martes, 23 de octubre de 2012

AFFONSO AVILA [8.184]



AFFONSO AVILA

Affonso Ávila (Belo Horizonte, 19 de enero de 1928 - Belo Horizonte, 26 de septiembre de 2012) fue un investigador, ensayista y poeta de Brasil.
Es considerado uno de los más importantes poetas brasileños contemporáneos.
Fue activo en importantes movimientos literarios, creador del Instituto Estatal de Patrimonio Histórico y Artístico de Minas Gerais en una línea de investigación y ensayos cuyo foco es el barroco en Brasil.

Obras

Libros publicados:

O Açude, 1953
Sonetos de Descoberta, 1953
Carta do Solo, 1961
Frases feitas, 1963
Resíduos Seiscentistas em Minas, dois volumes.
O lúdico e as projeções do mundo barroco,
Código de Minas, 1969
Poesia anterior, 1969
Código Nacional de Trânsito, 1972
Cantaria barroca, 1975
Discurso da difamação do poeta, 1976
Barroco mineiro: glossário de arquitetura e ornamentação, 
Companhia Editora Nacional, 1979
Masturbações, 1980
Barrocolagens, 1981
Delírio dos cinqüent'anos, 1984
O belo e o velho, 1987
O visto e o imaginado, 1990
Catas de Aluvião: Do Pensar e Do Ser de Minas, Graphia, 2000
A lógica do erro, 2002
Homem ao Termo:(1949-2005), 2008
Poeta Poente, 2010

Premios

Othon Lynch Bezerra de Mello pelo livro Sonetos da descoberta.
Cidade de Belo Horizonte em 1961; 
Cláudio Manoel da Costa, em 1961, pela publicação do livro de poemas Carta do solo.


TEORÍA DE LAS PURETAS

la realidad es la de los puretos
la real edad es la de los puretos
la hilaridad es la de los puretos

         (su filosofía es el civismo
         su filosofía es el cinismo
         su filosofía es el si mismo)

el credo es el dinero
el cristo es el dinero
el criterio es el dinero

         (su verdad es la cía
         su verdad es la cifra
         su verdad es el cifrado)

el estadista es el usurero
la estadística es el usurero
la estatua ecuestre es el usurero

         (su paisaje es el blanco
         su paisaje es el banco
         su paisaje es el balance)

el hombre puro es el paladino
el hombre público es el paladino
el hombre pútrido es el paladino

         (su política es la del bendecido
          su política es la del beneficio
         su política es la del bien nacido)

el herrete es la libertad
la herrumbre es la libertad
la herradura es la libertad

         (su retórica es el ruin
         su retórica es el ruido
         su retórica es la ruina)

el hábito es la familia
el hálito es la familia
el alibi es la familia

         (su moral es la fachada
         su moral es la fe ciega
         su moral es la fiesta cierta)

el patrón es la mediocridad
el padrón es la mediocridad
el panteón es la mediocridad

         (su cátedra es la maña
         su cátedra es el trivio
         su cátedra es lo trivial)
el tema tierno es la sensibilidad
el tierra-a-tierra es la sensibilidad
la terratenencia es la sensibilidad

         (su poesía es la de bilac
         su poesía es la del vivac
         su poesía es la del destajo)
el mito es la desconfianza
la mística es la desconfianza
la mistificación es la desconfianza

         (su ideología es la forma
         su ideología es la fuerza
         su ideología es la horca)

Extraído de CUATRO SIGLOS DE POESÍA BRASILEÑA. Introducción, traducción y notas de Juan Tello.  Caracas: Centro Abreu e Lima de Estudios Brasileños; Instituto de Altos Estudios de América Latina, Universidad Simón Bolivar, 1983.



ELECCIÓN DEL USURERO

El oso si se corona
 con su lisonja
         (los cortesanos escriben sus edictos) .

El oso si se corona
 con su ungüento
         (los cortesanos insertan su engaño)

El oso si se corona
         con su incienso
         (los cortesanos entonan sus coros)

El oso si se corona
         con su ponzoña
         (los cortesanos conspiran en sus sufragios)

El oso si se corona
         con sus esponjas
         (los cortesanos deciden su sanción)

El oso si se corona
         con su ombligo
         (los cortesanos disponen su casaca)

El oso si se corona
         con su joroba
         (los cortesanos aprontan sus mujeres)

El oso si se corona
         con su calvicie
         (los cortesanos adornan su palacio)

El oso si se corona
         con su oro
         (los cortesanos sirven su banquete)

El oso si se corona
         con su usura
         (los cortesanos recogen sus ofrendas)

POESÍA TESTIMONIAL LATINOAMERICANA. Org. y traducción: Saúl Ibargoyen; Jorge Boccanera.  México, DF: Editores Mexicanos Unidos, 1999.  347 p 



 Le Bateau Ivre

Los jóvenes greñudos de la calle donde vive el poeta tienen fama de fumar marihuana
Los jóvenes greñudos de la calle donde vive el poeta fuman marihuana
Los jóvenes greñudos fuman marihuana en la calle de poeta
Los jóvenes greñudos fuman marihuana en la casa del poeta
Los jóvenes greñudos fuman marihuana en su casa con el poeta
Los jóvenes greñudos buscan marihuana en casa del poeta
Los jóvenes greñudos buscan droga en la casa del poeta
Los jóvenes salen drogados de la casa del poeta
Los jóvenes son drogados por el poeta

EL POETA ES UN TRAFICANTE DE DROGAS



Os jovens cabeludos da rua onde mora o poeta têm fama de fumar maconha
Os jovens cabeludos da rua onde mora o poeta fumam maconha
Os jovens cabeludos fumam maconha na rua do poeta
Os jovens cabeludos fumam maconha na cada do poeta
Os jovens cabeludos fumam maconha em sua csa com o poeta
Os jovens cabeludos buscam maconha na casa do poeta
Os jovens cabeludos buscam droga na casa do poeta 
Os jovens saem drogados da casa do poeta
Os jovens sao drogados pelo poeta

O POETA É UM TRAFICANTE DE DROGAS



Soneto

Não vos traga tristeza a chuva fria
a se esgueirar nas tardes sem corola.
Sobe o chumbo (o sem cor) das coisas vivas
sufocando o clamor das vossas horas.

Sobre o ontem deitastes. Neve amiga
da pegada os sinais na terra afoga
(vede o exemplo da nuvem que destila
o fel de si na gota que se evola).

Sede o espelho, não mais.  O próprio nervo
se desfaça no plano de cristal
onde a imagem enfim se compreende.

Plenitude da origem e do termo
o nimbo vos ensine o largo mar.
Sereis então o grande indiferente.

de O Açude e os Sonetos da Descoberta, 1953



Castração

Com suas iníquas
máquinas de tédio
aprende o degredo
com seus chãos reversos

— com suas escumas
de vinagre e pasmo
celebra os opróbrios
com seu desamparo

— com suas sezões
de pejo e salsugem
arqueja os verões
com seus gozos rudes

— com suas ilhargas
de fuligem e asco
deslembra as novilhas
com seus curvos favos

— com suas obesas
barbelas de adorno
ostenta a vergonha
com seu grão roncolho

de Carta do solo, 1961



Apartação

Com suas rações
de clareira e frondes
rompe o latifúndio
com seus horizontes

— Com suas savanas
de relva e flagelo
demanda os retiros
com seus céus de inverno

— Com sua aventura
de surpresa e faina
deslumbra as nascentes
com seus sais de lama

— Com suas ciladas
de febre e malogro
caminha as vazantes
com seus bebedouros

— Com sua forragem
de perda e silêncio
remorde a distância
com seus nós de tempo.



patrulha ideológica

te alerta poeta que a p/i te espreita
         desestruturou o discurso e embaralhou as letras
te aleart paeto que o pc te recrimina
         barroquizou a linguagem e descurou da doutrina
te alaert peota que o sni te investiga
                   parodiou o sistema e ironizou a política
te alaret poate que o women´slib te corta o genitálio
         glosou o objetou sexual e teve orgasmo solitário
te alerat peato que a puc te escanteia
         foi tema de mestrado e não quis compor  mesa
te areta petoa que a cb não te reedita
         gastou muito papel e ouço sangue na tinta
te alrate petao que a abl te indexa
                   fez enxertos de inglês e sujou a água léxica
te arealt patoe que a cnbb te exorciza
         macarronizou o latim e não aprendeu a nova missa
te alatre potae que o esquadrão te desova
                   traficou palavrinha e não destruiu a prova
te atrela ptoea que o doicodi te herzoga
         suspeito sem suspeição e enforcado sem corda

i must be gone and live                          or stay and die

de O Belo e o Velho, 1987



gaia ciência

sábio círculo em torno do nada
do além do aquém
de que é que de quem é quem
lição de cor do ardor do amor
signo perseguido em guia de dor
manifesta confusa desvairada
desvario ou alegria de trâmite curtido
palavra de real gozo de conceituai
léxico anverso controverso
capturado mel da defensiva abelha em sua colmeia
dispersivo pescar na convulsão da ideia
rio de acima de abaixo confluência de águas
e quem mais o quis menos o teve
breve perene sempiterno
nascente de prazer ou de frágua
o que ficou desse riso siso
retórico ressaibo



insólito

contato é impudicícia ou carência de tato
gesto que sai do corpo como um salto de gato
suave rude ardil ou busca de gozo
rei dos sentidos empós do amor ou do afeto
sondagem de quem sonhou e argui de fato
a empáfia escondida entre haustos do só
não temer o impacto da astúcia
colher a rosa no ramo propício enquanto é vermelha
e saborear o odor a cor o íntimo calor
é tarde é breve mas intensa de brilho
signo de infinito clamor
que não calou no estamento do tempo
e rói fundo o apetite que resta
via possível na corrosão do palor
e usá-la a furto oculto
imponderada lapela
fim ou princípio
sorte lançada
defasado cupido




& em cada conto te cont
o & em cada enquanto me enca
nto & em cada arco te a
barco & em cada porta m
e perco & em cada lanço t
e alcanço & em cada escad
a me escapo& em cada pe
dra te prendo & em cada g
rade me escravo & em ca
da sótão te sonho & em cada
esconso me affonso & em
cada cláudio te canto  & e
m cada fosso me enforco&

de Cantaria Barroca, 1975



Advertência da gerontóloga

rosto composto mosto decomposto em cara-
                   quadro vegetal de arcimboldo
retro old man maquiado de fimbrias desfibradas
         do diabo guisado requentado em rescaldo ou
                                                        rescoldo
(sabe-se aqui o que de culinária quando muito de
                                      azia e suas carquejadas)
de rabanete nabo quiabo em babas mal
                                                        temperadas
mas vá lá vadio pé-de-valsa goliardo goliold(o)
young old man without gold or god oficial de
                                      ofício das madrugadas
o dia foi duro irmão durão as favas a fatiota de
                                                        dom Bertoldo



Cantiga de Nossa Senhora da Modéstia

do nicho elipse ontem fresta
sem coroa ou aura à sobretesta
sem louvor barroco à testa
cheia de graça em enfesta
lindeira de urbe e floresta
névoa ao olho imanifesta
oculta por imolesta
flor ou bem que se requesta
coração que se empresta
a nenhum juro infunesta
em seu sol tarde seresta
de som noite que se apresta
ao ardor deste à ânsia desta
dada mão furtiva ou presta
príncipes de brim voile em véstía
rímel pó rouge à arte honesta
na esquina de amor ou festa
ao cadente beijo da hora é esta
sua luz vertia em réstia
nossa senhora da modéstia

de Cantigas do Falso Alfonso El Sábio, 2002.




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