martes, 7 de mayo de 2013

EUNICE ARRUDA [9787]



EUNICE ARRUDA

Eunice Arruda, poeta, natural de Santa Rita do Passa Quatro (SP), BRASIL, reside en la capital paulista. 
Autora de doce livros publicados, entre ellos: “É tempo de noite” (1960), “O chão batido” (1963), “Invenções do desespero” (1973), “As pessoas, as palavras” (1976), “Mudança de lua” (1986), “Gabriel” (1990), “Risco” (1998), “Há estações” (2003). Pós-graduada em “Comunicação e Semiótica” pela PUC-SP.

Prêmio no Concurso de Poesia PABLO NERUDA, organizado pela Casa Latinoamericana, Buenos Aires, Argentina.
Presença em antologias, com poemas publicados no Uruguai, França, Estados Unidos e Canadá. Fez parte da diretoria da União Brasileira de Escritores.
Ministra oficinas de criação poética desde 1984, em locais como a Biblioteca Municipal Mário de Andrade e a Oficina da Palavra (Secretaria do Estado de São Paulo).
Coordenou os projetos “Tempo de Poesia/Década de 60” em 1995 e “Poesia 96/97”, promovidos pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. Por tais iniciativas recebeu o prêmio de Mérito Cultural conferido pela União Brasileira de Escritores.





LAS PLAYAS

Las playas blancas
desiertas
cansáronse de los besos del mar
Ellas
extiéndense ahora
perezosas
lánguidas
perdidas en la rutina blanca
de las arenas
Las playas están exhaustas
de las caricias
del mar
Por eso ellas son frías
y hacen castillos
en sus arenas:

para pasar el tiempo 

Tradução de Roman Fontan Lemes
Uruguay, publicada no jornal “El Chúcaro” – 1963




SOMBRA

Hay una mujer triste dentro de la noche
con mis ojos
con mi rosto
con mi angustia

Del día impregnado de promesas
restó apenas una mujer
Solo mujer

Una mujer quedó triste dentro de la noche
triste
sintiendo el frío helándole la vida
sin esperanza

Hay una mujer triste dentro de la noche
con mis ojos
con mi rosto
con mi angustia

Rezo y sueño para ella

Tradução de Roman Fontan Lemes 
Uruguay, publicada no jornal “El Chúcaro” – 1963







SENTENCIA

Nos conviene
iniciarnos
temprano
Las cosas son demoradas

Y no es bueno
cosechar los frutos
cuando la boca no
consiga mas
saborearlos

Tradução de Gabriel Solis







ERROR

Edifiqué mi
casa sobre la
arena

Todos los días recomienzo

Tradução de Gabriel Solis







COMPOSICIÓN – I
              
Crear impactos
con
palabras

Perlas
deslizándose
en la corriente

Como barcos
me transportan
donde ningún viaje llega
y yo cojo frutos raros
En esta isla – entre
piedras – resucito

Con el aliento
de las
palabras

Tradução de Gabriel Solis   






UN DÍA

Un día yo
moriré
de sol, de
vida acumulada
en la convulsión
de las calles

Un día yo
moriré y
no
podría:

hay poemas
escurriendo de mis dedos
y un vino no
probado

Tradução de Gabriel Solis








GEOGRAFÍA

estar en
algún lugar

siempre

dejar el
cuerpo
puesto
en algún lugar

puerto
donde volver


Extraídos de “Poesía de Brasil” – volume I , organização de Aricy Curvello – Proyecto Cultural SUR/BRASIL (enviados por la autora en feb. 2007)






primavera

Na banca da feira
o viço das alcachofras
Mais um ano passou





verão   

De longe o perfume —
Entre as folhas do jardim
flores de gardênia





outono

Ônibus chegando
e as pessoas indecisas
Forte cerração





inverno

Perto reconheço
o rosto que se aproxima
Névoa de inverno










RETORNO

Esse turbilhão que grita
agita
é gente
De coração
de mais tristeza - quem sabe - do que
nós

E a gente não ouve
não quer ouvir
Quer esquecer
quer não pensar
Mas a gente pensa

a gente envelhece muito quando volta

(do livro “É tempo de noite” - Massao Ohno Editora, 1960 – São Paulo – SP)

  




HORA POÉTICA

Para esquecer esta
dor

- transformá-la em poesia

Para eternizar esta
dor

- transformá-la em poesia 

 (do livro “O chão batido” – Coleção Literatura Contemporânea nº 07 – 1963 - São Paulo – SP)







AMPLIAÇÃO

Construo o poema

peda-
ço por
pedaço

Construo um
pedaço de
mim
em cada poema

 (do livro “As coisas efêmeras” – Brasil Editora – 1964 São Paulo – SP)

  





SENTENÇA

Convém nos
iniciarmos
cedo
As coisas são demoradas

E não é bom
colher os frutos
quando a boca não
conseguir  mais
saboreá-los
         
(do  livro “Invenções do desespero” - Edição da autora – 1973, São Paulo – SP)







OLHE AS PESSOAS

Olhe as pessoas
como são
suaves

Mas não se aproxime
têm garras
arranham o coração

Fique em seu quarto
em seu corpo
e
apenas

olhe as pessoas


(do livro “As pessoas, as palavras” Editora de Letras e Artes, 1976 – São Paulo – SP)





NO FINAL        
         gestos alheios
         desataram os laços
         salas fechadas recenderam
         flores pétalas
         esmagadas
        
         E o silêncio correu água fria nas veias
        
         no final
         os golpes acertaram melhor

 (do livro “Os momentos” - Editora Nobel/Secretaria do Estado da Cultura, 1981 – SP/SP)

  




NOTÍCIAS

As crianças morrem

Em piscinas
lagoas
no centro da cidade

O corte na testa
barrigas inchadas
costas afundadas

As crianças
elas também nos abandonam

   
(do livro “Mudança de lua” - Scortecci Editora, 1986  – São Paulo – SP)

  




GABRIEL:

Era um anjo
omisso

Foi insubmisso
sem ter dito não

Sem anseio para o vôo
nem loucura para o plano
era um anjo vago

Que não optou

Entre o ser azul
celeste e a doce
lei da gravidade

Era um anjo
omisso
ou
de asas machucadas

(do livro “Gabriel:” - Massao Ohno Editor, 1990 – São Paulo – SP)








SACIEDADE  BIOGRÁFICA

Tenho andado sem pés
voando sem asas
Sou um sonho espalhado

Os rios recebem minhas cartas
com freqüência
facas  me apontam o coração

O que poderia dizer
(os pássaros já cantaram)
o que poderia amar
(os amantes se suicidaram)

Os assassinos conhecem o meu nome


(do livro “Risco” -  Nankin Editorial, 1998 – São Paulo – SP)






PAISAGEM


Ser tão
nas ruas

Sertão
nas ruas


(do livro “À beira” - Editora Blocos, 1999 – Rio de Janeiro – R








AS PRAIAS

As praias brancas
desertas
cansaram-se dos beijos do mar
Elas
estendem-se agora
preguiçosas
lânguidas
perdidas na rotina branca
das areias
As praias estão exaustas
dos afagos
do mar
Por isso elas são frias
e fazem castelos
em suas areias:

para o tempo passar







SOMBRA

Há uma mulher triste dentro da noite
com meus olhos
com meu rosto
com  minha angústia

Do dia impregnado de promessas
restou apenas uma mulher
Só mulher

Uma mulher ficou triste dentro da noite
triste
sentindo o frio gelando-lhe a vida
sem esperança

Há uma mulher triste dentro da noite
com  meus olhos
com meu rosto
com minha angústia

Oração e sono para ela







SENTENÇA

Convém nos
iniciarmos
cedo
As coisas são demoradas

E não é bom
colher os frutos
quando a boca não
conseguir  mais
saboreá-los







ERRO

Edifiquei minha
casa sobre a
areia

Todo dia recomeço








COMPOSIÇÃO – I

Criar impactos
com
palavras

Pérolas
deslizando
na correnteza

Como barcos
me transportam
aonde nenhuma viagem chega
e eu colho frutos raros
Nesta ilha – entre
pedras – ressuscito

Com o fôlego
das
palavras







UM DIA

um dia eu
morrerei
de sol, de
vida acumulada
na convulsão
das ruas

um dia eu
morrerei e
não
podia:

há poemas
escorregando de meus dedos
e um vinho não
provado


GEOGRAFIA

estar em
algum lugar

sempre

deixar o
corpo
posto
em algum lugar

porto
onde voltar








 HÁ ESTAÇÕES
De
HÁ ESTAÇÕES
São Paulo: Escrituras, 2003
ISBN 85-7531-093-3

HAICAIS

Olhar o menino
sustentando — leve — no ar
a bolha de sabão
*

Nuvens de verão
Passos rápidos na rua
Roupas no varal
*

Verão. Meio-dia
Na sombra de uma nuvem
o boi cochila
*

Solidão no inverno
O velho aquece as mãos
com as próprias mãos







ARRUDA, Eunice.  Poesia reunida.  São Paulo: Pantemporâneo, 2012.  287 p Inclui os textos dos livros: É tempo de noite (1960), O chão batido (1963), Outra dúvida (1963), As coisas efêmeras (1964), Invenções do desespero (1973), As pessoas, as palavras (1976, 12 ed. em 1984), Os momentos (1981), Mudança de lua (1989, 2ª ed. em 1989), Gabriel (1990), Risco (1998), À Beira (1999), Memórias (2001), Há estações (haicais, 2003), Olhar (haicais, 2008), Debaixo do sol (2010). Inclui também a fortuna crítica, e a participação da autora em antologias.  Col. A.M. 


RIMAS

Deus não tem
pedra na
mão

Ele usa
as pessoas
- um irmão -
para nos arrancar
de algum chão

Ainda não é
aqui
então

É a próxima é a próxima é a próxima a estação






NO DIA

Um sol
me abraça

Amo o que é
          sonho
          fumaça

O que passa





TRADUCCIÓN Y NOTA INTRODUCTORIA DE
ADOVALDO FERNANDES SAMPAIO



SUGESTIÓN

Recuesta la cabeza en la
tarde que
cae

Cualquier cosa
además del vacío
habrás con certeza de encontrar
         en el abandono de tus ojos cerrados
         en el deslizar sin prisa de las cosas

Mira
la vida es un río
y hay que hablar en voz baja
mecer en silencio el sueño niño
llorar bajo
para no despertar el sueño de las
cascadas





SPLEEN

Habla quedo
en voz baja
Apaga la luz
y deja el gramófono a la sordina
Lástima que yo no tenga cigarrillos
ni amor
que darte
  

Extraído de la obra
VOCES FEMENINAS DE LA POESÍA BRASILEÑA
Goiânia: Editora Oriente, s.d. 




Os poetas Antonio Miranda, Eunice Arruda e Álvaro Alves de Faria 
encontram-se na Casa da Rosas, São Paulo (20/3/2010).






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