lunes, 7 de abril de 2014

BRUNO BRUM [11.472]


Bruno Brum 

Nació en Belo Horizonte (Mina Gerais), Brasil en 1981. Es autor de Mínima idea (2004), Cada (2007) y Mastodontes na sala de espera (2011).





DISCURSO EN OCASIÓN DE UN CONGRESO INTERNACIONAL DE PERSONAS MORALES

Nunca conversé con una empresa.
Las empresas están siempre ocupadas y no acostumbran
hablar con extraños
Nunca trabajé en una empresa.
Las empresas almuerzan todos los días en el self-service más
próximo y hablan diversas lenguas con perfección.
En las empresas hay personas que aseguran copas de whisky
como si asegurasen la verga.
En las empresas hay personas que se masturban en el baño
a la hora del almuerzo.
Trabajo en la misma empresa hace muchos años. Dormimos
en la misma cama y todas la noches ella abre las piernas para mí.
Las empresas están siempre abiertas y de buen humor.
Las empresas siempre dicen buenos días, buenas tardes, buenas noches.
Hay siempre muchas empresas disponibles cuando se les necesita,
por eso no me preocupo.
Las empresas me dicen todos los días que no me debo preocupar,
pero yo no me preocupaba mucho antes de que ellas
me lo dijeran.
Las empresas saben todos mis secretos, pero no se los
revelan a nadie.
Las empresas saben qué hacer en cualquier situación.
Por eso no me preocupo.
Hay personas que insisten en discutir el sexo de las empresas.
Y también las que prefieren no tocar ese asunto.
Empresas nunca se quedan sin asunto. Son capaces de
conversar
durante horas sobre cualquier cosa.
Empresas nunca pierden la razón.
Empresas nunca se atrasan.
Todos saben dónde viven las empresas. Ellas siempre están
abiertas y de buen humor.
Trabajo en la misma empresa desde hace muchos años y hasta hoy
no sé su nombre, función, razón social o RFC, pero no la culpo por eso.
La empresas están siempre ocupadas, todos los días, incluyendo
fines de semana y días festivos.
Las empresas poseen anuncios publicitarios y usan siempre las mismas
fantasías, como los súper héroes.
La empresas acaban y recomienzan todos los días, como
las telenovelas y las series.
Trabajé en una empresa durante dieciocho semanas y
falté todos los días.
Las empresas siempre funcionan.
Hay personas que se dedican al estudio del comportamiento
de las empresas.
Hay empresas que se destacan por apostar en el potencial
de las personas.
Dirigí diversas empresas imaginarias en la infancia. Ninguna
quebró.
Las empresas pueden ser de diversos tamaños como los
perros, las pizzas y las estrellas.
Todos los días madrugo y camino hasta la puerta de una
empresa, pero no entro.
No tengo una idea clara de lo que pueda ser una empresa.
Algunas empresas se parecen a las familias.
Algunas familias se parecen a las empresas.
Se especula la existencia de empresas en otros planetas
del Sistema Solar.
Se estima que el fósil con una edad aproximada de cincuenta
mil años pueda pertenecer a la más antigua empresa del mundo
Las empresas siempre dicen la verdad.
Las empresas nunca se divierten.
Me acuerdo con nitidez de la primera vez que conocí
una empresa.
No acostumbro hablar con empresas extrañas.
Nunca puse un pie en una empresa.
La empresas no hablan solas.
Mi primer regalo de cumpleaños fue una empresa.
El hospital donde nací era en verdad una empresa.
Algunas personas conversan con empresas como si fuesen
personas.
Algunas empresas conversan con personas como si fuesen
empresas.
Nunca conversé con una empresa.
Nunca conversé con una persona.







DISCURSO POR OCASIÃO DE UM CONGRESSO INTERNACIONAL DE PESSOAS JURÍDICAS

Nunca conversei com uma empresa.
As empresas estão sempre ocupadas e não costumam
falar com estranhos.
Nunca trabalhei em uma empresa.
As empresas almoçam todos os dias no self-service mais
próximo e falam diversas línguas com perfeição.
Nas empresas há pessoas que seguram copos de uísque
como se segurassem caralhos.
Nas empresas há pessoas que se masturbam no banheiro
no horário do almoço.
Trabalho na mesma empresa há muitos anos. Dormimos
na mesma cama e todas as noites ela abre as pernas
para mim.
As empresas estão sempre abertas e de bom humor.
As empresas sempre dizem bom dia, boa tarde, boa noite.
Há sempre muitas empresas à disposição quando preciso,
por isso não me preocupo.
As empresas dizem todos os dias que não devo me preocupar,
mas eu já não me preocupava bem antes de elas
dizerem isso.
As empresas sabem todos os meus segredos, mas não os
revelam a ninguém.
As empresas sempre sabem o que fazer em qualquer
situação.
Por isso não me preocupo.
Há pessoas que insistem em discutir o sexo das empresas.
E também as que preferem não tocar no assunto.
Empresas nunca ficam sem assunto. São capazes de conversar
durante horas sobre qualquer coisa.
Empresas nunca perdem o sentido ou a razão.
Empresas nunca se atrasam.
Todos sabem onde vivem as empresas. Elas estão sempre
abertas e de bom humor.
Trabalho na mesma empresa há muitos anos e até hoje
não sei o seu nome, função, razão social ou CNPJ, mas
não a culpo por isso.
As empresas estão sempre ocupadas, todos os dias, incluindo
finais de semana e feriados religiosos.
Empresas possuem bordões e usam sempre as mesmas
fantasias, como os super-heróis.
Empresas acabam e recomeçam todos os dias, como as
novelas e os seriados.
Trabalhei em uma empresa durante dezoito semanas e
faltei todos os dias.
Eu sei como funcionam as empresas, mesmo sem nunca
ter estado nelas.
Empresas sempre funcionam.
Há pessoas que se dedicam ao estudo do comportamento
das empresas.
Há empresas que se destacam por apostar no potencial
das pessoas.
Geri diversas empresas imaginárias na infância. Nenhuma
faliu.
As empresas podem ser de diversos tamanhos, como os
cães, as pizzas e as estrelas.
Todos os dias acordo cedo e caminho até a porta de uma
empresa, mas não entro.
Não tenho uma ideia clara do que possa ser uma empresa.
Algumas empresas se parecem com famílias.
Algumas famílias se parecem com empresas.
Especula-se a existência de empresas em outros planetas
do Sistema Solar.
Estima-se que fóssil com idade aproximada de cinquenta
mil anos possa pertencer à mais antiga empresa do
mundo.
Empresas sempre dizem a verdade.
Empresas nunca se divertem.
Me lembro com nitidez da primeira vez em que conheci
uma empresa.
Não costumo falar com empresas estranhas.
Nunca pisei em uma empresa.
Empresas não falam sozinhas.
Meu primeiro presente de aniversário foi uma empresa.
A maternidade onde nasci era na verdade uma empresa.
Algumas pessoas conversam com empresas como se fossem
pessoas.
Algumas empresas conversam com pessoas como se fossem
empresas.
Nunca conversei com uma empresa.
Nunca conversei com uma pessoa.





De
Bruno BRUM
Mastodontes na sala de espera.  
Belo Horizonte: Crisálida, 2011.  96 p.  13,7x21 cm. ISBN 978-85-87961-69-3. Capa do Autor a partir de imagem original de Rembrandt Peale (“Working sketch of the mastodon”) Formato e projeto gráfico do Autor e Milton Fernandes.  Impresso em papel Pólen Bold 90 g/m2, capa Cartão Supremo 250 g/m2.  Col. A.M. (EA)



“Composições verbais, cenas aparentemente banais: casuais, como intervenções no imaginário do real possível, mas produtos da invenção ou do acaso. Mastodontes na sala, incômodos, visíveis para quem não quer ver, invisíveis para quem pretende entender além do instantâneo, do registro poético: “Isso ainda não nos leva a nada.” Leva, já se foi.” Antonio Miranda



DECALCOMANIA

Tatuou um código
de barras no rabo.
Temendo complicações,
tatuou o rabo
um pouco acima do código
de barras.



Acordado

Dormir hoje,
acordar amanhã.
Dormir amanhã,
acordar depois.

Dormir e não
acordar mais.
Acordar e não
dormir mais.

E continuar
dormindo.
E continuar

acordado.
E depois não
continuar mais. 


POSTAIS

1

Olhos por perto.
Há coisas escondidas
atrás de outras coisas.
Logo adiante, mais delas.
Depois (dentro) delas, ainda outras.

2

Os passantes ainda não
se decidiram se vão, se ficam,
se atravessam a rua, se fazem
uma pausa para o café,
se atendem o celular. 

(...)




Interferências

Entre a sombra projetada sobre os desvãos da calçada
          e quem vem do outro
lado da rua, um ônibus.
Um ônibus trazendo setenta e cinco passageiros.
E o pior: 
Isso ainda não nos leva a nada.




Dez minutos

Um desconhecido
me pergunta as horas.
Faltam dez minutos.



BRUM, Bruno.  Cada (poemas).  Belo Horizonte: LIRA (Laboratório Interartes Ricardo Aleixo), 2007.   46 p. Programação visual e ilustrações de Bruno Brum. ISBN 97885-907516-0-1   Col. A.M.  (EA)



Anônimo

Onde você estava no dia onze de agosto de mil
[novecentos e trinta e quatro?
No Natal de setenta e sete,
no inverno de mil duzentos e treze?
Onde você se encontrava na madrugada do dia

[vinte para o próximo dia,
primeiro de janeiro do ano passado,
primavera de sessenta e nove
do século quarto?

Onde você passava quando já era tarde
e ninguém te chamava
naquela noite dos anos dourados?
Quando tudo acontecia e sumia sem deixar
[rastros, por onde você andava?



Avulso

dizer.
dizer e não dizer
mais. dizer e depois.
calar.
dizer quando
acabar.
ou talvez.
nunca mais.
dizer, e deixar
de.
dizer e não
dizer.
mais




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