martes, 2 de septiembre de 2014

EMANUEL MEDEIROS VIEIRA [13.149]


EMANUEL MEDEIROS VIEIRA

Emanuel Medeiros Vieira nació en Florianópolis, Brasil, el 31 de marzo de 1945.
Después de haber vivido en Brasilia desde hace 32 años, actualmente reside en Salvador.
Se licenció en Derecho por la Universidad Federal do Rio Grande do Sul (1969).
Fue miembro del Consejo de Redacción de la revista "Movimiento" y corresponsal en Santa Catarina la "Opinión" semanal.

Ha publicado veinte (20) libros.

Recibió el primer premio literario en 1966, después de 21 años en el concurso nacional de cuento.
También fue galardonado con el "Trofeo Candango de Literatura" en 1986, otorgado por la Unión de Escritores del Distrito Federal para la novela "La revolución de los ricos."
También fue galardonado con el Segundo Concurso Nacional de Cuentos, patrocinado por la empresa gráfica de Bahia (EGBA), y Desenbanco en 1990.
Con el libro "Temblores" originales fue galardonado con el "Premio Brasilia de Literatura", 1991, patrocinado por la Fundación Cultural del Distrito Federal.
Competir con 2.316 autores, fue uno de los ganadores en el año 1994, en el concurso nacional de poesía patrocinado por la ciudad de Piracicaba.
Emanuel Medeiros también fue galardonado en los Estados Unidos, el 1 Concurso del condado de Broward en 1998 - Concurso internacional crónica literaria para el "cuerpo de trabajo" en el género de cuento y poesía.

Su trabajo fue elogiado y estudió, entre otros autores y críticos, de Carlos Drummond de Andrade, Otto Maria Carpeaux, Afrânio Coutinho, Antonio Candido, Mario Quintana, Moacyr Scliar, Caio Fernando Abreu, Antonio Olinto, Helio Pólvora, Carlos Appel, Assis Brasil Anderson Horta Braga,   Santiago José Naud, Ronaldo Cagiano, Salim Michael Cardozo Flávio Silveira de Souza,   Paul Leminski, Rubem Mauro Machado, Lourenço Cazarré, Espinheira Ruy Filho, Antônio Carlos Ribeiro Vilaça y Leo Gilson

Emanuel Medeiros Vieira consiguió en 2010, Primer Lugar en el Concurso Internacional de Literatura, patrocinado por la Unión Brasileña de Escritores- UBE, categoría el romance ("Premio Cardoso Lúcio") por su libro "Ojos Azul - Sur de efímero" (Thesaurus Editorial / FAC, Brasilia, 2009), considerado el mejor libro en el género - en la evaluación de la entidad - publicado en Brasil en 2009.



EXILIO


Hay un Atlántico en esta separación:
Corazón batido sigue las olas de mayo.
Destierro más allá de la amnistía,
más allá de los poderes.
¿Soportaremos tantos exilios?

Ya no bastan los sellos,
lo escrito crispado,
quería las señales de tu piel, 
vacunas, humedades., pelusas, pelos perdidos
en el mapa del cuerpo, miradas suplicantes, sollozos.

Continuarán las jornadas.
misas del séptimo día,
retratos arcaicos,
otro exilio:
sin razia en la boca de la noche, armas, uniformes, 
miedos, clandestinidades.

Sol en este retorno:
la casa, los paraguas en el sótano, la copa de barro,
álbumes, abrazo acogedor,
olor de pan que viene de algún lugar,
el amanecer junta los dos nudos de la memoria,
el niño y su otro:
estoy mejor, como vino añejo.

Traducción: Ronaldo Cagiano




EXILIO

Há um Atlântico nesta separação: 
Coração batido segue as ondas de maio. 
Desterros além da anistia, 
para lá dos poderes. 
Suportaremos tantos exílios? 

Já não bastam os selos, 
a escrita crispada, 
queria os sinais de tua pele, 
vacinas, umidades, penugens, pelos perdidos 
no mapa do corpo, olhar suplicantes, soluços. 

Seguiram-se as jornadas, 
missas de sétimo-dia, 
retratos arcaicos, 
outro exílio: 
sem batidas na boca-da-noite, armas, fardas, 
medos, clandestinidades. 

Sol neste retorno: 
a casa, o guarda-chuva no porão, a caneca de barro, 
álbuns, abraço agregador, 
cheiro de pão que vem de algum lugar, 
o amanhecer junta os dois nós da memória, 
o menino e o seu outro: 
estou melhor, feito vinho velho.






BRASÍLIA 

Cidade das mangueiras em flor,
dos fundadores da utopia,
candangos, barra vermelho, florzinhas do cerrado
pássaros, encantos cerrados,
cidade do amolador de facas
(ela tem esquinas sim, mas é preciso decifrá-las),
da louvação às primeiras chuvas,
terra molhada em janeiro

Não, meu coração não quer saber da urbe palaciana,
dos maquiáveis planaltinos,
intrigas com soda cáustica.

Cidade dos criadores,
Da mistura de tantas raças, vários brasis
(ah, a moça tomando sorvete no ponto de ônibus).

Cidade do meu viver e do meu sobreviver, 
de todos os sonhos,
das linhas retas do arquiteto,
e cidade do meu repouso.






NÃO, NÃO É UM POEMA

(…) “Você pode me fuzilar com palavras/E me retalhar com o seu olhar/Pode me matar com o seu ódio/Ainda assim, como o ar, vou me levantar”. Maya Angelou (1928-2014)


Vivemos sobre camadas soterradas pela urgência.
Ansiedade:    nossa vida virou mercadoria.
Não, nada digo de novo.
Tudo é descartável – e estamos submetidos ao lixo eletrônico.
(Não, não é só porcaria.)
A virtualidade seria (também) um álibi para compensar o “ilhamento”, a falta de contato real?
O que valem os outros?
(Amizade, toque, longe da obsessão de aparecer, de ser celebridade.)
Tudo vale só um instante.
Tudo se dissolve.
Redes sociais, dogmatismo, carência de debates adultos, e a demonização do outro – se discorda das nossas ideias.
Prevalece a intolerância.
É o hiperindividualismo veloz.
Quem realmente lê, longe das engenhocas eletrônicas.
Tenho me repetido? Sim. É para ser escutado.
Vai parecer pieguice (paciência): parece triunfante o desinteresse completo pelo outro.
Se alguém falar em compaixão, poderá ser ridicularizado.
Repito: compaixão: não piedade.
Tudo parece ser hierarquizado pelo pior.
É claro, estamos sentados num mercado consumidor.
Que não consome, não é nada.
É preciso de rebanhos cada vez maiores. É subliminar.
Nada de dissidência.
Não é preciso mais de choque elétrico, tortura e exílio.
O exílio é aqui mesmo.
Pessimismo?
Quem sabe: é possível fazer algo.
Mas é preciso pensar, longe dos fundamentalismos.
Alguém se lembrará de nós?
Isso também não importa: não estaremos mais aqui.
Mesmo se alguém lembrar, isso não nos atingirá mais.
Filosofia de botequim? Também.
Mas é preciso que cada dia seja abençoado.
Resistir? Sim. É um lugar-comum. É. E continuar – pássaros, mar, amigos, um café quente, um gosto de partilha, este domingo com pássaros cantando, e céu azul.

(Brasília, junho de 2014)



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