lunes, 17 de junio de 2013

ALEXANDRE MARINO [10.100]


ALEXANDRE MARINO    
Belo Horizonte – Brasil, 1956. Ha publicado en poesía: Os operários da palabra (‘Los operarios de la palabra’, 1979), Todas as tempestades (‘Todas las tempestades’, 1981), O delírio dos búzios (‘El delirio de búzios’, 1999), Arqueolhar (2005) y Poemas por amor (2007).
El poeta brasileño Alexandre Marino es reconocido por su obra poética a la par de ser uno de los fundadores de la revista literaria Protótipo, una de las primeras que reunió la producción poética brasilera de corte marginal, allá por la década de los 70.
No obstante, desarrolló su carrera literaria a la par de sus estudios de periodismo y publicidad en la Pontificia Universidad Católica de Minas Gerais.
En aquella misma época publicó sus primeros poemarios Os operários da palabra (‘Los operarios de la palabra’, 1979) y Todas as tempestades (‘Todas las tempestades’, 1981), poemarios que fueron un éxito de venta al agotar un tiraje de 3000 ejemplares que fueron vendidos no en librerías, sino “a pie”, por el propio poeta y sus amigos en diferentes lugares culturales de su ciudad.
La publicación de su poemario Arqueolhar (2005) le granjeó comentarios favorables de parte de la crítica especializada, quienes consideraron a esta obra como “lo mejor del verso brasilero del momento”.
Ha trabajado como periodista en diferentes medios de comunicación de su país tales como Jornal de Brasília, Correio Braziliense, Jornal do Brasil y O Estado de S. Paulo. Así como ha sido parte de las antologías de poesía Poetas Mineiros em Brasília (2002) y Antologia do Conto Brasiliense (2004) de Ronaldo Cagiano.
El poeta Alexandre Marino visitará Lima en julio, con motivo del II Festival Internacional de Poesía de Lima. Aquí algunas de sus opiniones sobre temas relacionados a la poesía.



La casa y el tiempo


Siglos duran el tiempo de un relámpago
y las piedras se derriten
a los ojos cerrados de la memoria.
La vieja casa se empiedra en el tiempo
sobre el alma de la tierra
donde algún día hube la nada,
el silencio, desconocidos elementos.

Algún dios inventó esos parajes
y hubo de prever lo que ni sabemos;
sobre el suelo posaron estas piedras
estáticas alrededor del viaje que invento.

Los siglos duran el tiempo de un relámpago
y relámpagos cruzan el cielo de los siglos.
Es el espacio de esta casa y su espectro
y el espectro de la niña señora de los secretos 
-una y otra para siempre humanas.

Traducción: Alberto Acosta




A casa e o tempo

Séculos duram o tempo de um relâmpago
e as pedras se derretem
aos olhos fechados da memória.
A velha casa empedra-se no tempo
sobre a alma da terra
onde algum dia houve o nada,
o silêncio, desconhecidos elementos.

Algum deus inventou essas paragens
e houve de prever o que nem sabemos;
sobre o solo pousaram estas pedras
estáticas ao redor da viagem que invento.

Os séculos duram o tempo de um relâmpago
e relâmpagos cruzam o céu dos séculos.
Eis o espaço desta casa e seu espectro
e o espectro da criança senhora dos segredos 
-uma e outra para sempre humanas.

(De: Arqueolhar - 2005)






Receta

Al comienzo, nada más que caos y hambre
y una calle que borboteaba delante de la ventana.
Trajeron harina de trigo, azúcar, huevos,
que manos remotas derramaron en el bollo.

El mundo era un desierto sin destinos,
sólo un poco de sal, bicarbonato, canela.
Había incluso aceite de maíz y margarina
para que la historia se tornase eterna.

Abuelo y tías trabajaron con esmero
invocando el poder divino de las esencias
condimento de condimento de tantos manjares;

El horno exhalaba calor y esperanza,
que en la mesa de la cocina se servía
para endulzar los abismos de la infancia.

Traducción: Alberto Acosta





Receita

No início, nada além de caos e fome
e uma rua que jorrava diante da janela.
Trouxeram farinha de trigo, açúcar, ovos,
que mãos remotas entornaram na gamela.

O mundo era um deserto sem destinos,
só um pouco de sal, bicarbonato, canela.
Havia ainda óleo de milho e margarina
para que a história se tornasse eterna.

Avó e tias trabalhavam com esmero
invocando o poder divino das essências
tempero do tempero de tantas iguarias;

O forno exalava calor e esperança,
que na mesa da cozinha se servia
para adoçar os abismos da infância.
(De: Arqueolhar - 2005)





Paisaje doméstico

Es invierno, no importa el tempo, las horas.
El invierno se esconde en los rayos del sol.
El fin de tarde araña las gargantas.
Seres invisibles inventan la oscuridad.

Se cierran las puertas, la gente desvaría.
Un aroma de café apunta el horizonte.
Dios implora abrigo entre las cortinas.
Pájaros guardan los cantos en la terraza.

Voces alzan velas en el umbral del silencio.
Noticias antiguas en la radio invisible.
Vestigios de viejas fábulas.

Nadie sabe la historia entera.
Se evocan vacíos invulnerables.
El tiempo está hecho de destrozos.


Traducción: Alberto Acosta




Paisagem doméstica

É inverno, não importa o tempo, as horas.
O inverno se esconde nos raios do sol.

O fim de tarde arranha as gargantas.
Seres invisíveis inventam a escuridão.

Fecham-se as portas, a gente desvaira.
Um cheiro de café aponta o horizonte.
Deus implora abrigo entre as cortinas.
Pássaros guardam os cantos no terraço.

Vozes velejam no limiar do silêncio.
Noticias antigas no rádio invisível.
Vestígios de velhas fábulas.

Ninguém sabe a história inteira.
Evocam-se vazios invulneráveis.
O tempo é feito de destroços.
(De: Arqueolhar - 2005)

http://navegantesdelacruzdelsur.blogspot.com.es/




Arqueologias

As infinitas casas dentro de uma casa. 
Incontáveis cômodos, entre corredores 
e labirintos. 
Passagens secretas, 
quartos abandonados, 
paredes falsas 
por onde fantasmas navegam seus instintos.

No banheiro, sinais de uma presença 
sem testemunhas. 
Um nome proibido e seu vazio.
O perfume de sabonete Labas 
e a gastura de fincar-lhe as unhas.

As gavetas onde o pai esconde as amantes, 
uma flor seca entre as páginas do caderno, 
as janelas invisíveis 
onde mãe e filhas se debruçam para sonhar, 
uma bola que nunca mais voltou à terra 
e um muro que limita três mistérios.

E há outra casa e dentro ainda outra, 
onde plange um violão doente de cupins, 
um violão que se atira ao quintal 
em noites de vendaval, 
abre cordas e peito à ventania 
e desperta um morto no jardim 
para a última cantoria;

Mas há outras casas, e outras 
enterradas sob a alvenaria, 
onde se ouve o amor dos gatos no porão 
e seus ecos no coração de uma tia 
em eterna vigília no fogão, 
enquanto chegam as notícias 
à mesa da cozinha.

E no guarda-roupas do último quarto, 
um espelho esclerosado 
reflete sorrisos senis de crianças mortas, 
na escuridão do dia ensolarado.

Ainda entre as paredes de outra casa escondida, 
uma cortina veste o rosto da senhora arrependida, 
e no oratório, santos expiam culpas 
ouvindo confissões das filhas de Maria.

Mas há outras sombras soterradas 
sob os alicerces de tantas epigamias, 
entre ladrilhos rotos e canteiros d´alface, 
jabuticabas maduras e rosas ressecadas, 
o cão de guarda farto de fobias.

Sob a terra, vermes se embriagarão 
com os restos da adega feita em lágrimas 
e os suores de mortais enquanto vivos.

Não haverá poças após as chuvas, 
frutas a colher, pássaros nos fios. 
Não vou chorar pelo tombo na escada.
Não haverá escadas. 
Haverá o espanto dos arqueólogos 
ao desenterrar 
entre choros 
o meu sorriso.









POEMAS POR AMOR

Sentidos  

Olhos:
dois peixes abissais
que mergulham à procura de Deus.

Boca:
chave para a revelação
caminho em busca dos sete mistérios.

Jardim:
pomar da fruta mágica
alimento que dá forma à alma.

Mãos:
o fim das diferenças
carícias subvertendo desencontros. 







Noite  

Adormecemos, e o mundo
não existe. Mundos nascem
em espiral
ao redor de nossa surpresa,
e no entanto silenciam
quando nos calamos.
Tua aflição imóvel.
Pássaros dormem,
grilos debatem o nirvana,
corujas meditam.
Há um sorriso
plantado nesse repouso,
sinto-o na escuridão
diante de tua luz,
claridade invisível
desta noite. 






A mão sobre o ombro 

Esta mão em seu ombro deseja o impalpável,
o abstrato sob o visível, a utopia sem nome.
A pele compreende cores e asperezas,
expostas na melodia de sonhadores insones.
O movimento agônico da rotação da terra,
vozes dissonantes através da janela,
seu olhar e o perfume derramado,
frutos e essências de novas estações.
A paisagem de temporais atemporais,
sua mão sobre a minha e este trôpego coração,
perdido libertador de palavras enjauladas.
Entre desertos lunares e multidões marcianas,
eis a nossa liturgia, a mão sobre o ombro,
olhares como abismos, a luz da travessia.







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