sábado, 12 de mayo de 2012

YAO FENG [6.801]



Yao Feng 

(Beijing, China 1958)
Yao Feng es el nombre de pluma de Yao Jingming, nacido en Beijing en 1958.
Estudió portugués en la universidad y trabajó como diplomático por un tiempo, pero actualmente vive en Macao, antigua colonia portuguesa.

Bibliografía

Poesía

Xie zai feng de chibang shang (Written on the wings of the wind)
Yi tiao dipingxian, liang zhong fengjing (One horizon line, two views)
A Noite Deita-se comigo (The night lies down with me)
Yuanfang zhi ge (Song of the Faraway)
Yao Feng shixuan 2002-2008 (Yao Feng: selected poems 2002-2008)

Traducciones

Selecta de Poetas Portugueses Contemporaneos (1999)
Andelade shi xuan (Selected poems by Eugenio de Andrade) (2001)





En el hospital

Sacás de adentro de la sábana blanca una mano,
seca y delgada, las uñas cubiertas de esmalte
igual que las flores del cerezo
iluminando las ramas en invierno.
Estas uñas, estas flores, una y otra vez te las recortás,
una y otra vez dejás que crezcan furiosas
Ubicadas en la frontera entre tu cuerpo y la nada
aparecen siempre tan impecables, tan
flamantes, incluso en este hospital
caótico como nuestro país. Agarro tu mano
y siento cómo las venas se hinchan, se contraen
mientras la sangre repta hasta la punta roja del dedo y da la vuelta
Recuerdo entonces lo que escribiste en un poema:
que en el cuerpo muerto las uñas
son lo último que se pudre.


Ofreciendo incienso

Con cada paso que doy
el templo en la cumbre
se agranda un poco más
Finalmente diviso
el portón rojo oscuro:
cerrado cerrado
No sé si los monjes
estarán o no
sólo sé que es agosto
y dentro del templo
las flores del osmanto
ya deben haber abierto.


Conquistadores

De los hombres que treparon al Himalaya
varios murieron en el camino
Los sobrevivientes llegan a la cumbre
y agitan banderas delante de la cámara,
dejando ver al mundo entero
que han conquistado el pico más alto del planeta
Parados en silencio en un rincón
hay unos sherpas que la cámara no toma
Ellos son cargadores, no conquistadores
Por apenas unos dos mil dólares
pueden ayudar a cualquier conquistador
a conquistar la cumbre del Himalaya.

Extraído de Un país mental, 100 poemas chinos contemporáneos.
Selección y traducción de Miguel Ángel Petrecca. Ediciones Gog y  Magog.




Poemas de Yao Feng (chinês, inglês e português)

黄昏的收藏者

我赞美晨曦,我在骄阳下流汗
我看见太多的死亡
在送葬的乐曲中,我习惯了节哀和仪式
眼睛流出来的
不再是悲伤,而是一粒粒石头

河流反光,群山将隐
黄昏的收藏者
提炼着最后的黄金

我向往天堂
天堂在那看不见的地方
在这夜色中,在这灯红酒绿的一隅
是谁在挥霍我的余生


Fim

Talvez no inverno
me tenhas oferecido uma pedra,
acesa, tão acesa que a guardava
ora na mão esquerda, ora na outra.

Viraram-se os dias como páginas,
e a pedra, pouco a pouco, congelando.
O que as minhas mãos juntaram
acabou por ser apenas sombra.

Tradução para o português: Régis Bonvicino



The world is getting warmer
glaciers will be melting soon
We who love animals
should prepare fridges
for every penguin

Traduções para o inglês: Charles Bernstein



沉默

我们终于把沉默
放在我们中间
就像摆下一张巨大的桌子
上面什么也没有
宴会早已结束
我们再不会面对面坐下

黑夜的静寂中
只有鸟儿偶尔鸣叫一声
它们也喜欢说梦话
而我们今夜无梦
风吹动你的头发
像一声声嚎叫



O lobo e as ovelhas

As ovelhas ficaram quietas
quando o lobo chegou
perfiladas em parelhas
pararam de comer a relva
como algodão semeado
Canícula!
“Que diabo de tempo!”
– uivou o lobo,
E as ovelhas despiram
seus casacos de pele

Tradução para o português: Régis Bonvicino



At the plenary meetingthree thousand 
right hands are raised
at the same level
like a lawn trimmed by a mower

A spring swallow
opens its scissors
flies above, past my arm
I give out a sad, shrill cry

Traduções para o inglês: Charles Bernstein



Noite branca

Tudo estava escuro no meu coração,
nada se via, nada se ouvia,
como se uma venda preta
me vendasse os olhos.
Quis a luz, luz para sempre.
Contei o que sentia a uma poetisa da Europa.
e ela me disse: no meu país, quase sempre frio,
muitas pessoas
ou ficam loucas, ou se suicidam,
devido à luz demasiado prolongada.

Tradução para o português: Régis Bonvicino



中国地图

我要感谢那个绘制地图的人
你用玫瑰的色彩
描出祖国辽阔的疆域
用绿色标出高山峻岭
用蓝色标出河流大海

你在九百六十万平方公里的土地上
种下了玫瑰
黄河洗净泥沙,长江奔流如碧
海天一色,没有污染
满目青山,伐木者早已远去

彩色的地图,玫瑰园般绚丽
遮盖住昏黄的墙壁
我仿佛看见,可爱的人民
在水之湄,在花园间
劳作,繁衍,生息
他们用透明的汗水浇灌玫瑰
他们用一生的时间彼此相爱



Meridian Gate

never much liked Starbuck’s
but these days
the one at Forbidden City
got my vote
hanging out at
Meridian Gate Starbuck’s
drinking tall cup of American coffee
waiting in widening dusk
watching bulging sun
go down slow
painting the pavement
blood red
at Meridian Gate
where heads rolled
I drink coffee in peace
noticing I forgot sugar

Traduções para o inglês: Charles Bernstein



咸鱼

咸鱼如何翻生
你曾经在水中翱翔,寻找那根银针
曾经许下海枯石烂的誓言
曾经跳出水面,俯视大海

如今,你悬挂在太阳下
风,抽干你身体中的每一滴海洋
命运强加给你的盐
腌制着大海以外的时间

但你不肯闭上眼睛
你死不瞑目,你耿耿于怀
你看见屋檐的雨,一滴滴汇成江河
一条咸鱼,梦想重返大海



Março

Eis mais uma primavera,
outra vez mais despi as roupas do inverno
outra vez mais abri a janela cerrada
Os raios da primavera rebentam no meu corpo
e as flores florescem nos campos úmidos.

Todas as primaveras repetem o mesmo destino:
florir e murchar… florir e murchar…
no entanto ainda ignoro o nome de muitas flores,
tal como não sei como se chamam aquelas meninas
que por mim passam como nuvens.

Tradução para o português: Régis Bonvicino



Coal Hill

Sun slides west into mountains
evening shadow envelops Imperial Palace
tourists stream down hills one by one
clove blossoms, alone, on mountain slope
bittersweet fragrance permeating air
transfixed at fence I see
sunrise, sunsets in fixed pattern
dynasties, revolution, corruption, revolt
lose interest, want to know
sublime palaces with sumptuous beauties
how those charmed souls navigated
the pre and the post of history’s menopauses.

Traduções para o inglês: Charles Bernstein



Uma pedra coberta de musgo

Aquela tartaruga,
com a cabeça recolhida
em sua casca sólida e dura,
não se moveu,
moveu-se o tempo.
Três chefes do zôo morreram,
sucessivamente,
e a tartaruga está ainda estática:
inativa e plena de longevidade,
como se fosse uma pedra coberta de ervas
crescendo num charco, o mais baixo da terra.

Tradução para o português: Régis Bonvicino




车过中原

火车在穿越大地
成熟的玉米收容了阳光

岁月漫漫
它们作为种子
无数次地躺下
又作为粮食
无数次地爬起来
它们像我一样微笑着
满嘴的黄牙
没有一颗是金的




Chuva ao fim da tarde

As gotas da chuva batem no telhado, porta e janela,
com tanta pressa, como crianças nuas
rogando abrigo.

Como não sou rio, nem sou terra,
nem o meu corpo cheio de buracos
é um pedaço de esponja,
em suma, não passo de um animal
que apodrece depressa
caso vivesse na água.

Com o vento agora intenso,
os dedos da chuva tornam-se mais grossos,
avessos ao tempo estiado,
insistindo em agarrar-se
às goteiras do telhado.

Tradução para o português: Régis Bonvicino




If I’m sky
I’d be vast

If I’m sea
I’d be deep

If I’m land
I’d be fecund

If I’m bald
I’d wear no wig

Traduções para o inglês: Charles Bernstein




葬花词

为了埋葬,那些必须埋葬的
我在花园里挖坑
却发现,坑的形状
就是一朵盛开的鲜花




Every time I open the window
I feel like I am opening myself

sky, mountains, and valley
knock me out

I close the window
open the door
and walk away

Traduções para o inglês: Charles Bernstein




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