viernes, 26 de diciembre de 2014

ANTÓNIO MOURA [14.328] Poeta de Brasil


ANTÓNIO MOURA

Nacido en Belém do Pará, Brasil   en 1963. Poeta, autor, guionista y video. Reside en Belem. 

Obra poética: Dez (1997), Hong Kong & Outros Poemas (1999) e Rio Silêncio (2004).

  




ANTOLOGÍA DE POESÍA BRASILEÑA, edición de Jaime B. Rosa. Organización Floriano Martins y José Geraldo Neres.  Muestra gráfica y portada Hélio Rôla. Edición bilingüe  Português - Español.   Valencia, España: Huerga & Fierro editores, 2006.  247 p   13,5x21,5 cm.   




MANCHAS

Una pequeña mancha negra ave en el techo del día.
El día que se yergue desde el son de las estrellas.
Ave sobre la tierra y que suave anida
en las retinas del hombre que, pequeñito,
entorna los ojos dirigidos hacia arriba.
Una pequeña mancha en la tierra
y una pequeña mancha en el cielo,
reflejándose en sus imágenes provisionales.
La mancha que planea y
la mancha que se arrastra,
pero que también se eleva cuando
la vista del pájaro le presta alas.
Mancha presa en el césped mirando
la mancha negra suspendida en el azul,
venidas del vientre secreto del mundo
para incertidumbre de la faz visible de la naturaleza.
Mancha celeste, mancha terrena.
Entre ellas apenas el rumor del viento
susurra el polvo y la nube de la existencia.
Pequeñas manchas negras sobre el blanco del día.
Ave y hombre, dos puntos, al borde del silencio.





MANCHAS

Uma pequena mancha preta ave no topo do dia.
O dia que se ergue do sono das estrelas.
Ave sobre a terra e suave se aninha
nas retinas do homem que, pequenino,
entrecerra os olhos lançados para cima.
Uma pequena mancha na terra
e uma pequena mancha no céu,
espelhando-se em suas imagens provisórias.
A mancha que flutua e
a mancha que se arrasta,
mas que também se eleva quando
a visão da ave lhe empresta asas.
Mancha presa na relva mirando
a mancha preta suspensa no azul,
vindas do ventre secreto do mundo
para a incerteza da face visível da natureza.
Mancha celeste, mancha terrena.
Entre elas apenas o rumor do vento
segreda a poeira e a nuvem da existência.
Pequenas manchas pretas sobre o branco do dia.
Ave e homem, dois pontos, à beira do silêncio.





DONDE

Donde la voz es tan aguda que
su punta de diamante corta
el cielo de vidrio, y donde la luz
es tiniebla, por el tan intenso brillo

Donde el presente es eterno y lo
eterno tan efímero, que el tiempo,
inmóvil, es un Buda sentado al
borde y a la sombra de sí mismo

Donde la belleza es temible de
tan radiante, rostro, rosa, que
nos interroga en el silenció de -los
espacios infinitos que aterra

Donde el vacío es un estar lleno
de nada, y donde todo no pasa
de espacios-entre las estrellas, vida,


muerte, en una única centella


         
ONDE

Onde a voz é tão soprano que
sua ponta de diamante trinca
O céu de vidro, e onde a luz
é treva, de tão intenso o brilho

Onde o presente é eterno e o
eterno tão efémero, que o tempo,
imóvel, é um Buda sentado à
beira e à sombra de si mesmo

Onde a beleza é medonha de
tão radiosa, rosto, rosa, que
nos interroga no silêncio dos
espaços infinitos que apavora

Onde o vazio é um estar cheio
de nada, e onde tudo não passa
de espaços entre as estrelas, vida,
morte, numa única centelha





TRAS EL DILUVIO

Por la mañana, tras el diluvio, el légamo en las calzadas,
los restos de la tormenta en el final, el silencio blanco

del cielo empapado, en gasa, las casas de, lodo
y las alamedas disparando sus alarmas, los

cangrejos cayendo de los; nidos de los árboles
y las aves, en el suelo, queriendo reemprender el vuelo

con el peso del barro y las hiedras sobre las alas,
el barco encallado en lo alto de un tejado,

los animales estatuas bajo la arcilla encostrada a la orilla
del mar muerto de sed bebiendo viento en las manos

en concha de arena, los jardines, oh, los jardines
desabrochando en lodo, la sangre de los niños

chorreando de los grifos de los palacios y corriendo
a caños hacia las alcantarillas, el sol lamiendo

la piel de las serpientes que -relámpago- ahora
cambian de cascara y penden entrelazadas

en los parapetos de los edificios entre las flores entre
abriendo los párpados de musgo para el arco iris

reflejado en los ojos del rostro sobreviviente,


que aspira el aire, aún húmedo, después del diluvio

         


APÓS O DILUVIO

Pela manhã, após o dilúvio, a lama nas calçadas,
os cacos de trovões no chão, o silêncio branco

do céu ensopado em gaze, as casas de lodo
e as alamedas disparando seus alarmes, os

caranguejos caindo dos ninhos das arvores
e as aves, no solo, querendo refazer o voo

ao peso do barro e das h'eras sobre as asas,
o navio encalhado no topo de um telhado,

os animais estatuas sob a argila crosta à beira
do mar morto de sede bebendo vento nas mãos

em concha da areia, os jardins, Ó, os jardins
desabrochando em lodo, o sangue das crianças

jorrando das torneiras dos palácios e correndo
em sarjetas para os esgotos, o sol lambendo

a pele das cobras que — relâmpago — agora
mudam de casca, e pendem entrelaçadas

nos parapeitos dos edifícios entre as flores entre
abrindo as pálpebras de musgo para o arco-íris

refletido nos olhos do rosto sobrevivente,
que aspira o ar, ainda úmido, após o dilúvio





EN UN LIBRO DE SAN JUAN DE LA CRUZ

Entre las páginas de un libro de
San Juan de la Cruz me encuentro

con la vida entrelazada a la muerte al
acaso, entre la vida que allí florece

en palabras, voz humana que
en el desierto en .blanco se propaga,

el cuerpo muerto de un insecto entre
las páginas habla de lo que puede estar

siendo y — en un relámpago — haber sido,
fuego sofocado por la mano desconocida

que, súbitamente, cierra el libro






NUM LIVRO DE SAN JÜAN DE LA CRUZ

Entre as páginas de um livro de
San Juan de La Cruz deparo

Com a vida entrelaçada à morte ao
acaso, entre a vida que ali floresce

em palavras, voz humana que
no deserto em branco se propaga,

o corpo morto de um inseto entre
as páginas fala do que pode estar

sendo e — num relâmpago — ter sido,
fogo abafado pela mão desconhecida

que, subitamente, fecha o livro






Crepúsculo City

Urbo rubor

                   Ruído

O sol-motor
carbura cor

         dor

                   a diesel




Nosferatu

Quando a lua uiva
sobre sonos e sopra
o pó das sepulturas,
exalo meu perfume e
negro lume, escapo

A capa, asa de negrume
envolve teu corpo, ar
repiando o dorso, car
ícia de brasa gelada

E por fim deixo em tua
pele-página, orifícios,
dupla marca, ver
melho sangue: cravadas



TRAVESSIA

Um dia para atravessar – sol
entre duas noites imensas,

tendo como companhia o corpo,
este pequeno animal que não

te pertence e que, sem nada
perguntar, se oferece, devotadamente,

ao tempo, deus que também é
o próprio corpo em silêncio

Um dia para transpor tendo por alimento
a poeira da estrada que se estende

branca, do nascente ao poente e
que, lentamente, transforma-se em

riacho negro que passa sob a
ponte suspensa da Via Láctea

Ir, à outra margem, de acordo
com o que a própria ida engendra

Ora com o silvo das serpentes sob o passo
Ora andando sobre as águas do poema



MOURA, Antonio.  Hong Kong & outros poemas.  Cotia, SP: Ateliê Editorial,1999.   91 p.  14x20 cm.  Projeto gráfico e capa: Marcelo Cordeiro.  Editor: Plínio Martins Filho.  ISBN 85-85851-92-9   “ Antonio Moura “  Ex. na bibl. Antonio Miranda



Até que ponto a lírica suporta o "desaparecimento eloçutório do poeta", a supressão do sopro pessoal de sua frase, da respiração expressiva do verso? Se o poema, destinados a todos e a ninguém, implica sempre, como Gottfried  Benn afirmou, na questão do Eu, não será esse desaparecimento a metamorfose do sujeito de enunciação? É o que perguntamos diante desses últimos textos de António Moura severos, ascéticos, impessoais, os versos como que desenhados na página. BENEDITO NUNES


ABRIL, 22, 1999

Mãe, outra vez em

teu ventre (voz
tornada à ostra

estrela — silêncio

atrás da porta
que se fecha
ao ar mundano

e mesma abre-se
a outra brisa,
noite, jardim

que não se extingue



NOITES, DIAS

          A LUCIANA MEDEIROS

Noites de seda        obsedantes
Dias de caos           causticantes


Um céu silêncio      de estrelas
explosão                diamantes

Um sol confusão     de homens
nomes entre si       distantes

Um céu                  macio, sexo
Um sol                   duro, osso
Um mundo             sem nexo
exigindo                corpo
  



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