lunes, 17 de junio de 2013

MOACIR AMÂNCIO [10.095]




MOACIR AMÂNCIO

São Paulo, Brasil, 1949. Poeta y periodista. Postgraduado en Comunicaión Social y doctorado en Lengua Hebraica, Literatura y Cultura Judaica. Profesor de la Universidade de São Paulo – USP.

Obra poética: Do objeto útil (1993), O olho do canário (1998), Colores siguientes (1999),  Contar a romã (2001), Óbvio (2004).

Páginas do autor: http://www.germinaliteratura.com.br/impressaodigital.htm
http://www.germinaliteratura.com.br/mamancio.htm 




Poemas

La descripción de la noche 
empieza con los rumores 
de una tarde o de colores 
grises, amarillos, verdes 
dentro el verde, las violetas 
entre ráfagas, los blancos. 
Lluvia hacedora, timbre, 
tinieblas, cristal corriente.
            



Acequia cuando río, 
movimiento de estrella. 
Ya no hay, es luz muerta, 
flor que estaba, no, hay, 
lago abierto, parado, 
todavía hace fuentes, 
ojo despierto, rayos, 
manos que hacen la tierra. 
Naranja para el sol. 
Cristal, el árbol, agua.

            



Por la noche, no más, 
caminan y caminan. 
Dentro de las paredes, 
el fondo de los ríos. 
Caminan y caminan 
hasta el día, frontera. 
Bajo luz, el trazado 
de la noche disponen 
para que entonces sigan 
por el camino, sigan, 
perros ciegos sin tiempo.

            



Las casas son blancas, 
el cielo más blanco 
y el campo más 
más blanco. 
Les falta presencia – 
situación de cosa 
en libro abierto. 
Hasta que la mar 
o alas de cigüeña 
llegue con los vientos 
y explique la cal, 
sol del mediodía– 
colores siguientes:

Del poemario, Colores siguientes, escrito originalmente en español.








De
ÓBVIO
São Paulo: Travessa dos Escritores. 2004

(fragmentos)


Vazio, e sem nada que fendê-lo,
na mesa coloquemos uma ausência.
Pode ser o papel, mas é da mão.
Estava ali, o potencial de fogo,
resta um ovo do qual saiu a cria
e cujos restos foram retirados,
mesa posta que a fresta é deles pássaros,
caso a suposição de lhes bastar
o ausente se confirme nesta sala.

         *
A pele separando ar e cor
absorve brilhos, as figuras plenas
desse através se fazem e circulam
por causa da inteireza ao modo líquido —
mas tudo transparece pela sala
num mover sem tropeços, caracóis
capazes de um ao outro fecundar,
como a seqüência escapa em espirais.
Mas até o recolher de novo à casca.
Passando entre outro tema se coloca. 

         *
Movimentos contidos em um vaso
deixado sobre a mesa, quê, vazio,
refaz dentro da sala o estar depois.
Confunde-se com ar, pois a matéria
nunca o envolve e o situa sem notícia
ao tato, semelhante um astro morto,
porém sensível quando a lua oculta
no armário de recuerdos, luz em pó,
inunda a mesa com efeitos brancos.

                  
                   **

(O não proposto estar neste terreno
devoluto ou a página, um sol
em luas que não cabem num só plano
da página e da pele qual vibrátil
diamante o tornar contrária luz.)

(O não proposto afasta o se fazer
solitário, montar neste terreno
devoluto ou a página, um sol
diamante o tornar contrário cai
e ocorre claro impulso de contorno
em luas que não cabem num só plano
da página e da pele qual vibrátil.)

(O entalhe se reduz ao avançar
do lápis caso se comprove o termo
matéria secundária. Para a destra
deverás o relógio transferir
e ali permanecer o sem programa
de memória: dispersa a borboleta
respostas em azuis alguns e brancos.)

tal esta mão ferente com senões
tateia o antes do texto pronto a fala
se retrai, engrenagem caracóis
e então alguma espécie de maré





MOACIR AMÂNCIO
De
FIGURAS NA SALA
São Paulo: Iluminuras, 1996


Medida circular

Como saber são círculos
se falta um terço, um gesto,
e a falta se põe fruta.

Vela queimada, ausência
florescendo na sala
escuro em expansão.

Lua minguante ao meio,
copo d'água em perfil,
azul, queda de pétala.

Vazio dentro do espaço
se recoloca o quê,
acento, circunflexo.





Origami

As cores no piano
ignoram a terceira
que repara na sombra
de novo um fruto.

Nuances passam frias
do resíduo diálogo
segundo o olho fora,
imposição.

Manchas se fazem mãos
móveis pelo papel.
Se duvidas, amassam
o continente.

E farão desse céu
triângulo, esfera
capaz de moto próprio,
outra pupila.






Entre o silêncio e a meditação

Moacir Amâncio





MITOLÓGICO

ao tentar dizer
desdigo o não dito

na ausência de pernas
cavalgo

existo centauro
nem raro nem mito 



NOTÍCIA DE OUTONO, 1987, JERUSALÉM

O poeta está morto
no entanto eu me levanto às seis e trinta da manhã
porque é hora.
O sol do fim de verão não perde tempo,
as folhas ainda brilham carregadas de frutos da noite rapidamente
comidos pelo vento.
O poeta está morto e eu leio o jornal onde anunciam
sua morte.
Cirrose?
Coração?
Tristeza?
Alguns morrem de alegria.
Foi o câncer? Um golpe de ar? Cansaço?
Diante do jornal tomo a xícara de café, pronto para o dia.
O dia também é uma fatalidade.
Imaginem, o poeta está morto apesar do barulho das crianças.
Elas brigam, brincam, gritam, pouco importa, 
o entusiasmo é o mesmo. Assim como é mesma a rotina desta manhã — 
ou não seria rotina —
embora nela se estenda a sombra do poeta morto. 
Morto, imóvel, impassível feito qualquer morto, 
apesar do silêncio dos velhos, 
apesar do riso sem-vergonha dos velhos. 
Pregões pintando o ar. 
Frutas, verduras, brinquedos. 
Sempre se arranja algo pra vender que a vida urge. 
O leite dos filhos nunca espera. A operação da 
mulher, o carro, 
a passagem de ônibus, o bilhete de loteria,
a camisa nova. A camisa nova.
Tudo pela hora da morte.
Ah, a morte pública do poeta. 
Um automóvel, outro, mais outro, parece um rio.
Olhares bailam em saltos fluidos.
Ninguém anuncia o apocalipse.



*

A junção das paredes forma um ângulo
sem beleza. Algum lixo se guarda
ali. Pedaços de papel, entulho
da variada e comum origem destas coisas —


intocada reserva do caos


               (De Do Objeto Útil, 1993)



*

Amianto, o céu de Ulân Bátor
dobra-se e redobra desertos

ao rasgo de olho basilisco:
dentro dele navegam fomes

de vazio, de nada, mas tudo
foge e o vazio é mais depois.

Exposta fica a flor na mesa
à espera da tempesta nula.

O vento, sem vela não move
alguns barcos que a sala ancora.


               (De Figuras na Sala, 1995)



RAIN FOREST

1

O relâmpago mostra
esta eletricidade,
uma flor em ação.
Observá-la em nenhum
vaso, fotografia
de rosto que mirasse
a si próprio, mas vendo,
aspecto sob aspectos,
nele a vaga presença.

2

O conversar das folhas
sobre minúcias amplas.
O tumulto em detalhes
a este dia acrescenta
um sempre mesmo dia
guardado em lua inédita.
A eloqüência das folhas
dispersas, os seus vôos,
inauguram os pássaros
da raiz sabedores.


               (De Contar a Romã, 2001)



MOVIMENTOS 


1

sombra

borboleta pelo
espelho

asas
abertas em v

na mira
do quadro
luz

pétalas
unas
in vitro

acaso 
do escuro
posto

entre a cal
e o
branco



2

definição

sem que se perceba
ela pousa 
e instala

o grito
na
sala



3

tintas

o vidro se tinge
acaso claro

em duas pétalas
ralas — do ar

imitam conchas
de sal
e de voz

não sendo escuro
e triz também não

*

a borboleta
na 
lua

branca

pousa

*

cacho de reflexos
o navegar
os sóis

quebram
osso e sal

*

nele mesmo ou nela
sem que a lua se dê volta

o milimétrico
o navegar
os sóis

artrópode mole
os palmeia
ondeiam o céu

num vai 
em redondo
quebram

sem osso e sal

*

sem centro
vaga
a
lua

olho
que se agrava
e lê

a letra a 
letra o
espaço
move


               (De Óbvio, 2004)














No hay comentarios:

Publicar un comentario en la entrada