jueves, 10 de octubre de 2013

FÁBIO ARISTIMUNHO [10.678]



FÁBIO ARISTIMUNHO

Fábio Aristimunho, Ponta Porã, BRASIL   1977. Abogado, poeta y traductor. Licenciado en  Derecho y master en Derecho Internacional por la USP. Autor del libro Medianeira (Quinze & Trinta, 2005). Fue presidente de la Academia de Letras de la FDUSP (1999/2000). Fue uno de los organizadores del Tordesilhas – Festival Ibero-Americano de Poesia Contemporânea. Mantiene el blog Medianeiro (http://medianeiro.blogspot.com).





Poema extraído de una reseña del periódico

Seis jóvenes americanos bronceados y musculados se divierten en una playa brasileña.
Una de las chicas decide hacer topless.
Los universitarios beben, juegan a fútbol y disfrutan agarrados en una [cascada.
Así comienza el trailer de la película Turistas, estrenada en diciembre.

Hasta ahí, sólo una película americana más de estereotipos.
En la continuación del trailer, sin embargo,
se percibe que Turistas va un poco más allá de los tópicos sobre Brasil.
“En un país donde todo vale, todo puede suceder”, dice el vídeo,
mientras las imágenes muestran a los jóvenes sufriendo el golpe de [buenas noches cenicienta
y siendo hechos rehenes en una casa en la selva....

Ah, esos americanos.
Siempre demasiado condescendientes con su propia historia
y tan ajenos a la geografía ajena.
Menos mal que en Brasil sabemos distinguir perfectamente
Nigeria de Costa de Marfil, Letonia de Ucrania, Nicaragua de Guatemala.





El evangelio según la Plaza Roosevelt

                lo que quedó en mí de aquella plaza
además de esas personas que se cruzan, terribles, en el contrapaso,
con su urgencia de mundo, de automóviles, de más metros adelante,
                son esos santos y similares
                que nos intentan extraer la ausencia
y una cierta pedagogía de vida de quien le da la vuelta a los propios
                bolsillos delante de más aptos.

                los que se distancian
¿qué pueden decir? ¿monólogos inauditos?
                no: como un dios oído a decibelios,
                son el moisés de la plaza roosevelt.

[Traducción de Joan Navarro]






Poema extraído de uma resenha no jornal 

Seis jovens americanos bronzeados e malhados divertem-se numa praia [brasileira.
Uma das meninas decide fazer topless.
Os universitários bebem, jogam futebol e curtem amassos numa [cachoeira.
Assim começa o trailer do filme Turistas, lançado em dezembro.

Até aí, só mais um filme americano de estereótipos.
Na continuação do trailer, no entanto,
percebe-se que Turistas vai um pouco além dos lugares-comuns sobre o [Brasil.
“Num país onde vale tudo, tudo pode acontecer”, diz o vídeo,
enquanto imagens mostram os jovens sofrerem o golpe do boa noite [cinderela
e serem feitos reféns numa casa na selva...

Ah, esses americanos.
Sempre condescendentes demais com a própria história
e tão alheios à geografia alheia.
Ainda bem que no Brasil a gente sabe distinguir perfeitamente
a Nigéria da Costa do Marfim, a Letônia da Ucrânia, a Nicarágua da [Guatemala.





O evangelho segundo a Praça Roosevelt

        o que restou em mim daquela praça
além dessas pessoas que se cruzam, terríveis, no contrapasso,
com sua urgência de mundo, de automóveis, de mais metros adiante,
         são esses santos e similares
         que nos tentam extrair a ausência
e uma certa pedagogia de vida de quem vira do avesso os próprios
         bolsos diante de mais aptos.

         os que têm distanciamento
que têm a dizer? monólogos inauditos?
         não: como deus ouvido a decibéis,
         são moisés da praça roosevelt.





O CACTO

São mesquinhos os cactos.
Aptos  ante o inóspito,
optam o fluxo (não ínfimo)
reter no oco. Aptos, mas
míseros são os cactos
— com espinho abstêm-se os céticos.

Cético: ser como o cacto:
signo ereto de acúleos.
Ressentir do silêncio
das folhas, conformar-se
à demência dos galhos.
Ser convicto sem fruto.





NOTÍCIAS DO VÁCUO

Hoje os astrônomos decidiram que Plutão não é mais um planeta.
Dizem que Plutão é muito menor que a Terra e até mesmo menor que a lua.
Bobagem.
Muitas vezes já me disse que o mês é bem maior que o meu salário,
mas não deixei de constelar contar e cadastros
e nem por isso os astros deixaram de ser astros.



Fábio Aristimunho, Ponta Porã, 1977. Advogado, poeta e tradutor. Bacharel em Direito e mestre em Direito Internacional pela USP. Autor do livro Medianeira (Quinze & Trinta, 2005). Foi presidente da Academia de Letras da FDUSP (1999/2000). É um dos organizadores do Tordesilhas – Festival Ibero-Americano de Poesia Contemporânea.  
Mantém o blog Medianeiro  (http://medianeiro.blogspot.com)






Poema extret d’una ressenya del periòdic

Sis joves americans broncejats i musculats  es diverteixen en una platja [brasilera.
Una de les joves decideix fer topless.
Els universitaris beuen, juguen a futbol i frueixen aferrats en una cascada.
Així comença el tràiler de la pel·lícula Turistes, estrenada en desembre.

Fins ací només una pel·lícula americana més d’estereotips.
En la continuació del tràiler, tanmateix,
es percep que Turistes va un poc més enllà dels  tòpics sobre Brasil.
“En un país on tot val, tot pot ocórrer”, diu el vídeo,
mentre les imatges mostren els joves patint el cop de bona nit ventafocs
 [i són fets ostatges en una casa en la selva...

Ah, aquests americans.
Sempre massa condescendents amb la seua  pròpia història
i tan aliens a la geografia aliena.
Sort que al Brasil sabem distingir perfectament
Nigèria de la Costa d’Ivori, Letònia d’Ucraïna, Nicaragua de Guatemala.






L’evangeli segons la Plaça Roosevelt

                el que restà en mi d’aquella plaça
a més d’aquestes persones que es creuen, terribles, en el contrapàs,
amb la seua urgència de món, d’automòbils, de més metres davant,
                són aquests sants i similars
                que ens intenten extraure l’absència
i una certa pedagogia de vida de qui li dóna la volta a les pròpies
                butxaques davant dels més aptes.

                els que es distancien
què poden dir? monòlegs inaudits?
                no: com un déu sentit a decibels,
                són el moisès de la plaça roosevelt.


Fábio Aristimunho, Ponta Porã, 1977. Advocat, poeta i traductor. Llicenciat en  Dret i màster en Dret Internacional per la USP. Autor del llibre Medianeira (Quinze & Trinta, 2005). Fou president de l’Academia de Letras de la FDUSP (1999/2000). Fou un dels organitzadors del Tordesilhas – Festival Ibero-Americano de Poesia Contemporânea. Manté el bloc Medianeiro (http://medianeiro.blogspot.com ).

[Traducció de Joan Navarro]




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