martes, 26 de febrero de 2013

JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO [9296]


JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO

JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO
José Inácio Vieira de Melo (1968), radicado en Bahia, es poeta, periodista y productor cultural.

HA PUBLICADO LOS LIBROS:

Códigos do silêncio (Salvador: Letras da Bahia, 2000), Decifração de abismos (Salvador: Aboio Livre Edições, 2002), A terceira romaria (Salvador: Aboio Livre Edições, 2005) – Prêmio Capital Nacional de Literatura 2005, de Aracaju, Sergipe, A infância do Centauro (São Paulo: Escrituras Editora, 2007), Roseiral (São Paulo: Escrituras Editora, 2010) e a antologia 50 poemas escolhidos pelo autor (Rio de Janeiro: Edições Galo Branco, 2011).





La muerte promete jardines

Este tu brillo de ahora
son trozos –rastros errantes
que persisten en la búsqueda inútil
de tu primera semilla.

Este tu brillo de ahora
es la sombra de lo que fuiste
y si todavía eres girasol celeste
es que la muerte promete jardines.

Versión de Claudina Ramírez





Epitafio para guinevere

Cavallos ya fueron palomas
 de alas de nubes
Domingos Carvalho da Silva

Mis caballos lloran por ti, yegua de ojos azules.
Nunca más invadiré el viento montado en tu galope.

Que quede inscrito en tu lápide
el verso de lágrimas de mis caballos.

Para ti, que traías los cielos adentro de los ojos,
el relinchar de la pasión pagana
de los caballos que traigo adentro de mí.

Versión de Claudina Ramírez





Epitáfio para Guinevere

Cavalos já foram pombos
de asas de nuvem.
Domingos Carvalho da Silva

Meus cavalos choram por ti, égua de olhos azuis.
Não mais invadirei o vento montado no teu galope.

Que fique inscrito na tua lápide
o verso de lágrimas dos meus cavalos.

Para tu, que trazias os céus dentro dos olhos,
o relinchar da paixão pagã 
dos cavalos que trago dentro de mim.









Sentido

Los hombres venían y había un camino.
Continuaban, y la brújula los esperaba,
y ellos seguían creyendo en eso:
siempre  rumbear – siempre siempre siempre.

Los hombres nunca llegaban a algún lugar
pero iban eternamente en busca de,
pues no querían ni soportarían
entender la verdad del lugar ninguno.

Versión de Claudina Ramírez





Sentido

Os homens vinham e havia um caminho.
Continuavam, e o prumo os esperava,
e eles seguiam acreditando nisso:
sempre rumar – sempre sempre sempre.

Os homens nunca chegavam a algum lugar,
mas iam eternamente em busca de,
pois não queriam nem suportariam
entender a verdade do lugar nenhum.






La muerte promete jardines

Este tu brillo de ahora
son trozos – rastros errantes
que persisten en la busca inútil
de tu primera semilla.

Este tu brillo de ahora                            
es la sombra de lo que fuiste
y si todavía eres girasol celeste
es que la muerte promete jardines.

Versión de Claudina Ramírez




A morte promete jardins

Este teu brilho de agora
são cacos – rastros errantes
que persistem na busca inútil
da tua primeira semente.

Este teu brilho de agora
é a sombra do que foste,
e se ainda és girassol celeste
é que a morte promete jardins.





PEDRA SÓ


I

Canto de peito ao vento,
um boi de campina anda comigo.
Outra vez as águas antigas,
ravinas na memória do tabuleiro.

É um boi das algarobeiras
que muge a solidão.
Suas manchas, ruminadas na paciência,
reúnem a terra.

O chão secando, serranias, caatingas.
O boi nas malhadas dos céus.
O sabor hereditário estendido em varas,
couros leves secando ao sol.

Sobre o couro do país,
no terraço da província que me é sagrada,
o poeta
          o fogo
                    o cavalo
e os marmeleiros onde se estendem
leopardos sertânicos.

Ao céu do país, no couro esticado,
o nome primeiro, à luz do sol,
à sombra das algarobeiras:
PEDRA SÓ
chã que se abre
ao cavaleiro deslumbrado.





VIII

A pele dos carneiros
encadernando os primeiros nomes,
salmos secretos.

Evangelhos da boca do pastor
lavram as visões interiores.
E as ovelhas e os bodes e as cabras,
couros e lãs vestindo a saga dos homens.

Homero, cantador assombrado
pelos astros e por seus rastros,
singrou os mares da imaginação
e assim foi o inventor de deuses e homens.

Homero tinha um cavalo
onde cabiam todos os guerreiros
e escreveu com sangue e verbo
os salmos da sua história
cujos ritos e sacrifícios
se repetem em mim, agora.

E um dia os escribas gravaram
nas peles dos bois e dos carneiros
os cantos do cego que inaugurou
os sertões ocidentais.





XII

Sertão, cartilha e dicionário
que recupera o fôlego do ser
e laça as águas do momento
que escorregavam da memória.

Sertão, coisa de espírito mesmo:
o nome incrustado no âmago.

No Sertão, o princípio do enigma,
o galope para dentro do redemoinho,
e na garupa alforjes de couro
bordados com a chama do amor.

O Sertão encourando os primeiros saberes...






XXI

As estrelas partilham
os segredos das letras.
Escudo misterioso do ser,
as palavras estão grávidas.

Em silêncio luto a luta vã.
Busco a mão direita de Devar que,
decepada por lâminas cabralinas
no curral da Ribeira do Traipu,
deu adeus ao seu corpo.

E de sua boca, palavras em brasa.
A mão esquerda segurou o pulso direito
de onde brotava, instantânea,
uma dolorosa rosa de sangue.

Da dor de Devar
e de seu punho,
o veio da arte.

E debaixo de algum pé de algaroba,
lá na Ribeira do Traipu,
a mão direita de Devar cava o chão,
prepara os sete palmos e espera pelo corpo
que perambula perdido pelo sertão das Alagoas.






XXIII

Às cinco horas da tarde,
no céu da Pedra Só,
um cavalo emerge das nuvens
e uiva para a lua.

Às cinco horas em ponto,
na fazenda Pedra Só,
a lua é o olho do dragão.

E a moça de Jorge de Lima
é enorme, enorme,
e engole a lua e vai ficando
menor, menor.

Mas continua caindo
num desembesto sem fim
até virar Alice.

E logo ali, um alce.
E logo ali,
o galo de Abraão Batista
numa briga feroz
com o boi do Patativa.

Às cinco em ponto da tarde,
no reino da Pedra Só,
Federico Garcia Lorca
montado num corcel de algodão
crava seu punhal de prata
nos olhos da escuridão.






XXV

O sapateiro celeste costura
um labirinto no couro do touro,
onde se misturam e se perdem
      e se encontram
Damião Alagoano e Pedro Vaqueiro,
Sérvulo Duarte e Linduarte,
Vavá Machado e Marcolino,
e Moisés, o meu avô.

A legião de vaqueiros
que me acompanha e me protege
com as sete peles do gibão de couro.

A legião de argonautas
que me acompanha
em busca do velo de ouro.

A legião de vaqueiros
que me acompanha e que entoa,
na origem do sentimento,
o que a palavra não diz
mas a voz aboia.






XXVII

Do alto da Pedra Só, contemplo a onça:
fulgor de malhas
                         sabor de mato.

A velha casa é chão e couro.

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Fuga

As crianças galopam goiabeiras,
sentem o gosto da paisagem de êxtase.
As crianças são deuses, mas não trazem
o germe do sofrimento, só brilham.

Quando o homem chega dentro da criança,
o infinito cai e a casa começa
a ter entranhas, a criar paredes.
Quem mais sofre com isso são as pedras:

sem sangue, sem respiração, sem ritmo,
seus escombros preenchem toda terra;
seus sonhos - fuzilados no horizonte.

Eu ainda saio dessa ciranda,
entro no primeiro buraco negro
e vou me inventar em outra galáxia.







Abandono

No teu banquete,
não é permitida a minha presença.
O colorido dos meus anelos
é uma afronta à tua matemática.

Apesar de não compreenderes,
os caracóis dos meus cabelos oferecem sombra
ao sonho das minhas palavras.

E mais uma vez subo ao telhado da infância
e com os passarinhos vou aprendendo
a ser o voo dentro da paisagem.

E no paredão do açude, o menino que foste corre,
é mais ligeiro que o abandono que sofremos juntos.

Sim, o abandono,
única presença que compartilhamos.







Canibal

Bota a comida no fogo e deixe
que os aromas das carnes recendam,
deixe as carnes mugirem, balirem,
chiarem no delírio das brasas.
Que o cheiro das picanhas e dos pernis
despertem os rios de minha boca!
Bota logo a comida na mesa e deixe
que eu louve, no ritmo da arcada, as delícias das carnes.

E olharei em teus olhos e sentirei as tuas carnes,
as tuas carnes que vibram por meus caninos afiados.







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