jueves, 3 de octubre de 2013

ARLINDO BARBEITOS [10.641}


Arlindo Barbeitos

Arlindo do Carmo Pires Barbeitos, nació en Catete, Provincia de Icolo y Bengo, Angola, en 1940. En 1961, se exilió de su país por motivos políticos. Marchó a Francia, Bélgica, Suiza, Alemania, donde estudió Antropología y Sociología en la Universidad de Frankfurt. Se dedicó a la Etnología y fue profesor en la Universidad Libre de Berlín y en la Universidad de Angola, país al que regresó en 1975. Su poesía tiene reminiscencias de la poética tradicional africana, de tradición oral, y de la poesía china y  japonesa. Obra Poética: Angola Angolê Angolema (1976), Nzoji (Sonho), (1979), O Rio. Estórias de regresso (Cuentos, 1985), Fiapos de Sonho, (1990) y Na Leveza do Luar Crescente, (1998).

En 1973 era profesor auxiliar en el Instituto de Etnología de la Universida Libre de Frankfurt. En 1975 regresó a su país, como profesor en el Instituto de Investigación Científica de Angola. Sus obras se han publicado en Alemania, Angola y Portugal.

Obras publicadas :

Angola, Angolê, Angolema, 1976
Nzoji Sonho, 1979
O Rio, 1985
Fiapos de Sonho, 1992

(Fuente: EDUCOM)





[trazos de nube
en el ala del pájaro rojo

volando

falena del ocaso
en tus labios azules
                         



                                   en la calma del paisaje
                                   que tu mirada lleva suspendida
                                   ahogada
                                   se desliza la memoria de negreros
                                   y esclavos

                                   amada
                                   qué recuerdo tendrán los peces




[el buey viene del sur
            allí
donde el horizonte distante
es hilo de araña al viento
            y
las noches se enrollan en la
tela fría del relente
por entre
los grandes cuernos del buey
planea la luna en cuarto menguante
            y
sobre ella está
un cuervo adormecido

en el camino
yace una vieja
   sin piernas
   esperando la aurora
            que
la niña trae
en sus brazos
sin manos

allí
en el sur
por detrás de tus ojos





[Basho – allí fuera el viento silba
los dedos están congelados
               y
Angola tan lejos

[Traducció de Joan Navarro]






traços de nuvem
em asa do pássaro vermelho

voando

mariposa do ocaso
em teus lábios azuis

                                  


                                   na calmaria da paisagem
                                   que teu olhar traz suspensa
                                   afogada
                                   desliza a memória de negreiros
                                   e escravos

                                   amada
                                   que lembrança terão os peixes



o boi vem do sul
            lá
onde o horizonte distante
é fio de aranha ao vento
            e
as noites se enrolam na
teia fria do sereno
por entre
os grandes cornos do boi
paira a lua em quarto minguante
            e
sobre ela está
um corvo adormecido

no caminho
jaz uma velha
   sem pernas
   esperando a aurora
            que
a menina traz
em seus braços
sem mãos

no sul
por detrás de teus olhos


Basho – lá fora o vento assobia
os dedos estão gelados
               e
Angola tão longe

Arlindo do Carmo Pires Barbeitos, nasceu em Catete, Província de Icolo e Bengo, Angola, em 1940. Em 1961, foi obrigado a fugir de seu país por motivos políticos. Foi para a França, Bélgica, Suíça, Alemanha, onde cursou Antropologia e Sociologia na Universidade de Frankfurt. Dedicou-se à Etnologia e foi professor na Universidade Livre de Berlim Ocidental e na Universidade de Angola, país ao qual regressou em 1975. A sua poesia tem reminiscências da poética tradicional africana, de tradição oral, e das poesias chinesa e japonesa. Obra Poética: Angola Angolê Angolema (1976), Nzoji (Sonho), (1979), O Rio. Estórias de regresso (Contos, 1985), Fiapos de Sonho, (1990) e Na Leveza do Luar Crescente, (1998)

α


[traços de núvol
a l’ala de l’ocell roig

volant

falena de l’ocàs
als teus llavis blaus

                                  



                                   en la calma del paisatge
                                   que la teua mirada porta suspesa
                                   ofegada
                                   s’escola la memòria de negrers
                                   i esclaus

                                   estimada
                                   quin record tindran els peixos



[el bou ve del sud
            allí
on l’horitzó llunyà
és fil d’aranya al vent
            i
les nits s'emboliquen amb la
tela freda de la serena
per entre
les grans banyes del bou
planeja la lluna en quart minvant
            i
damunt d’ella hi ha
un corb adormit

en el camí
jau una vella
   sense cames
   tot esperant l’aurora
            que
la nena porta
en els seus braços
sense mans

allí
al sud
per darrere dels teus ulls  


[Basho – allí fora el vent xiula
els dits estan congelats
               i
Angola tan lluny


Arlindo do Carmo Pires Barbeitos, va nàixer a Catete, Província d’Icolo i Bengo, Angola, el 1940. El 1961, es veu obligat a fugir del seu país per motius polítics. Anà a França, Bèlgica, Suïssa, Alemanya, on estudià Antropologia i Sociologia a la Universitat de Frankfurt. Es dedicà a l’Etnologia i fou professor a la Universitat Lliure de Berlín i a la Universitat d’Angola, país on va tornar el 1975. La seua poesia té reminiscències de la poètica tradicional africana, de tradició oral, i de la poesia xinesa i japonesa. Obra Poética: Angola Angolê Angolema (1976), Nzoji (Sonho), (1979), O Rio. Estórias de regresso (Contes, 1985), Fiapos de Sonho, (1990) i Na Leveza do Luar Crescente, (1998)

[Traducció de Joan Navarro]


MÁS EN LA WEB:
http://seriealfa.com/alfa/alfa49/






No tempo/em que as pacaças entravam

no tempo
em que as pacaças entravam
                   pelos povoados
o vôo alvoraçado das perdizes
carregava sonhos
que
a mãozinha inerme de criança
feliz
agarrava ao lusco-fusco dos muxitos
no tempo
em que as pacaças entravam
                   pelos povoados

                   (Na leveza do luar crescente)






Oh flor da noite/onde todo o orvalho se perde

Oh flor da noite
onde todo o orvalho se perde

teus olhos
não são estrelas
não são colibris

teus olhos
são abismos imensos
onde na escuridão
todo um passado se esconde

teus olhos
são abismos imensos
onde na escuridão
todo um futuro se forma

oh flor da noite
onde todo o orvalho se perde

teus olhos
não são estrelas
não são colibris

         (Angola Angolê Angolema)






"borboletas de luz"

borboletas de luz

esvoaçando
de cadáver em cadáver
colhem
o fedor dos mortos em
       vão

e
pelos buracos da renda
 dos dias
passam alacres
do mundo do esquecimento
ao país da indiferença
levando consigo
o pólen fatal
das flores da guerra

borboletas de luz

         (Na leveza do luar crescente)






"oh alambique..."

oh alambique
de saudade

destilando
álcool de poesia
pára pára

oh alambique
de saudade

         (Na leveza do luar crescente)






"imersa em sereno de lusco-fusco"

imersa
em     sereno de lusco-fusco
e
suspensa em vazio

São-Tomé

carrocel de montanhas
carregador de nuvens
transportados de sonhos
irrompendo
de abismo de espuma
e
sumindo
em precipício de bruma

São-Tomé

suspensa em vazio
e
imersa em sereno de lusco-fusco

                   (Na leveza do luar crescente)






"na leveza do luar crescente"

na
leveza do luar crescente
sobe
a ilusão da felicidade
que
teu gesto distraído
                   me dá

como se
plumas vogando suaves
na brisa
fossem
vida de pássaro apodrecendo
na
leveza do luar crescente

                   (Na leveza do luar crescente)






"na transparência da tardinha"

na transparência da tardinha
que
impávidos imbondeiros sombreiam

cantar de galinha do mato
é
eco de um tempo
em
que ilusão e verdade
cirandavam alheias ao mundo

a esperança medrava verde
verde
como rebento de capim de outubro

na transparência da tardinha
que
impávidos imbondeiros sombreiam

                   (Na leveza do luar crescente)






"pela névoa de pesadelo"

pela névoa de pesadelo
a dor passa
clandestina
a fronteira dos instantes
e implacável
monta guarda
ao porão dos dias
ao contorno dos gestos
ao ruído das coisas
e
ao sentido das palavras
embaciadas
pela névoa do pesadelo

                   (Na leveza do luar crescente)



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