miércoles, 21 de mayo de 2014

LEONARDO FRÓES [11.764]


Leonardo Fróes 

(Itaperuna, BRASIL   1941) es un poeta, traductor, periodista, naturalista y crítico literario brasileño. 

Leonardo Fróes vivió su juventud en la ciudad de Río de Janeiro. Desde los 18 años es periodista, editor de la Revista de la Brasil, O Globo, así como de la Encyclopaedia Britannica. Diez años más tarde se relacionó con el Jornal da Tarde, en São Paulo, donde firmó la columna verde. En ese momento, fue uno de los primeros en transmitir en Brasil la conciencia ecológica.

Vivió algunos años en Nueva York y algunos países europeos.

La traducción es su ocupación principal. Ha traducido al portugués libros de William Faulkner, Malcolm Lowry, DH Lawrence, Tagore, George Eliot, Lawrence Ferlinghetti, etc. También tradujo libros de expertos en ciencias de la naturaleza, como el ornitólogo Helmut Sick y Edward Osborne Wilson.


Bibliografía 

Poesía

Língua Franca , 1968
A Vida em Comum , 1969
Esqueci de Avisar que Estou Vivo , 1973
Anjo Tigrado , 1975
Sibilitz , 1981
Assim , 1986
Argumentos Invisíveis , 1995
Um Mosaico Chamado a Paz do Fogo , 1997
Quatorze Quadros Redondos , 1998
Chinês com Sono Seguido de Clones do Inglês , 2005

Cuentos

Contos Orientais: Baseados em Fontes da Antiga Ásia , 2003

Biografías

Um outro. Varella , 1990

Traducciones

Tukaní, Entre os animais e os índios do Brasil Central de Helmut Sick , 1977
Um Parque de Diversões da Cabeça , de Lawrence Ferlinguetti , 1984
Poemas de DH Lawrence , 1985
O Casamento e outros contos , de Rabindranath Tagore , 1992
À sombra do vulcão , de Malcolm Lowry , 1992
O Intruso , de William Faulkner , 1995
Os anos loucos , de William Wiser , 1995
Em busca de Marcel Proust de André Maurois , 1995
O Naturalista de Edward Osborne Wilson , 1997
Middlemarch , de George Eliot , 1998
Panfletos Satíricos , de Jonathan Swift , 1999
Trilogia da Paixão , de Goethe , 1999
O triunfo da vida , de Percy Bysshe Shelley , 2001
Merton na Intimidade Sua Vida Em Seus Diários , de Thomas Merton , 2001
Esquetes de Nova Orleans , de William Faulkner , 2002
Contos Completos , de Virginia Woolf , 2005
O Africano , de Jean-Marie Gustave Le Clézio , 2007
Contos Completos , de Flannery O'Connor , 2008
Refrão da Fome , de Jean-Marie Gustave Le Clézio , 2008
Pawana , de Jean-Marie Gustave Le Clézio , 2009
Memórias do Abade de Choisy vestido de mulher , de François-Timoléon de Choisy , 2009
A árvore dos desejos , de William Faulkner , 2009








FUE A QUEMAR LIBROS VIEJOS Y
EN LA VALIJA HALLÓ UN COLIBRÍ

Silencio.
Entre los fantasmas descubrí un colibrí muerto de frío.
Contar el caso también me da mucho frío.
Mas mi muerte – silencio – no estaba.
Entonces quemé el moho de las situaciones.
Por si fuera poco en la tarde yo jugaría con el alcohol del incesto.
Todas las llamas chispeaban;
admiré sobre todo la resistencia de los papeles atizados.
En ese fuego por mí quedaban muchas preguntas. Silencio.
Ninguna respuesta provisional me satisfizo.
Los fantasmas dirían que ésa era mi condición.
Las tías conversaban cerca,
pero no estaban, silencio,
y en playa la momia pronunciaba presentimientos
que intuí después.
Ahora las aspas del poeta alemán
la eternidad del poeta francés;
todo eso quemé.
Quemé la maleta repleta de libros e inventé la palabra
praticolombinasana. Naturalmente, con eso no resolví gran cosa.
Silencio. No se resolvió mucho,
Naturalmente.

Traducción de Hector Carreto 
Poema extraído de ALFORJA – REVISTA DE POESÍA, México, n. XIX invierno 2001, de una edición dedicada al Brasil, con selección de Floriano Martins.






SONO LIVRE

Cada vida na varanda
quando eu deito na morte
irmão das almas

Calmas caras caladas
olham pelo travesseiro de banda
que é a minha nuca

A calma das caras loucas
imprime sentido a tudo
olhos estrelados
piscam no travesseiro-cérebro

Durmo na grade
do princípio obscuro,
vou virando pedra e livre
vou virando um cisco





ESTAR ESTANDO

A impressão de estar, o lento
espanto que se repete. Aqui e onde, eis como
povôo ao mesmo tempo dois espaços
ou, mais que isso, passo a noite inteira
vivendo as sensações de um fragmento
que me é próprio, ou é-me o corpo todo,
e de repente vai sem deixar marca
entre o que foi e o há de ser. Deslizo
nessa fronteira vã que não separa
nada e ninguém, passado nem presente, simples
e uniforme
faixa de areia da qual jorram palavras,
visões, retratos, intenções. É sempre agora
e nunca, sempre sono e manhã, sempre uma coisa
que num jogo dual se nulifica
para sobrar de nós sempre esse caldo
de frustração e medo -  ou de esperança.





PAISAGEM VOANDO PARA O ORGASMO

Trens sonolentos resfolegam
na gare do escuro rostos antigos se alumbram
e nos sorriem discreta-
mente a razão se estilhaça os sentidos
se destapam os cheiros se condensam os sabores
se associam ao cuspe a vida nos penetra o vento
nos penteia  e espalha
por coloridas areias os dias nos dividem
os horários nos limitam a memória escasseia o mar
devolve ondas vazias
em que já fomos levados
nas noites frias de outrora o outro espia o outro espera o outro
nos sedimenta em nosso desvario
e ensina um corpo à solidão  
o outro ampara a nossa queda beija
nossos pudores e a boca
sempre entupida de espanto o canto explode
o gato canta a cama range o ar se fende o riso
nos comunica o gosto diferente
desse gesto largado o riso alarga eleva desarruma as gavetas
de nossa servidão coitidiana.






MISSAL SEM CERIMÔNIA

Certo ar de falência, certa estrela
na testa, certa sorte bifronte, certos
objetos entesourados
no fundo de uma mala, certa mágoa
ambígua, o som de certos ambientes, a
impressão incerta de estar numa
travessia sem freios, a defesa
de certos itens na lembrança
caolha, certos
calafrios sem causa, o grau
de inocência e tristeza em certas horas
sombrias, a importância de certos
detalhes, a pergunta não-feita e sua certa
resposta incerta, o brilho
anterior a certos sinais dados
pela palavra espanto. 


Extraído de FRÓES, Leonardo.  ESQUECI DE AVISAR QUE ESTOU VIVO.  Rio de Janeiro: Artenova; Brasília: INL, 1973. 46 p.




Retrato do autor: Eurico Abreu, óleo 1961


METACOMEDIA

a boca da rua aberta comia amor e pipoca
depois ia cuspir um cavalo na cabeça da fila
fálica do sono dos ônibus com olhos-engates
gozadamente se cumprimentando sorrindo
na crina da velocidade sem meta, e motos
raspavam na brecha roxa da nicotina contida
em cada beijo de sorvete-soquéte uma vitrine
de meias tardes fantas meias tintas vontades
adocicadas de passar escorrer iluminar
de pipoca gratuita o mar das caras
fechadas de madames-fachadas que também
ali seriam derretidas virando
uma esquina e papéis, cavalo e motos, rótulos
puxados para Jogo esquecer qualquer lugar
na platéia da boca: aplausos falas urros
sarros corridos entre os carros e a lua
vigésima de neoplástico imposta aos pés doídos
de todos os que estavam vagindo
                                      vagando
vertendo, do mistério do céu, seu pó mais fino
que não tinha função e no entanto moldava
essa nossa comédia que é o pão dos divinos.






EU E OS CABIDES DO DESTINO

tudo cedo parado: e eu novamente confuso
usando a roupa de um fantasma tremido suando
de andar por dentro de uma árvore aberta
muito imprecisa e sem qualquer novidade
que fosse idêntica às dentadas do sono
ou aos cabides do destino abalados
pelo sinal de alguém entrando tremido
gemer no meu desejo dançado assim que eu
próprio pensando amargurado o mastigue
sentidamente absoluto e marcado usando
o tição da roupa etérea de um tardo
fantasma juvenil que me devora também
suando de andar no caule ambíguo dos meus
braços longos e rasos
         rasos e longos
na tentativa de virar uma árvore onde
antes havia simplesmente essa dúvida
de dar ou receber os meus frutos
que são pessoas fugitivas do acaso.







A POESIA E A MATANÇA DOS MOSQUITOS

Cada poema original que escrevo à máquina contém pelo menos 2 ou 3
cadáveres de mosquitos esfregados no rolo.
Isso porque escrevo muito de madrugada com a luz acesa .
Antes de amanhecer eu apago para espiar a mutação de cores.
Meu editor um dia vai receber a coleção completa.
Parece que Pablo Neruda colecionava por sua vez caramujos.
Uma senhora que me visitou outro dia achou que tenho alma de artista.
Como as pessoas são boas observadoras agora.
Os meus cachorros latem muito de noite quando estou escrevendo.
Eu acho isso muito chato porque fico tenso.
Às vezes eu penso que vai sair do mato um macacão enorme.


Extraídos de FROES, Leonardo. ASSIM MISSA. Rio de Janeiro: Xanadu, 1986.  78 p.





De
ARGUMENTOS INVISÍVEIS
Rio de Janeiro: Rocco, 1995.
ISBN 85-325-0576-7

“Todo grande poeta — e Leonardo Fróes, sem favor algum, é um deles  — se renova na repetição, no aprofundamento de seus temas e problemas, na cristalização de sua linguagem e de seu estilo.” Ivan Junqueira, da Academia Brasileira de Letras


DIA DE DILÚVIO

Quando chove assim tão seguidamente na serra
e começa a pingar água na casa e a goteira
cresce e a pia entope e alaga o chão,
quando não cessa esse barulho insistente
de água penetrando em tudo e rolando,
sinto uma desproteção total violenta
e eu mesmo sendo dissolvido também
nessa casa alagada, não me acho
enquanto solidez: vou flutuando
como onda inconstante na correnteza.






UM PASTEL CHEIO DE DEDOS

Antes de chegar a Jardel, parei para comer um pastel
do qual, quando mordi, saíram pernas bonitas
de garotas fritas, mais um caroço de azeitona que comi também
sem pensar que loucura
um pastel erótico sentimental com cerveja que espremia
não só as pernas como também braços e cabelos no balcão do bar
eu não sabia se pedia um pano um balaio
comecei a ficar encabulado de tantas de uma só mordida
não sabia se botava no bolso ou se distribuía na rua
deus do céu que situação penosa
corpos em quantidade escorrendo do recheio de queijo
pela comissura dos lábios,
e eu, em terra estranha, tendo de parecer que era apenas
um idiota se babando com pastel fresco.


Indicado por Wagner Barja.  Maio 2007








LEONARDO FRÓES
LEONARDO FRÓES

De
OS IRREAIS
poemas
Rio de Janeiro: Impressões do Brasil; 
Leonardo da Vinci Livraria, 1997
(Edição especial de 100 exemplares)




AMBIÇÕES DE ASSOMBRAÇÕES

Incertos os galhos tortos, você
vê, armam-se como esqueletos
de silenciosa e fria carnadura
como se, no escuro, de cada galho
surgissem numerosas pessoas
vendo você observá-las na sua
desabitada languidez vegetal
de pessoas nuas resinosas
querendo corporificar sem poder
gestos aflitos, ritos solitários
músicas de imperceptível tremor
e, naturalmente, a semente da morte
inoculada por cada criatura
no seu próprio olho desmesurado.






RADIAL X

Surto absurdo absorto
ânsia de presença maciça
massa musical momentânea
tonalidades dispersivas da luz
musculatura brutalidade candura
durações do pensamento no éter
formoso remorso da geometria
quebra de situações pontuais
espelhos sutis homologados
sismografias dissolutas
ânimo indeterminado dos ares
voracidade das vontades.






LEONARDO FRÓES

De
VERTIGENS
Obra reunida (1968-1998)
Rio de Janeiro: Rocco, 1998

“Uma das vidas de acesso mais ricas à obra de Leonardo Fróes é a sua obsessão carinhosa pela Natureza. O poeta se sabe — como Kant — “um pau torto que jamais endireita” (“Pernoitório”, Anjo tigrado) exibe em seus textos, um corpo-a-caorpo com a realidade metafísica do homem: paricialidade e perpexidade.  Mas, ao mesmo tempo, a alarga até um confronto, respeitoso, com o Absoluto da Natureza. Se Deus pôde ser “uma casa de marimbondos”, “uma árvore”, “uma flor que se movimenta” ou até “um cão danado” (“Justificação de Deus”, Sibilitz), é porque a Natureza, em Fróes, detém a chave dos impasses humanos”. José Thomaz Brum





MISSAL SEM CERIMÔNIA

Certo ar de falência, certa estrela
na testa, certa sorte bifronte, certos
objetos entesourados
no fundo de uma mala, certa mágoa
ambígua, o som de certos ambientes, a
impressão incerta de estar numa
travessia sem freios, a defesa
de certos itens na lembrança
caolha, certos
calafrios sem causa, o grau
de inocência e tristeza em certas horas
sombrias, a importância de certos
detalhes, a pergunta não-feita e sua certa
resposta incerta, o brilho
anterior a certos sinais dados
 pela palavra espanto.







RELAÇÕES DE ESTRANHAMENTO

A enxó o giz o grilo o cinzeiro
a cruz a carcaça a desova
a honra os retratos a herança o remorso
a usura o anzol o sono
e sua pesca de anseios afogados
no açude da infância o gosto
de sono das palavras

que nos ferem a mente o riso o vômito
a lâmpada o fosso o paraíso os espelhos
que de repente derramam nossos olhos
pela face barbeada de um estranho.







ABERTO PARA OS DEDOS DE DEUS

se eu fizer pelo menos a manhã começar
dos meus cabelos e tirar mais um pouco
da última fatia e não ficar lamentando
a primeira oportunidade perdida, e se eu não der
bola para os preconceitos que me reduzem até
eu mesmo achar que sendo um ser humano eu me explico
na complicação cósmica desses bagaços distantes
que são tão simples,
se eu realmente não puser mais o pé na fantasia
do dia que está à minha espera e represa
tantas demonologias ferozes que eu esqueço de olhar,
se eu não ficar completamente maluco
por isso e o desejo de cumprimentar
deus em pessoa.








PREOCUPAÇÕES PALACIANAS

Mulheres muitas carregando pesados
papéis e leves grampeadores passam
com ar febril dos mais atarefados.
                                                Soldados
perfilam-se nos corredores.
Senhores
entram apoiados em negras
malinhas trepidantes e paletós quadrados.
A secretária atura desaforos e cala. O boy
espreme espinhas pela sala, com sono.
Há uma pilha de pastas em cada mesa.
Em cada coração, um vazio.
A hora do café no copinho
de plástico é a salvação da lavoura.




“Sem dúvida, Fróes é um dos meus poetas favoritos. A um tempo substantivo e divagante, desconcertante e até anti-metafórico no sentido da contradição e do humour (leiam, acima, o excelente poema “Preocupações palacianas”...), com sentido sempre desdobrável e nunca óbvio. Consegue ser simples por sofisticadas texturas.” Antonio Miranda


FROES, Leonardo.  Sibilitz.  Rio de Janeiro: Editorial Alhambra, 1981.  96 p.  14x21 cm.  Diagramação e capa: Maria Luiza Ferguson.  Col. Bibl. Antonio Miranda. 


PASSAMANARAGEM

          O passado — que não existe — é talvez
minha única invenção gloriosa. Por ele eu crio algumas linhas
          que me iludem na dissolução
          da hora presente sem finalidade.
Por não lembrar de mais nada, exatamente como foi,
          eu falsifico uma pessoa
          que tende a ser melhor do que eu sou
          e a agir brilhantemente
          em qualquer aperto.
Minha ideia de mim é como a história
          de um país que se idolatra em seus morros
          enforcados ilustres.
Afirmo ter estado nas paisagens do armário
          que sonhei ou são
mas não encontro jamais uma das caras possíveis
          por essa peregrinação da cabeça
          em minhas sendas.
Só a hora presente é o meu país sem progresso
          e sem grandeza.
          Só as aves entendem
          o que estou olhando ao longe
          sem pensar mas sentindo
          minha insignificância perfeita.


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