturada à terra – ela abriu suas pernas & tocou minhas vértebras, a extinta cauda – a morte veio dócil & úmida; fêmea, agressiva, estranha como o planeta em que estamos. 


***


A beleza é sempre bárbara; qualquer forma de beleza é bárbara; somente a beleza é bárbara.

  

*de nigra sed pulchra, inédito


***


:: lillys de catorze anos com crucifixos invertidos :: luanas em lycra negra encarnando juliettes :: thalitas étnicas, com anzóis de piercing::  simones incestuosas, secretas :: angélicas que se insinuam sinuosas :: barbies de jubas panterinas & collants de zebras em manada na savana :: janes com rendas rasgadas & gótica maquiagem :: roxanes blondes, mamíferas, com pentagrama entre as glândulas :: pequenas ninjas do funk tocando o terror nas esquinas :: natashas :: najas das treze horas à entrada dos colégios ::

:: uma balbúrdia de perfumes indiscretos inaugura agora os massacres da primavera ::

***



:: lolita, labareda of my life, ó relaxada :: de leite suas coxas, que agora levemente se rebelam :: (impérios de impropérios sussurrados) :: de pelúcia os escolares tornozelos, tatuados, agora recostados na janela do automóvel, 

a porta 

um pouco aberta :: florestas lá fora :: (é tarde de outubro, quente) :: & é ciciante o buquê dos plissês de sua saia :: ó floras ::

***

:: indomada: ancas de égua & modos de cavala: petulante :: garçonete na taberna ao lado da barbearia: 

solta a cabeleira após as 15 horas :: (blonde: pele blanca: belas nádegas) ::

:: medalhinha de são francisco & argolas, reluzindo / na treva abafada da despensa :: suor :: no dorso do delírio, entre facas & cebolas :: (sagitária: arrogante: sem troco) :: 

:: desafia o céu de outubro com a chuva violeta de seus olhos ::


***

:: amas como amuletos, como vela para os tormentos, uma vela torcida & queimada ::  como brasas de são joão para exorcizar manadas :: como pedras para os raios, amas como alfinetes, como colares de dentes :: como cura da hérnia ou da sarna, como flores para as pústulas, ou bodes para a luxúria :: amas como candelas :: como maldizes as cólicas, amarras como os anzóis, as réstias de alho à janela :: amas de uma só cor; algumas vezes o branco; geralmente em vermelho escuro ::


***


:: a hora a escolhe o diabo: se há luciérnagas,  se há meio-dia a comer o que é negro, ou meia-noite a mijar tanta luz; se tanta inconstância, se tantos velos & máscaras, se tudo alucina há luciérnagas; se há sortilégio há luciérnagas; ou se restam apenas plumas no ar, porque se tratava da alfombra do sábado, em que só se caminha entre plumas; se há carnes, se confusões perniciosas de abomináveis plumas, se há ninas em negro há luciérnagas; belas, confusas, em braseiros, unicamente embruxadas :: 

:: mariposa, hieróglifo magnífico ::



***



provérbios populares do inferno

:: nesta terra pisamos em carne & luxúria :: o sábado é dos bodes :: o sábado é dos lobos :: dezembro é todo festa & todo negro :: dezembro é negro na luz :: o prato do padre é pequeno, mas é saboroso :: em terço se reza o pecado :: em bonecas se amarram amores :: boca aberta: sonho ou fome :: um sonho é um domingo do desejo :: noite sem sonho, vida em branco :: a satisfação não vê a fome :: a fome não cheira a comida :: estrangeiro, lugar de feras :: o diabo é sábio por ser velho :: o vinho doce tem quatro olhos :: o alho corta os sete males :: o estábulo é  do diabo :: dia que às seis escurece, dia de matar o porco :: chuva ao meio dia, chuva o dia inteiro :: lenha velha, fogo alto :: manhã vermelha, tarde chuvosa :: santa bárbara troveja em orós & chove em markina :: luar & neblina, lugar de bruxas :: em dente que dói se encontra a língua :: eco, as paredes respondem :: telhado velho, telhado verde :: sobre o bem & sobre o mal: nasce & morre o mesmo sol :: sem deus nem santa maria, para a frente & para o alto :: que faça bem a comida, & nenhum mal a bebida :: o sangue sem fogo ferve :: viver até morrer :: o que é costurado no escuro é confundido no claro :: prado do bode, prazer das cabritas :: o que é nomeado existe :: esta terra, povo de bruxas ::


*de lolita em prado de bode, 2013, inédito












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