miércoles, 25 de junio de 2014

IVAN JUNQUEIRA [12.044]


Ivan Junqueira 

( Río de Janeiro, 3 de noviembre de 1934 ) es un periodista , poeta y crítico literario brasileño. Miembro de la Academia Brasileña de Letras.

Premios recibidos: 
Ivan Junqueira ha recibido numerosos premios literarios:

Prêmio Nacional de Poesia, do INL (1981);
Prêmio Assis Chateaubriand, da ABL (1985);
Prêmio Nacional de Ensaísmo Literário, do INL (1985);
Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (1991);
Prêmio da Biblioteca Nacional (1992);
Prêmio José Sarney de poesia inédita, do Memorial José Sarney (1994);
Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro (1995);
Prêmio Luísa Cláudio de Sousa, do PEN Clube do Brasil (1995);
Prêmio Oliveira Lima, da UBE (1999);
Prêmio Jorge de Lima, da UBE (2000).
Em 1998 recebeu a Medalha Cruz e Sousa, da municipalidade de Florianópolis, e, em 1999, a Medalha Paul Claudel, da UBE. Em 2002 foi patrono do IV Concurso Nacional de Poesia Viva, patrocinado pelo jornal Poesia Viva.

Bibliografía:

Poesía:

Os Mortos. Rio de Janeiro: Atelier de Arte, 1964. Menção honrosa no Concurso Jorge de Lima, 1965.
Três Meditações na Corda Lírica. Rio de Janeiro: Lós, 1977.
A Rainha Arcaica. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980. Prêmio Nacional de Poesia, do Instituto Nacional do Livro, 1981. Ed. portuguesa: Fundação das Casas de Fronteira e Alorna, Lisboa, 1994.
Cinco Movimentos. Rio de Janeiro: Gastão de Holanda Editor, 1982. Estes poemas foram musicados por Denise Emmer no CD Cinco movimentos & um soneto (Rio de Janeiro: Leblon Records, 1997).
O Grifo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1987. Menção honrosa do Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, 1988. Trad. dinamarquesa, Griffen. Copenhague: Husets Forlag, 1994.
A Sagração dos Ossos. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1994. Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, 1995. Prêmio Luísa Cláudio de Sousa, do PEN Club do Brasil, 1995.
Poemas Reunidos. Rio de Janeiro: Record, 1999. Prêmio Jorge de Lima, da UBE, 2000.
Os Melhores Poemas de Ivan Junqueira. Organização e introdução de Ricardo Thomé. São Paulo: Global, 2003.
Poesia Reunida. São Paulo: A Girafa, 2005. Finalista do Prêmio Jabuti 2006.
O Tempo além do Tempo (antologia). Vila Nova de Falamicão: Edições Quase, 2007.
O Outro Lado. Rio de Janeiro: Record:2007. Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro, 2008.

En antologías:

A Novíssima Poesia Brasileira, II. Org. Walmir Ayala. Rio de Janeiro: Cadernos Brasileiros, 1965.
Antologia da Poesia Brasileira Contemporânea. Org. Carlos Nejar. Lisboa: Imprensa Nacional / Casa da Moeda, Col. Escritores dos Países de Língua Portuguesa, n.º 6, 1986.
Palavra de Poeta. Org. Denira Rozário. Rio de Janeiro: José Olympio, 1989.
Antologia da Poesia Brasileira. Org. Antônio Carlos Secchin, trad. Zhao Reming. Pequim: Embaixada do Brasil / Fundação Biblioteca Nacional, 1994.
Sincretismo. A Poesia da Geração 60. Introd. e antologia de Pedra Lyra. Rio de Janeiro: Topbooks/Fundação Cultural de Fortaleza/Fundação RioArte, 1995.
Modernismo Brasileiro und die Brasilianische Lyric Gegenwart. Org. e trad. Curt Meyer-Clason. Berlim: Druckhaus Galrev, 1997.
Poesia Fluminense do Século XX. Org. Francisco Assis Brasil. Rio de Janeiro: Imago / Fundação Biblioteca Nacional / Universidade de Mogi das Cruzes, 1998.
41 Poetas do Rio. Org. Moacyr Félix. Rio de Janeiro: Funarte, 1998.
Antologia de Poetas Brasileiros. Org. Mariazinha Congílio. Lisboa: Universitária Editora, 2000.
Literatura Portuguesa e Brasileira. Org. João Almino e Arnaldo Saraiva. Porto: Fundação Calouste Gulbenkian, 2000.
Antologia da Poesia Brasileira Contemporânea. Org. Álvaro Alves de Faria. Coimbra: Alma Azul, 2000.
Santa Poesia. Org. Cleide Barcelar. Rio de Janeiro: Casarão Hermê / MM Rio, 2001.
Poesia Brasileira. Org. Floriano Martins e trad. Eduardo Langagne. Cidade do México: Alforja, XIX, Invierno, 2001.
Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século. Org. Ítalo Moriconi. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
Os Cem Melhores Poetas Brasileiros do Século. Org. José Nêumanne Pinto. São Paulo: Geração Editorial, 2001.
Cem Anos de Poesia. Org. Claufe Rodrigues e Alexandra Maia, 2 vols. Rio de Janeiro: O Verso Edições, 2001.
Poesia Brasileira do Século XX.  Dos Modernos à Actualidade. Org. Jorge Henrique Bastos. Lisboa: Antígona, 2002.
Scrittori Brasiliani, a cura di Giovanni Ricciardi. Napoli: Tullio Pironti Editore, 2003.
Perfil da Grécia em Poetas do Brasil. Seleção de Stella Leonardos. Org. e notas bibliográficas de Teresa Cristina Meireles. Rio de Janeiro: Consulado Geral da Grécia / Francisco Alves, 2004.
Pescando Peixes Graúdos em Águas Brasileiras. Org. Geraldo Pereira. Goiânia: s/ed., 2004.
Poesia Viva em  Revista. Rio de Janeiro: Uapê, 2008.

Ensayos:

Testamento de Pasárgada (antologia crítica da poesia de Manuel Bandeira). Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980. 2.ª ed. revista. Rio de Janeiro: Nova Fronteira/ABL, 2003.
Dias Idos e Vividos (antologia crítica da prosa de não-ficção de José Lins do Rego). Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1981.
À Sombra de Orfeu. Rio de Janeiro: Nórdica / INL, 1984. Prêmio Assis Chateaubriand, da Academia Brasileira de Letras, 1985.
O Encantador de Serpentes. Rio de Janeiro: Alhambra, 1987. Prêmio Nacional de Ensaísmo Literário, do Instituto Nacional do Livro, 1985.
Prosa Dispersa. Rio de Janeiro: Topbooks, 1991.
O Signo e a Sibila. Rio de Janeiro: Topbooks, 1993.
O Fio de Dédalo. Rio de Janeiro: Record, 1998. Prêmio Oliveira Lima, da UBE, 1999.
Baudelaire, Eliot, Dylan Thomas: Três Visões da Modernidade. Rio de Janeiro: Record, 2000.
Escolas Literárias no Brasil(coord.) Rio de Janeiro: ABL/ Coleção Autregésilo de Athayde,2t.,2004.
Ensaios Escolhidos. São Paulo: A Girafa, 2005. 2 v.
Roteiro da Poesia Brasileira. Anos 30 (seleção e prefácio). São Paulo: Global, 2008.
Cinzas do Espólio. Rio de Janeiro: Record, 2009. Prêmio Jabuti 2010.
João Cabral de Melo Neto. Rio de Janeiro: ABL/ série Essencial, 2010.

Traducciones:

Quatro Quartetos, de T. S. Eliot (com introdução e notas). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1967.
T. S. Eliot. Poesia (com introdução e notas). Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1981. 8.ª edição.
A Obra em Negro, de Marguerite Yourcenar. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1981. 6.ª edição.
Como Água que Corre, de Marguerite Yourcenar. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982.
Prólogos. Com um Prólogo dos Prólogos, de Jorge Luis Borges. Rio de Janeiro: Rocco, 1985.
As Flores do Mal, de Charles Baudelaire (com introdução e notas). Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985. 10.ª edição.
Albertina Desaparecida, de Marcel Proust. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988.
Ensaios, de T. S. Eliot (com introdução e notas). São Paulo: Art Editora, 1989. Menção honrosa do Prêmio Jabuti, 1990.
De Poesia e Poetas, de T. S. Eliot (com introdução e notas). São Paulo: Brasiliense, 1991.
Poemas Reunidos 1934-1953, de Dylan Thomas (com introdução e notas). Rio de Janeiro: José Olympio, 1991. Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (1991) e da Biblioteca Nacional (1992). 2.ª ed., revista, Rio de Janeiro: José Olympio, 2003.
Doze Tipos, de G. K. Chesterton (com introdução e notas). Rio de Janeiro: Topbooks, 1993.
Poesia Completa. T.S. Eliot (com introdução e notas). Ed. bilíngüe. São Paulo: Arx, 2004. Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, 2005.
Suas traduções dos poemas de Baudelaire e de Leopardi constam das edições das obras reunidas desses dois autores, publicadas, respectivamente, em 1995 e 1996 pela Nova Aguilar.



Traducciones de Francisco Hernández Avilés

Tal vez el viento sepa

Tal vez el viento sepa de mis pasos,
de las sendas que mis pies ya no transitan,
de las olas cuyas crestas no desbordan
más que la sal que escurre de mis brazos.
Las sirenas que escuché no despiertan más
la cálida pasión de mis abrazos,
y lo que la infancia tejió entre sargazos
las agujas del tiempo ya no bordan.
Sólo veo sobre la arena vagos trazos
de todo lo que mis ojos mal recuerdan
y los dientes,  por inútiles, no aceptan
siquiera masticar ni los bagazos.
Tal vez se acuerde el viento de esos lazos
que la dura mano de Dios hizo pedazos.




La consolación de los huesos

Vi a mi padre en las fajas de neblina.
Estaban tan frías sus manos difuntas,
estaban terribles sus cuencas vacías.
Vi  a mi padre, su voz casi inaudible,
llamándome a su desvalido regazo
y la frente ciñéndome con una aureola
de flores y de ramos ya marchitos.
Vi a mi padre. Y sonreía.
Sus labios se entreabrían como lirios
desde alguna extinta y lívida hondonada.
Sus pies inmensos recorrían la distancia,
y lo que entre nosotros fue conflicto y abismo
ahora se fundía en íntima convivencia.
Vi a mi padre. Le vi su locura, las piernas
finas, su carraspera, su edema, la hipocondría.
Y los caballos, los naipes, el vino.
Era él, no a quien yo había visto un día
inútil y seráfico en el ataúd,
adornado con llamas y espinas.
Vi a mi padre. Era un prodigio
que encantaba a damas y niños,
y en una esfera aprisionara un grito.
Vi a mi padre. Era un dandy y un mendigo.
Partió veloz al atardecer. El cielo
se deshacía en púrpura y agonía.
Se ha ido. Ahora es lágrima y delirio.


Extraído de BLANCO MÓVIL, n. 75. México, DF, Primavera de 1998. “Poetas de Brasil”.






Eu sou apenas um poeta
a quem Deus deu voz e verso.
Na infância, quando fui relva,
sentia os pés dos efebos
a calcar-me as frágeis vértebras
e colhia das donzelas
o frêmito que, venéreo,
era um augúrio da queda.

Depois, quando fui cipreste,
vi como o vento, em seus dédalos,
cingia-me a áspera testa
e tangia-me as idéias
que nos ramos, vãs quimeras,
pousavam como uma névoa,
úmidas ainda das trevas
e do abismo de que vieram.

Quando fui córrego, as pedras
me ensinaram que o critério
do que em tudo permanece
nunca está nelas, inertes,
mas nas águas que se mexem
com vário e distinto aspecto,
de modo que não repetem
o que antes foi ( e era breve).

Quando enfim galguei o vértice
de alguém que eu mesmo não era,
compreendi que esse processo
de sermos outros (e até
termos em nós outro sexo)
nada em si tinha de inédito:
já se lia no evangelho
de um deus ambíguo e pretérito.

E assim fui sendo esse leque
de coisas fluidas e inquietas,
jamais levianas, bem certo,
mas antes, em seu trajeto,
vertentes as mais diversas
de um só e única célula:
a da matriz que não é
senão seu próprio reverso.

Espelho de meus espectros,
urna de engodo e miséria,
alma sôfrega e sem tréguas,
osso escasso no deserto
onde jejua um profeta,
solidão, infâmia e tédio
- eu sou apenas um poeta
a quem Deus deu voz e verso.






Não vês, meu pai, que estou ardendo,
e ardendo é que entro no teu sonho
em busca do que em mim suponho
ser essa luz que vou perdendo?

Não vês que ao pé de ti me ponho
para que saibas como é horrendo
na chama lúbrica ir lambendo
enquanto às trevas me disponho?

Não vês que, morto, estou vivendo
em meio às névoas do teu sonho,
onde sem dor me recomponho
e com teu sangue afim me entendo?

Não vês, meu pai, que a vida é sonho
e que só nele foi se erguendo
da morte quem a teve, ardendo,
e enfim triunfou sobre o medonho?






Na manhã fria e nevoenta,
inesperada dádiva neste verão que calcina
até mesmo a áspera pele das pedras,
pergunto-me afinal se valeu a pena
a aposta que fiz no infinito e na beleza,
em Deus e na eternidade, na poesia
que me abandona agora à própria sorte
na extrema fronteira entre a vida e a morte.
E um pássaro pousado em meu ombro
responde: não há vida nem morte, mas apenas
o sonho de alguém que, numa viagem,
julgou estar em busca do eterno,
sem saber que o que nos cabe
( e o que somos, tão fugazes)
é, se tanto, uma escassa chama que arde
e se apaga ao fim da tarde.







A tênue luz vai-se apagando
em meio à branda lã dos ramos.
Um pássaro, súbito, canta
uma canção de desencanto
que se dissipa na distância
e ecoa no ermo das montanhas
como a inaudível voz da infância.

A tênua luz em que pulsamos
nas águas sombrias de um pântano
e que não dura mais que o instante
que é a nossa vida, sempre diante
da morte, na estrita esperança
de uma outra luz que nos alcance,
pura e soberana. Mas quando?








E caem sobre ti as folhas mortas
nesta pálida tarde em que navegam
vozes sem dono, brisas que carregam
o eco fugaz de antigas ruas tortas,
onde duentes e espíritos se apegam
ao que resta de luz por sob as portas
de pardieiros em cujas ermas hortas
crescem apenas cardos que nos cegam.
Tudo sucumbe ao teu domínio. Cortas,
de um golpe, as raras vênulas que regam
esses despojos com que não te importas
e que ao deserto a sua sorte entregam.
Confessas que a ninguém jamais confortas,
pois caem sobre ti as folhas mortas.







E então fui ver-te neste dia escuro,
de céu nevoento e chuva pesarosa,
de ninguém pelas ruas, de uma rosa
que se inclinava, seca, sobre o muro.
Apenas tu e a morte, mote e glosa,
ali, no pátio nu, onde o futuro,
o teu, fosse talvez algo mais duro
do que a infância que te coube, anfractuosa.
O mar em tuas veias se entrelaça
à espuma em que, tritão, és como a inquieta
e atormentada alma que tens, de poeta,
de alguém que à morte um dia argueu a taça,
quando tudo era vórtice e presságio
 - e agora é só lembrança do naufrágio.







Eu te amo tanto que não pode o peito
conter dentro de si amor tão vasto.
E te amo há tanto que do amor me basto,
sem fêmea alguma que arda no meu leito
ou lembrança que ali sirva de pasto
às larvas de um desejo satisfeito
e que, farto de si, seja perfeito,
como perfeito é o vértice onde o engasto.
Eu te amo desde aquele agudo instante
em que tudo se faz irreal e eterno,
pouco importa se o céu ou o duro inferno,
posto que um nunca do outro está distante.
E assim é porque a mim tocou-me a sina
deste amor que me cega e me ilumina.






O que é a imortalidade?
Um sopro que nos carrega
para os confins da orfandade,

onde o espírito se nega
e de si já não recorda
após a última entrega?

Que luz é a que nos acorda
quando a morte, em dada hora,
bate à porta e chega à borda

do ser que se vai embora,
mas crê que não vai de todo,
pois do invólucro que fora

algo fica em meio ao lodo
que lhe veste o corpo morto
com a púrpura do engodo?

E o que cabe ao que foi tordo
e nunca exigiu conserto?
Irá chegar a algum porto?

Será que na alma um aperto
não lhe purgou a maldade
quando do fim se viu perto?

O que é a imortalidade?
Uma insígnia, uma medalha
com que se louva a vaidade?

Ou não será a mortalha
que te poupa só a cara
escanhoada a navalha?

Será talvez a mais rara
das obras que publicaste
ou da crítica a mais cara?

Será isso, já pensaste,
a herança em que se resume
o que aos amigos deixaste?

Esquece. Sente o perfume
de algo que se fez distante:
alguém que já foste, o gume
de teu olhar relutante
quando viste, no ermo cais,
que o tempo que segue adiante

é o mesmo que volta atrás
e embaralha a realidade,
e a desmantela, e a refaz.

É isto a imortalidade:
esse eterno e estranho rio
que corre em ti e te invade.

E o mais é só o pavio
de um lívido círio que arde
no insuportável vazio

que enche toda a tua tarde.




No hay comentarios:

Publicar un comentario en la entrada