jueves, 3 de abril de 2014

CARLOTA DE BARROS [11.442]


CARLOTA DE BARROS 

Carlota de Barros Fermino Areal Alves nació en Fogo Island, CABO VERDE el 24 de enero de 1942. Durante la infancia vivió en las islas de Fogo, Brava, São Nicolau y São Vicente. En 1949 se trasladó con su familia a Mozambique, donde permaneció hasta 1957, año en que fue a Portugal. En este país se graduó en Filología Alemana de la Facultad de Letras de la Universidad de Lisboa. Vive en Portugal desde 1974, pero constantemente visita su país.

Carlota de Barros es columnista de Jornal Artiletra, ha publicado textos en Pre-Textos y otras revistas de Artes y Letras. En 2000, publicó su primer libro de poesía, "La Ternura de agua"; publicado en 2003: "Mi alma Runs Silent". En 2007, la Oficina de la Biblioteca Nacional y el libro editado su libro de poesía, "sueño soñado", que se reimprimió en 2008, en una edición trilingüe (creole, portugués e Inglés), la primera edición trilingüe publicado en Cabo Verde .







Mar y fuego

Nací junto al mar
um mar intranquilo
y bello

olas salvajes
subiendo para las velas
como un grito sensual
de amantes nostálgicos

dormí tranquila
con el rumor del mar
y sabor a sal
en el aire caliente de la noche

me uní para siempre
                al agua
                           al sol
                                  a la arena

nací entre el fuego
y tempestades saladas

me cubrí de salitre
mastiqué la sal
de las olas sin fronteras

y me uní
para siempre
al mar y al fuego.

Publicado http://www.africaeafricanidades.com.br/documentos/ANTOLOGIA-CABO-VERDE.pdf
Traducido del portugués por Myriam Rozenberg







SECA 

Não gostaria de ter visto 
a seca a crescer 
a boa terra a gretar 

não gostaria de ter visto 
o grande tanque a secar 
as levadas caladas 
encherem-se de folhas 
mortas quebradas 

mas vi 

esqueletos de goiabeiras 
retorcidos 
de secura 
ocas papaieiras 
vergadas 
sem seiva sem sémen 

Não gostaria de ter visto 
 as velhas mangueiras 
tão magras de fome 
 limoeiros e laranjeiras 
a morrer de sede e de pó 

mas vi 

figueiras bravas 
nuas de folhas e de frutos 
bandos de pardais sequiosos 
 abrindo caminho 
por entre os galhos ressequidos 

Não gostaria de ter visto 
os altivos coqueiros de pé 
a morrer sem um gemido 
o esplendor das árvores 
a murchar em silêncio 

Não gostaria de ter visto 
mas vi 

(in “Sonho Sonhado”)







MORNA 

(à memória de Ildo Lobo) 

Morna 

encanto de um povo 
brando sensual 

melodia suave 
chuva miudinha 
na telha 

ressonância do sopro das ilhas 
na nudez dos montes sequiosos 

eco silencioso da nostalgia 
 de um povo pobre 
caminheiro solitário no mundo 

Morna 
melodia de amor 
esperança e saudade 
 de um povo simples 
 náufrago nas ilhas 
que Deus sonhou e povoou 

Morna 
doce canto do ilhéu 
na valsa lenta das ondas 
 voz de um povo de poetas 
a namorar o mar 

Morna 
carícia nua 
no coração da nossa terra 
 pobre e desflorida 

(in “Sonho Sonhado”)






A MINHA ALMA CORRE EM SILÊNCIO 

A minha alma corre em silêncio 
pelas rochas do meu arquipélago anilado 

é a saudade do mar 
 dos búzios 
dos potes 
das estrelas a brilhar 
nas noites escuras 

do som das vassouras de palha 
na calçada da rua estreita 
nas manhãs brancas perfeitas 
que se seguem às noites 
de silêncio e jasmins perfumados 

a minha alma corre em silêncio 
pelas noites de luar 
em que me colhias as rosas 
que alegravam o despertar lento 
das minhas manhãs jovens perfeitas 

a minha alma corre em silêncio 
pelas noites estreladas 
em que me mostravas a ursa maior 
as minhas mãos nas tuas 
confiante e terna 

a minha alma corre em silêncio 
pelas rochas do meu arquipélago anilado 
é a saudade do silêncio das noites 
das rosas e das estrelas 

in “A Minha Alma Corre em Silêncio”


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