viernes, 27 de junio de 2014

ILDÁSIO TAVARES [12.084]


Ildásio Tavares

Ildásio Tavares (Gongogi, 25 de enero de 1940 - Salvador, 31 de octubre de 2010) fue un poeta, novelista, dramaturgo, ensayista y compositor de Brasil. 

Bibliografía 

Poesía:

Somente um Canto (1968)
Imago, (1972)
Ditado, (1974)
O Canto do Homem Cotidiano, (1977)
Poemas Seletos, (1977)
Tapete do Tempo (1980)
A Ninfa (1993)
Odes brasileiras (1998)
Nove sonetos da Inconfidência (1999)
Flores do Caos, sonetos, (2008)

Traducción:

Jonathan Swift:O amor é um pássaro selvagem - 2004)

Novelas, cuentos y crónicas:

O Domador de Mulheres, Romance, (2003)
O amor é um pássaro selvagem, Contos, (2004)
Até que a morte os una, Novela, (2004)
Lídia de Oxum, Teatro, (2005)

Ensayos:

A Arte de Traduzir (1994)
Nossos colonizadores africanos, (1995)
Candomblés na Bahia (2000)




Extraídos de la
ANTOLOGÍA DE LA POESÍA BRASILEÑA
Org. y traducción de Xosé Lois García
Santiago de Compostela: Ediciones Laiovento, 2001



TU DUNA

arqueo de miel
         sobre lo blanco
coaduna
         este ardor que me brota
                            em el flanco
que provoca en mi cuerpo el arranque
el vibrar del pincel
em esta tela de miel,
caracol de papel
(allá en el fondo el anillo)
mar y cielo.

Tu duna.

Luz Oblíqua (1982-1988)






ESTAMOS

no somos,
               estamos;
                            tumulto-hongo

a la orilla del sol,
rasgo de espanto,
                            meta,
desespero—
                   estamos
no cumplimos,
                   no amamos,
                                      no criamos.
Ditado (1973)






TERCETOS

El deseo continúa
en el seno de otro deseo
uno es el otro, el otro es uno.

En el seno de otro deseo
el deseo se conforma
tigre es presa; presa es tigre.

Mi deseo permanece
en el seno de tu deseo
yo soy tú; tú eres yo.

Por el filo del deseo
es por lo que somos y no somos
sueño de todo en nada.







                        FP BRASIL 88

                   Navidad, en las calles calor.
                   En los hogares destrozados,
                   una frialdad sin color
                   congela dulces pasados.

                   Corazón sal al mundo.
                   ¡cómo ser solo es verdad!
                   En mí mismo me redundo:
                   de nada sirve la nostalgia.

                   Y cómo atrae y fascina
                   el presente que no sé,
                   visto detrás de la vitrina
                   de la tienda en que no entré.

                               Breviário (1988-1995)






TUA DUNA

arqueio de mel
         sobre o branco
coaduna
     este ardor que me brota
                            no flanco
que provoca em meu corpo o arranco—
o vibrar do pincel
nesta tela de mel,
caracol de papel
(lá no fundo o anel)
mar e céu.

Tua duna. 

            Luz Oblíqua (1982-1988)





ESTAMOS

não somos,
               estamos;
                            tumulto-cogumelo

à beira-sol,
rasgo de espanto,
                            meta,
desespero—
                   estamos
não cumprimos,
                   não amamos,
                                      não criamos.
         Ditado (1973)





TERCETOS

O desejo continua
no seio de outro desejo
um é o outro; o outro é um.

No seio de outro desejo
o desejo se conforma—
tigre é presa; presa é tigre.

Meu desejo permanece
no seio do teu desejo—
eu sou tu; e tu és eu.

Pelo gume do desejo
é que somos e não somos—
sonho de tudo em um nada.





FB BRASIL 88

Natal, nas ruas calor.
nos lares despedaçados,
uma frieza sem cor
congela doces passados.

Coração sai pelo mundo.
Como ser só é verdade!
Em mim mesmo me redundo:
de nada serve a saudade.

E como atrai e fascina
o presente que não sei,
visto detrás da vitrina
da loja em que não entrei. 

            Breviário (1988-1995)





Quando eu nasci, já recebi a cruz,
   plantada no caminho á minha espera,
   a projetar a sua sombra austera
   onde eu busquei sedento paz e luz

Quando eu nasci, já recebi Jesus
   como anúncio de dor e primavera.
   Mas era uma outra luz; uma outra esfera —
   meu caminho, não sei onde conduz.

Resta-me a cruz e a dura provação
   dos espinhos da vida, triste dança
   de enganos, dissabores, ilusão.

que penetram-me o peito feito lança
   e afastam a luz que a vista não alcança —
   numa só chaga pulsa o coração.





Canto de azul e de verde

Canto
        de azul e de verde e de verde e de azul
abertos ao deslumbre
                  dos olhos, 
        regaço
                 ao deslize do corpo.


Canto Leste, 
                 mais forte, 
Sudoeste, 
         meiguice
                 em salpico de ilhas
         e clareza de sol
Canto Leste, no entanto, leva os ventos à fonte, 
         da magia e mistério.
Sudoeste, cercado
                  de antigos tesouros, 
                                   dorme paz de almadias
                  caravelas saveiros, 
        e desperta em tumulto;
                                   motores e máquinas
                gargalhando ao passado —
Canto azul, verde azul, esteirado
                                  de branco, 
                espumado em silêncio
                                            ao fermoso das quilhas.





Canto do homem cotidiano

Eu canto o homem vulgar, desconhecido
Da imprensa, do sucesso, da evidência
O herói da rotina,
O rei do pijama,
O magnata
Do décimo terceiro mês,
O play-boy das mariposas
O imperador da contabilidade.

Esse que passa por mim
Que nunca vi outro assim.

Esse que toma cerveja
E cheira mal quando beija.

Esse que nunca é elegante
E fede a desodorante.

Esse que compra fiado
E paga sempre atrasado.

Esse que joga no bicho
E atira a pule no lixo.

Esse que sai no jornal
Por atropelo fatal.

Esse que vai ao cinema
Para esquecer seu problema.

Esse que tem aventuras
Dentro do beco às escuras.

Esse que ensina na escola
E sempre sofre da bola.

Esse que joga pelada
E é craque da canelada.

Esse que luta e se humilha
Pra casar bem sua filha.

Esse que agüenta o rojão
Pro filho ter instrução.

Esse que só se aposenta
Quando tem mais de setenta.

Esse que vejo na rua
Falando da ida a lua.

Eu canto esse mesmo, exatamente
Esse que sonhou em, mas nunca vai
Ser:
Acrobata,
Magnata,
Psiquiatra,
Diplomata,
Astronauta,
Aristocrata.
(É simplesmente democrata)
Almirante,
Traficante,
Viajante,
Caçador de
Elefante
(Vive só como aspirante)
Pintor, compositor
Senador, sabotador
Escritor ou Diretor
(É apenas sonhador)
Pistoleiro,
Costureiro,
Terrorista,
Vigarista
Delegado,
Deputado,
Galã na tela
Ou mesmo em telenovela, 
Marechal,
Industrial,
Presidente,
Onipotente,
(Ele é simplesmente gente) 
E, inconsciente marcha pela vida 
buscando no seu bairro
Na cidade lá do interior,
No escritório, consultório
No ginásio,
Na repartição,
Na rua, no mercado, em toda a parte 
Somente uma razão
Para poder dormir com a esperança 
E de manhã, na hora do encontro 
Com o espelho, ao fazer a barba, 
Ver o reflexo do campeão,

Mas que, na frustração cotidiana,
Vai encontrando aos poucos sua glória
Por isso eu canto a luta sem memória
Desse homem que perde, e não se ufana
De no rosário de derrotas várias
E de omissões, e condições precárias
Poder contar com uma só vitória
Que não se exprime nas mentiras tantas
Espirradas sem medo das gargantas
Mas sim no que ele vence sem saber
E não se orgulha, campeão na história
Da eterna luta de sobreviver.





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