lunes, 15 de septiembre de 2014

MARIO FONSECA [13.329]


Mario Fonseca

(12/11/1939  -  26/9/2009)
Mario Alberto de Almeida Fonseca fue un destacado poeta, ensayista y combatiente anticolonialista de Cabo Verde. Nacido el 12 de noviembre de 1939 en Praia, la capital de Cabo Verde, dejó una vasta obra literaria publicada. Fue uno de los fundadores, en los años 60, de la revista literaria Seló, junto con los poetas caboverdianos Armenio Vieira (Premio Camões 2009) y Osvaldo Osorio. 

Entre sus obras, figura el libro de poesías "O Mar e as Rosas", que fue confiscado en Lisboa (Portugal), en 1964, por la policía política portuguesa. 

Mario Fonseca publicó también obras en lengua francesa, como los libros "Près de la mer" y "Mon Pays est une Musique et Poissons". 

Combatiente por la causa de la liberación de Cabo Verde del yugo colonial portugués, Mario Fonseca participó en actividades de la Asociación de Escritores Afro-Asiáticos (Beijing, 1966), en el Simposio Literario Internacional contra el Apartheid (Brazaville, 1987) y en los Estados Generales del Libro Francófono (Paris 1989). 

A lo largo de los muchos años en que fue obligado a vivir lejos de su país debido a su oposición al régimen colonia, Mario Fonseca trabajó como profesor de francés en Senegal y traductor en Mauritania y Turquía. 

De regreso a Cabo Verde, el escritor colaboró activamente en casi todos los periódicos y revistas que circularon en el archipiélago después de su independencia, en 1975. 

Mario Fonseca, que ejerció varios cargos de responsabilidad en instituciones ligadas a la cultura, llegó también a ser propuesto para desempeñar las funciones de presidente del Instituto de Lengua Portuguesa, cargo que no pudo desempeñar por motivos de salud. 

Murió el 26 de septiembre de 2009, víctima de un accidente cerebrovascular. 




VIAJE EN LA NOCHE LARGA

En la noche larga
mi alma
llora su hambre de siglos

Mis ojos crecen
y lloran hambrientos de eternidad
hasta ser dos estrellas
brillantes
en el cielo inmenso.

Y el infinito se detiene en mí

En la noche larga
una remotísima nostalgia
hunde mi alma
Y lloro lágrimas marinas
Mientras mi deseo heroico
de tragar los cielos
se amplía
y es ya cielo

Tengo entonces
la sensación esparcidamente larga
de navegar en el absoluto.

Traducción al español: Ana Muela Sopeña





VIAGEM NA NOITE LONGA

Na noite longa
minha alma
chora sua fome de séculos

Meus olhos crescem
e choram famintos de eternidade
até serem duas estrelas
brilhantes
no céu imenso.

E o infinito se detém em mim

Na noite longa
uma remotíssima nostalgia
afunda minha alma
E eu choro marítimas lágrimas
Enquanto meu desejo heróico
de engolir os céus
se alarga
e é já céu

Tenho então
a sensação esparsamente longa
de vogar no absoluto.

(Selô,1962)





ONDE FINCAR OS PÉS...

Onde fincar os pés senão nas estrelas?
Onde senão no sólido chão das estrelas?

Aqui?
Aqui onde medra medra a flor?

Oh rosa!
Que amar senão tua inexistente essência?
Que amara senão teu persistente sonho?

Isto?
Isto desta implacável gramática?

Oh rosa!
Onde fincar os pés senão em tuas inexistentes pétalas?
Onde senão no inexistente sonho de tuas persistentes pétalas?

Aqui?
Aqui onde tudo o que medra é só e apenas terra?

Oh tu embora da terra!
Oh tu embora do chão do coração!

Que amar senão as estrelas?

Que amar senão as estrelas
que estrelas são, palpitantes
E as inconsistentes rosas
Que persistentes cantam dentro do meu coração?







BECO SEM SAÍDA

    Ao Dr. Antonio Carlos Baeta, “desertor de si”.

No deserto
Em que tudo
não chega a ser mais que nada
Não há espaço para nada
Nem mesmo para não esperar
Ou para desertar
Pois que para lado algum
Ninguém nunca deveras partiu
Deste deserto
Ninguém nunca deveras partiu
Para lado nenhum
Deste deserto
Ninguém
Nunca
Deveras
Partiu
Deste deserto
         Ninguém
                Nunca            
                   Deveras
                          Partiu
De lado algum
Para lado nenhum.







ESTA É A CANDENTE TERRA...
  
         A la mémoire demon jeune frère,
          Daniel Rui de Almeida Fonseca,
          sous — lieutenant de l´armée portugaise,
          mort a l´âge de 24 ans, en combat, au
          Mozambique.                  

Esta é a candente terra de negrura
Onde debalde ficamos a nossa dor
E o sangue inocente que ainda jura,
No chão da maldição, em imenso clamor.

Olvidado na pompa e na púrpura
Da investidura de reinos sem pudor,
Construídos no terror e na mentira
Da traição à sacra promessa de amor.

Esta é a pungente terra de amargura
Onde como erva torpe medra a dura
Ditadura e cresce o crime no negrume
Da súplice solidão em que a multidão
Vencida já nem crê que o afiado gume
Que redime decepe o poder da negridão.






ENQUANTO NÃO SOAR A HORA..

Enquanto não soar a hora da minha morte,
Louvar eu quero a sorte eu me couber,
Já que, por mais que amar, um tão forte
Amor, que só a morte mata, merecer

Não posso, ainda que tivesse arte.
Mulher, enquanto durar o vício de viver,
Que persiste mesmo quando é mais morte
Que vida, a vida que consente o poder,

Quero somente andar, nadar e cantar,
Comungar e cultivar o meu pomar,
E à tua amada sombra adormecer...

Pois só inepta sina ou príncipe consorte
Pode requerer poder a quem tem poder,
Que este com sorte e morte se merece,
Com morte e arte permanece.





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